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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Efeito Neymar passou? Santos perde patrocínios e vê dificuldade no mercado Lucas Musetti Colunista do UOL 21/08/2026 12h00 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Siga o UOL Esporte no Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A debandada de patrocinadores no Santos gera a seguinte pergunta: o clube soube aproveitar o "Efeito Neymar"? A chegada do astro causou expectativa dentro e fora de campo. Dirigentes, como o presidente Marcelo Teixeira, diziam que o astro "se pagaria" com ações de marketing e adesões no programa de sócio-torcedor. Na prática, porém, o Santos deve pelo menos R$ 90 milhões a Neymar e tem cinco propriedades vagas no uniforme — nos próximos dias, o BaladAPP deve ser anunciado para repor uma das propriedades. O Peixe ainda previa 100 mil sócios, chegou a 70 mil e hoje está apenas na casa dos 50 mil. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Nas últimas semanas, o Santos perdeu Pley By Ney [empresa da própria família de Neymar], além da EQR, Nissei, Álamo e Corpx. O Peixe não confirma oficialmente, mas o prejuízo seria de cerca de R$ 20 milhões anuais. O UOL ouviu especialistas do mercado publicitário e parceiros que se relacionaram com o Santos para entender por que o "efeito Neymar" passou. Ou não chegou ao que se esperava. Em geral, há duas avaliações principais: 1) o boom de Neymar passou; 2) o Santos não soube lidar bem tão bem com a celebridade. Acho que o primeiro ponto é separar um pouco o efeito Neymar do efeito Santos. A chegada de um jogador desse tamanho provoca quase o mesmo impacto de um grande lançamento, pois existe curiosidade, uma exposição gigantesca, mídia espontânea, crescimento nas redes, aumento de sócios e, naturalmente, uma corrida das marcas para fazer parte daquele momento. Isso aconteceu e seria muito difícil não acontecer com um personagem da dimensão mundial do Neymar. O problema é imaginar que esse pico se sustenta sozinho Marcelo Palaia, profissional de marketing esportivo há mais de 30 anos, foi professor da ESPM por mais de 20 anos e atualmente atua como New Business Manager da Octagon Latam Uma pessoa que trabalhou no departamento de marketing do Santos durante a atual gestão optou pela discrição, mas deu o seu parecer sobre o momento atual. A opinião é de que o Peixe "se empolgou": o acordo com Neymar saiu antes do que se esperava, então não houve o preparo suficiente para lidar com o camisa 10 no momento de maior apelo. Hoje, de certa forma, o mercado já se acostumou com a presença do Neymar no país. Continua após a publicidade Relacionadas Diretoria do Santos não cumpre combinado com atletas e gera 'climão' em voo Avanço do Santos na Sula põe Neymar diante de mais um gramado sintético Santos se classifica: veja melhores momentos do empate com o Macará-EQU Um exemplo foi o relacionamento com a Umbro, fornecedora de material esportivo. A empresa já tinha os produtos e a tiragem combinados para 2025 quando o Santos ligou e pediu uma reedição da camisa azul de 2011 que Neymar eternizou. As vendas foram um sucesso, mas faltaram peças no enxoval previsto no contrato e um uniforme 3 em homenagem ao time de 1995 não saiu do papel. Foi tudo muito rápido, quando soubemos o Neymar já estava para chegar. O Santos veio da Série B, orçamento baixo, e esse efeito Neymar era visto como a salvação. O clube foi se ajustando, mas pediu demais aos patrocinadores interessados. Houve boom de sócios sem o site aguentar, lançamento de camisa sem tiragem suficiente e os parceiros que tentavam fechar ouviam pedidas do nível do Corinthians, Flamengo ou Palmeiras Mesmo com esses problemas, a receita pós-Neymar disparou: de acordo com o Conselho Fiscal, o Santos terminou 2025 com arrecadação de 678,5 milhões. Em 2023, sem Neymar, o valor foi R$ 407 milhões. E em 2024 de R$ 459 mi. A atual gestão afirma que as receitas deste ano podem igualar ou superar 2025, mesmo com perda de patrocinadores. O departamento de marketing argumenta que os parceiros perdidos podem ser substituídos por acordos melhores e que os meses de agosto e setembro são "fundamentais para prospecção". Nos bastidores, porém, há dirigentes pessimistas. "Uma oportunidade dessa dimensão é raríssima. É quase como descobrir que você vai receber uma final de Copa do Mundo dentro da sua casa na semana seguinte. Evidentemente você vai aproveitar tudo o que puder, mas dificilmente vai conseguir extrair o mesmo valor que conseguiria se tivesse seis meses para planejar. Não acho que o clube tenha errado ao aproveitar rapidamente essas oportunidades. Seria até absurdo esperar. O ponto é que velocidade e estratégia não são exatamente a mesma coisa", avaliou Marcelo Palaia. A Umbro foi procurada, mas optou por não se posicionar. A empresa está satisfeita com o acordo e negocia a renovação do contrato com o Santos. Continua após a publicidade Neymar Pai e Marcelo Teixeira em treino do Santos Imagem: Raul Baretta/Santos FC Patrocínios do próprio Neymar O Santos lidou nos últimos tempos com dois patrocinadores ligados a Neymar: Blaze e Pley by Ney. A Blaze, site de apostas esportivas e cassino, fechou com o Peixe em intermediação de Neymar Pai antes mesmo de Neymar chegar. Neymar é o grande garoto-propaganda da empresa. A Blaze assinou por um ano, renovou com valores maiores a partir de Neymar, e deixou o clube em 2025, apesar de continuar vinculada ao astro. Continua após a publicidade Já a Pley by Ney, empresa de bebidas esportivas assinada por Neymar, estampava meião e a faixa de capitão. O acordo foi fechado em julho de 2025 e não renovado em julho deste ano. Nos bastidores, o Santos ouviu duas justificativas: a primeira de que a empresa cresceu e não vê a mesma necessidade de investimento em marketing. E a segunda de que não faz sentido pagar ao Santos sendo que o Santos deve a Neymar. Neymar Pai, em entrevista no leilão do filho, disse que a possível permanência do camisa 10 em 2027 é impactada pela dívida atual com a família. O mesmo vale para possíveis novos negócios. Antes muito atuante no dia a dia do Santos, Neymar Pai deu um passo atrás. Até as obras da Vila Belmiro, que contavam com a ajuda da NR Sports, agora ocorrem somente com estratégia de funcionários do próprio clube. A mesma estratégia aconteceu com a aquisição da marca Pelé. A ideia inicial era de uma parceria entre Santos e NR Sports. Neymar Pai, porém, fez o investimento sozinho. O novo centro de treinamento para a base em Praia Grande, anunciado pelo próprio pai do Neymar quando a relação com Marcelo Teixeira estava mais forte, não saiu do papel. Continua após a publicidade Derrapadas O Santos teve alguns episódios constrangedores nessa gestão, como as relações com Viva Sorte e 7K. A empresa de capitalização foi anunciada nos naming rights da Vila Belmiro. O nome foi utilizado por um período curto, mas o contrato não foi assinado. Com a casa de apostas, o Santos fez uma promoção de movimentação no site em troca de ingressos e foi investigado pelo Ministério Público por venda casada. Sem a certeza de ter Neymar em 2027 e com esses vacilos recentes, o Santos está pressionado por repetir a receita de 2025 e preencher o uniforme. Dirigentes do próprio Peixe admitem que será difícil. Algumas empresas nesta gestão fecharam com o Santos, mas também com Neymar, como Havan e Loovi. Hoje elas também não estão mais no clube. Continua após a publicidade A pergunta que surge é bastante natural? Por que essas marcas não continuaram? E a melhor maneira de o Santos responder não é através de discurso, mas através do próprio mercado, trazendo novas empresas, preservando o valor dessas propriedades e mostrando que consegue oferecer uma plataforma comercial que vai além da presença do Neymar. Talvez o verdadeiro teste comercial comece justamente agora Marcelo Palaia Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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