Conteúdo Original
"As vitórias trazem confiança", diz Memphis Depay após vitória do Corinthians Memphis Depay encerrou um jejum de três meses sem gols pelo Corinthians ao converter a cobrança de pênalti que fechou a vitória por 2 a 0 sobre o Grêmio , na Neo Química Arena, pela 31ª rodada do Brasileirão. O gol aliviou a pressão sobre o camisa 10 e voltou a colocar em evidência um tema que não sai da boca do Fiel Torcedor: por que Memphis rende mais pela seleção holandesa do que pelo clube brasileiro? + Siga o canal ge Corinthians no WhatsApp A resposta, segundo o próprio atacante, está nas diferenças táticas entre as duas equipes, o que gerou reclamações do holandês sobre a falta de bons passes para fazer gols: "Como você pode comparar a seleção nacional com a nossa equipe aqui? São equipes totalmente diferentes, jogadores totalmente diferentes em volta de mim. Na equipe nacional, a bola vem. Eles procuram por mim o tempo todo que chegam no campo ofensivo, eles me buscam e me dão a bola". Com apenas quatro gols no Campeonato Brasileiro, Memphis vem sofrendo para ser mais letal no ataque, o que não acontece na Holanda: ele é o maior artilheiro e o maior assistente da história da Orange. O ge analisou os dois times para entender quais são as diferenças no sistema de jogo do Timão e da seleção da Holanda. Vamos lá? Leia mais notícias sobre o Corinthians: + Dorival muda esquema, Corinthians não sofre gol há três jogos e aumenta opções na defesa + Dorival vê Corinthians mais equilibrado e quer Memphis como pivô: "Muito interessante" + Memphis se irrita ao compararem desempenho no Corinthians e na Holanda: "Vamos ser inteligentes" Esquema tático no Corinthians e na Holanda A primeira diferença começa no esquema tático. Com o treinador Ronald Koeman, a Holanda atua em um 4-2-3-1, com Memphis como centroavante, atrás de uma linha de meias formada por Kluivert, Malen e Gakpo, como você vê na imagem abaixo. 1 de 5
Memphis na Holanda: único atacante no sistema 4-2-3-1 — Foto: Reprodução Memphis na Holanda: único atacante no sistema 4-2-3-1 — Foto: Reprodução Nesse esquema, Memphis é a referência ofensiva do time. Joga mais próximo do gol e dos zagueiros adversários e tem todo o time atrás dele, com a missão clara de alimentar o camisa 10 com bons passes e cruzamentos. Sem a bola, ele não precisa retornar tanto e dá combate apenas nos zagueiros adversários. No Corinthians, Memphis joga como um segundo atacante junto com Yuri Alberto. O esquema foi o 4-3-1-2 durante boa parte da temporada. Dorival Júnior tem alternado entre formações, testando inclusive três zagueiros nos últimos jogos, como no jogo contra o Grêmio. Nos dois esquemas, Memphis joga sempre ao lado de Yuri e Garro. 2 de 5
Corinthians joga num 5-3-2, com Memphis ao lado de Yuri e perto de Garro — Foto: Reprodução Corinthians joga num 5-3-2, com Memphis ao lado de Yuri e perto de Garro — Foto: Reprodução É uma função que exige que Memphis saia mais da ára e se desgaste mais. No começo do ano, ainda com Ramón, Memphis chegou a jogar como ponta-esquerda. Com Dorival, ele volta até a intermediária e muitas vezes dá combate para que Garro fique mais à frente. Memphis tem mais liberdade de movimentação, mas joga mais longe do gol no Corinthians Quando os times têm a posse de bola, acontece a principal diferença de atuação: a quantidade e na qualidade dos passes recebidos por Memphis. Pela Holanda, o atacante é constantemente acionado mais próximo do gol, com espaço para girar entre os zagueiros, finalizar ou distribuir. No lance do primeiro gol contra a Finlândia, ele recebe a bola e gira o corpo para a frente do gol. Poderia ter finalizado, mas escolhe dar um passe para Malen abrir o placar, como você vê na imagem. 3 de 5
Memphis recebe a bola e consegue girar e finalizar — Foto: Reprodução Memphis recebe a bola e consegue girar e finalizar — Foto: Reprodução No Corinthians, ele precisa buscar a bola em zonas mais recuadas, mais longe do gol. Como Yuri Alberto já faz a função de ficar na cola dos zagueiros, Memphis acaba jogando mais como armador, especialmente na parceria com Garro e Carrillo, reconhecidamente o motor do time desde que chegou no ano passado. A imagem abaixo mostra um dos momentos que Memphis recua para tocar a bola junto de Garro. Perceba como ele não tem mais como finalizar, pois está longe do gol. Só resta o toque curto para outro jogador. 4 de 5
Memphis joga mais como armador no Corinthians — Foto: Reprodução Memphis joga mais como armador no Corinthians — Foto: Reprodução A diferença é tão nítida que Memphis chega a recuar até mais que Garro. Em muitos lances, ele é visto na própria defesa do Timão, auxiliando na saída de bola, como na imagem abaixo. Na Holanda, Memphis simplesmente não pode recuar e buscar a bola. Essa função é de Frenkie de Jong, que joga como um armador mais fixo na seleção. 5 de 5
Memphis chega a buscar a bola na defesa do Corinthians, no pé dos zagueiros — Foto: Reprodução Memphis chega a buscar a bola na defesa do Corinthians, no pé dos zagueiros — Foto: Reprodução Dorival reconhece essa lacuna e quer usar o holandês mais como pivô, explorando sua capacidade de segurar a bola e atrair marcadores, criando espaços para chegadas dos companheiros. Hoje, o Timão não tem esse nove mais fixo e se adapta ao poder de movimentação de Yuri e Memphis. Ele joga muito com aproximação. É um detalhe que temos de melhorar. Temos de usá-lo mais como pivô para que possamos ter aproximação em cima. Mesmo que esteja marcado, ele gosta de receber. Nós temos que aproveitar um pouco mais. — Dorival Júnior, após a vitória sobre o Grêmio Com 16 gols e 14 assistências desde que chegou ao clube, em setembro de 2024, o holandês tem números respeitáveis e um título conquistado: o Campeonato Paulista de 2025. Mas é nítido que ainda não demonstrou o potencial que o fez ser uma das maiores promessas do futebol mundial quando saiu do Lyon para o Manchester United. Ou os mesmos números da Seleção Holandesa. A explicação com certeza está no encaixe da equipe. Na Holanda, Memphis raramente teve que dividir o ataque como faz com Yuri Alberto no Corinthians. Como é muito inteligente taticamente, é natural que os treinadores no Brasil o usem mais afastado do gol, como Ramon e Dorival. Loffredo fala sobre demora na quebra de jejum de gols do Memphis com a camisa do Corinthians: "Jogar contra o Grêmio é mais difícil do que contra Malta e Finlândia" Usar Memphis do mesmo jeito que joga na Holanda teria que envolver o sacrifício de Yuri Alberto do time. Uma possibilidade é ter Breno Bidon no meio-campo, permitindo que Memphis atue mais centralizado como referência, com Garro e Romero fazendo as aproximações e Bidon na armação, como De Jong na seleção da Holanda. Será que compensa mudar um time que não sofre gols há três jogos e vem de três vitórias consecutivas no Brasileirão? Dilema para Dorival Júnior e o próprio jogador Memphis, que ressaltou que tem uma boa relação com a diretoria e que continua se sentindo bem no Brasil. E que quer ficar para brigar por títulos. Seja como centroavante ou na atual posição tática. 🎧 Ouça o podcast ge Corinthians🎧 + Assista: tudo sobre o Corinthians na Globo, sportv e ge 11 vídeos