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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Documentário mostra como Gonzaguinha foi um gênio imprescindível Walter Casagrande Jr. Colunista do UOL 19/09/2026 15h18 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Cartaz do documentário sobre Gonzaguinha Imagem: Divulgação Comportamento Geral. Esse é o título de uma das grandes músicas da nossa MPB, uma composição de um gênio de quem tive o privilégio de ser amigo. Gonzaguinha foi um cara incrível que tenho dificuldade em definir pelo intenso e curto tempo em que estivemos ligados. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro Casagrande Ofensas de Neymar serão combustível para o Remo PVC Palmeiras pode receber 4 mil visitantes; PM cria limite Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo O Gonzaguinha foi, sem dúvida alguma, a pessoa que mais me impressionou, porque foi tudo tão rápido e grandioso que, quando me lembro dele, parece que foi uma eternidade e, às vezes, um sopro de convivência. Nunca conversei tanto com uma pessoa, sem pausa, por horas na minha vida, sobre temas importantes, e, pelo que os amigos mais próximos dele me disseram, naquele momento também foi assim para ele. A diretora Susanna Lira é a responsável pelo documentário sobre sua vida curta, coberta de obstáculos e composições geniais. Pouco se fala da sua importância para a música e para a sociedade brasileira. No Brasil, tem-se uma visão muito seletiva sobre vários segmentos artísticos, inclusive no futebol, deixando de lado pessoas imprescindíveis e determinantes para citar sempre os mesmos, como se só aqueles fossem importantes. Gonzaguinha é, sem dúvida, um dos mais subestimados, porém ele é um dos maiores da nossa música. Continua após a publicidade Particularmente, ele sempre esteve entre os mais influentes da minha geração, e eu já era profundamente apaixonado por sua obra, mesmo bem antes de conhecê-lo. Em setembro de 1980, eu estava no Parque do Ibirapuera, mais especificamente na Praça da Paz, para assistir ao seu show, depois do lançamento do seu álbum "Gonzaguinha da Vida", de 1979. Lembro-me como se fosse hoje o quanto fazia sentido para os adolescentes da minha geração. Especificamente nesse disco, havia três músicas que viraram grandes clássicos: "Com a Perna no Mundo", que é um samba com uma crítica social forte e muito inteligente. "Vida de um Viajante", canção que foi o ponto do reencontro entre Gonzaguinha e seu pai, Luiz Gonzaga, que, já no começo, enche nossos corações: "Minha vida é andar por esse país Para ver se um dia descanso feliz Guardando as recordações das terras por onde passei Andando pelos sertões e dos amigos que lá deixei" Continua após a publicidade A outra canção mexe muito comigo, porque foi um momento em que estava apaixonado pela minha primeira namorada, e, quando ouvia "Diga Lá, Meu Coração", que é uma das canções mais lindas que falam de amor, é impossível não se emocionar e não lembrar de algum amor que tivemos em nossas vidas. "Espere por mim, morena Espere que eu chego já O amor por você, morena" Bom, o documentário de Susanna, "Gonzaguinha, Da Maior Liberdade", está em cartaz nos cinemas. Não tenho como não me emocionar e ter um forte aperto no coração ao me lembrar desse cara e de muitas coisas que ele me disse. Participei do show de Gonzaguinha no Corinthians em 1982 Imagem: Arquivo pessoal Foi em outubro de 1982, no Teatro Tuca, na PUC, quando fui buscá-lo para participar de um show no Corinthians em prol da primeira eleição para o governo estadual depois do golpe militar de 1964, que ele me disse uma frase que está na minha cabeça até hoje. Continua após a publicidade Ele não queria ir, e os organizadores me disseram assim: "Casão, você poderia nos fazer um favor?" Respondi: "Claro" Aí, me explicaram: "Você poderia ir tentar convencer o Gonzaguinha a participar do show, porque ele é a figura mais importante para nós." Continua após a publicidade Respondi: "Gente, eu conheci o Gonzaga hoje." Aí, me disseram: "Sabemos disso, mas ele não conversa com ninguém e ficou com você o dia todo conversando; ele gostou de você." Eu fui até lá, peguei o final de seu show, curtindo as duas últimas músicas, e fui ao camarim. Cheguei lá e me encontrei com ele. Continua após a publicidade "Fala, Gonzaga". Ele me respondeu: "Que bom que deu para vir, garoto". Aí, fui explicar a situação: "Gonzaga, me pediram para vir até aqui tentar te convencer a participar do show, porque você é a figura mais importante para fechar o evento". Ele me respondeu: Continua após a publicidade "Poxa, Casão, eu sou pela democracia e não me ligo em partidos." Aí, entrei em ação: "Então, esquece partido, é pela democracia, pela primeira eleição direta depois do golpe". Aí, veio a frase marcante: "Garoto, você é bem convincente, hein!" "Eu vou, mas com uma condição: você terá que subir ao palco e cantar uma canção comigo." Continua após a publicidade Para levá-lo, respondi: "Claro, é só me chamar que subo". Fomos para o Corinthians. Ele subiu ao palco e fez um showzaço, quando, de repente, ele começou: "Pessoal, vou chamar ao palco um cara especial, mas que conheci só hoje, que irá cantar comigo. Cadê você, Casão?" Bom, convenci o Wladimir e o Pitta, que jogava na Portuguesa, a subir comigo e fizemos o backing vocal para ele da música "Galope": "Eh, eh, sacode a poeira! Continua após a publicidade Imbalança. imbalança, imbalança, imbalançá! Eh, eh, sacode a poeira! Imbalança . imbalança , imbalança , imbalançá !" O Gonzaguinha merece todo o reconhecimento e valorização, porque foi um gênio. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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