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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Esporte No River, dirigente que afundou finanças do Olympique contrata loucamente Mauro Cezar Pereira Colunista do UOL 07/08/2026 18h34 Deixe seu comentário Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Pablo Longoria é espanhol e atualmente trabalha como diretor esportivo do River Plate Imagem: Xavier Laine/Getty Images Perto de ser anunciado oficialmente, Thiago Almada deverá ser a maior, mas não a única contratação do River Plate na temporada. O clube dispensou vários jogadores e contratou aos montes: Ángel Correa (meia-atacante), Lucas Beltrán (centroavante), Tobias Andrada (meia), Mauro Arambarri (meia), Rafael Borré (centroavante), Giovanni González (lateral-direito) e Otamendi (zagueiro) custaram quase 70 milhões de dólares. Tudo isso é possível graças ao momento do clube conhecido como "Millonario". Sim, o River arrecada muito mais do que a maioria dos times argentinos e valor próximo aos mais ricos do futebol brasileiro. Mas, apesar disso, vem acumulando fracassos em campo e resolveu jogar pesado no mercado, até para ofuscar a crise da equipe de futebol. E pelas mãos de um personagem controverso. Pablo Longoria é Diretor Esportivo do River Plate desde o final de abril. Responde diretamente ao presidente Stefano Di Carlo e ao ídolo Enzo Francescoli, responsável pelo futebol Millonario. Assim, o espanhol coordena as áreas esportivas, elenco profissional, base, scouting, contratos etc., submetendo as decisões finais aos que estão acima dele na estrutura do clube. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo No currículo de Longoria, está o trabalho de observador ("olheiro") na Inglaterra e na Itália, atuando na Atalanta e no Sassuolo, até chegar à Juventus — onde foi responsável por várias contratações — e ao Valencia, como diretor esportivo. Seu trabalho anterior mais recente foi no Olympique de Marseille. E é aí que vêm motivos de sobra para preocupação entre os que torcem pelo River Plate. Em 2020, Pablo Longoria desembarcou na função de diretor esportivo no time francês, o qual posteriormente presidiu. Sua gestão foi marcada por forte atividade no mercado de transferências e pela tentativa de tornar o clube competitivo, mas resultou em um desequilíbrio financeiro grave, com déficits crescentes: R$ 12,6 milhões de euros na temporada 2022/2023; 39 milhões de euros em 2023/2024; e 105 milhões de euros em 2024/2025. Sua política de contratações agressiva, com muitos jogadores caros e pagamentos parcelados, gerou obrigações futuras elevadas. A folha salarial alta, somada à falta de equilíbrio entre gastos e receitas, piorou com a crise dos direitos de TV na França e a ausência do OM da Champions League em algumas temporadas. No meio disso tudo, houve uma multa de 10 milhões de euros aplicada pela Uefa pelo descumprimento das regras do Fair Play Financeiro. Longoria foi afastado da presidência no final de fevereiro deste ano. O proprietário do Olympique de Marseille, Frank McCourt, declarou-se "chocado" com a gestão financeira deixada por ele. Um desastre. O novo presidente, Stéphane Richard, falou publicamente em "buraco contábil muito importante" e apontou erros de estratégia e falta de controle na gestão anterior, apesar de não nomear Longoria diretamente. Na ocasião, o diretor de futebol, Medhi Benatia, que havia apresentado sua renúncia dias antes, concordou em permanecer no cargo até junho para "supervisionar todas as atividades esportivas". A DNCG (Direction Nationale du Contrôle de Gestion, ou Direção Nacional de Controle de Gestão) é o órgão financeiro oficial da Ligue de Football Professionnel (LFP) na França. Foi criado em 1984 para fiscalizar e regular as contas dos clubes de futebol profissional do país. O órgão impôs ao OM restrições à massa salarial e às indenizações de transferências. Continua após a publicidade O clube foi obrigado a entrar em modo de austeridade: vendas forçadas de jogadores para tentar equilibrar as contas e evitar sanções mais duras. McCourt deixou de injetar recursos ilimitados e passou a exigir que o clube se financie. Longoria deixou o Olympique com déficit histórico, dívidas de transferências futuras e restrições impostas pelos órgãos reguladores, forçando uma limpeza financeira profunda sob a nova direção. Resta saber se Longoria mudou e se, ao contrário de Frank McCourt, Stefano Di Carlo e Enzo Francescoli irão conter eventuais excessos. O passado recente do espanhol de 40 anos é para deixar ligado, piscando no máximo, um sinal de alerta no Monumental de Núñez. Siga Mauro Cezar no X Siga Mauro Cezar no Instagram Siga Mauro Cezar no Facebook Inscreva-se no Canal Mauro Cezar no YouTube Continua após a publicidade Siga Mauro Cezar no Threads Siga Mauro Cezar no BlueSky Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. 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