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Tinga fala sobre os jogos anulados do Brasileirão de 2005 Nesta quinta-feira, o Inter precisa vencer o Ceará para respirar no Brasileirão. Mas há exatos 20 anos , o cenário era outro: o Colorado entrava em campo para um jogo decisivo na briga pelo título contra o Corinthians, em uma partida que segue bem viva na memória do ex-volante Tinga e de grande parte da torcida colorada. + O ge está no WhatsApp! Siga o canal ge Inter O Brasileirão daquele foi marcado pelo escândalo da Máfia do Apito , com denúncias de manipulação de resultados e anulação de 11 partidas. A decisão beneficiou o Corinthians, que foi campeão com três pontos à frente do Inter – se os placares originais tivessem sido mantidos, o Colorado teria vencido o Brasileiro com um ponto a mais. – Em 2005 o campeonato estava condenado e preparado para o Corinthians. Não sou eu quem estou falando. Tem escuta, um bando de coisas – cravou Tinga em entrevista ao ge . Naquela tarde de 20 de novembro, no entanto, o campeonato ganhava contornos mais polêmicos ainda. Em um Pacaembu lotado, Corinthians e Inter se enfrentaram pela 40ª rodada, com apenas mais duas partidas a disputar para cada equipe. Os paulistas lideravam a competição, com três pontos de vantagem para os gaúchos, na vice-liderança. Tevez abriu o placar para o Corinthians no primeiro tempo, e Rafael Sobis empatou para o Inter no segundo. Até que, aos 28 da etapa final, veio o lance polêmico. Tinga recebeu dentro da área e foi derrubado pelo goleiro Fábio Costa. Pênalti, comemoraram os colorados. Mas o árbitro Márcio Rezende de Freitas não só não assinalou a penalidade, como ainda deu o segundo amarelo ao volante e o expulsou, por simulação. Série revive polêmica O lance é abordado no documentário "Máfia do Apito" , lançado em setembro no sportv e Globoplay. A obra fez o controverso Brasileirão de 2005 voltar à tona e motivou um movimento no clube gaúcho de buscar ser reconhecido também como campeão Brasileiro de 2005. Tinga, todavia, tem uma posição curiosa sobre o assunto. Veja mais: + Inter contrata perito para avaliar jogos e prepara dossiê + Inter trabalha para dividir título com o Corinthians título de 2005 + Conselheiro pede que Inter lute por reconhecimento do título + Ex-árbitro admite que manipulou o Brasileirão de 2005 Tinga fala sobre o sentimento ao pensar na perda do título em 2005 Vinte anos depois, a série traz depoimentos de vários personagens centrais daquele Brasileirão. Tinga optou por ficar de fora . Sequer assistiu. Até pela mágoa com a postura de Edilson Pereira de Carvalho, o árbitro que aceitou se corromper para manipular os resultados. – Na hora que mais precisamos, ele não falou. Quando lutamos, ele sumiu. Está tudo certo. Ele é o personagem principal. O que falo, vi e escutei. Somos a série no dia a dia – justifica o ídolo colorado. Sportv exibe o documentário A Máfia do Apito O pleito do Inter O fato de o assunto ser discutido tanto tempo depois não chega a surpreender Tinga. Ele brinca que, "se tivesse feito 10 gols naquele 20 de novembro, não seria tão notícia quanto o vermelho", a cor do cartão que recebeu após o lance polêmico. O ex-volante não esconde que ficou uma mágoa por todos os episódios, ainda que velada. Na opinião dele, a conduta de Edilson prejudicou o sonho de Tinga e seus companheiros e "condenou" o campeonato. – Condenado é quando se descobre que o árbitro estava contaminado, que tinha de fazer o combinado nos jogos que apitou para receber. Depois você começa a pensar se era só isso, se era só ele – questiona. 1 de 3
Tinga observa pedido do Inter de reconhecimento do título de 2005 — Foto: Tomás Hammes Tinga observa pedido do Inter de reconhecimento do título de 2005 — Foto: Tomás Hammes À distância, Tinga observa a empreitada colorada, de buscar ser reconhecido como campeão brasileiro de 2005, junto com o Corinthians. Entende como uma luta justa da instituição. Entretanto, o jogador, ou ex, no caso, tem uma visão um pouco diferente. – A maioria dos jogadores como eu gostaria de ganhar na hora, levantar a taça, o bichinho ter entrado no bolso, comprado mais um apartamento para a família. Não queremos ser campeões desta forma. Queremos ganhar. O clube, pela grandeza que tem, faz sentido brigar na questão jurídica – opina. Eu perdi um bichinho, né? Podia ter mais um terreninho, alguma coisinha com o que ganharíamos. Quem é do esporte quer ganhar no campo. As conquistas que tive vieram com trabalho. Nunca gostei de algo sem entrega" — Tinga, ex-volante do Inter Mas se esse reconhecimento vier, o espírito profissional dará espaço ao coração do torcedor. Tinga conta que costuma ouvir brincadeiras de torcedores dos outros times, principalmente os corintianos. Se vier a taça, promete devolver. De preferência, acompanhada de uma premiação. – Se a parte jurídica brigar e ganhar, vou tirar onda também como tiram comigo. Só não podemos dar mais títulos a eles. É legítimo e cada colorado deve fazer o que pode. Os jogadores tiveram oportunidade em campo. Legal será se a CBF vier com prêmio. Tinha um bom à época. Fantasias de Tinga e Márcio Rezende Mas apesar de toda a revolta que o lance gerou na hora, também já foi motivo de brincadeira para Tinga. Com Márcio Rezende como personagem principal. Há dois anos, convidado para uma festa de Halloween, colocou a criatividade em cena. Em 2005, Tinga reclama de pênalti de Fábio Costa no jogo Corinthians X Internacional Tinga não é fã de fantasias. Porém, teve a ideia de fantasiar a esposa Milene de Márcio Rezende de Freitas . Ele se "fantasiou" dele mesmo. Colocou o uniforme do Inter e incorporou o "Nego Tinga", como a torcida carinhosamente entoava seu cântico na arquibancada. – Liguei ao Inter e disse que precisava de uma camisa do Inter, número 7, calção, meia, que iria jogar. Falei que iria para a noite fardado e o Buiu e Seu Gentil começaram a rir. Falei com um amigo e disse que precisava um fardamento de árbitro para a nega veia – se diverte. Cheguei à festa e o cara que ajeitava os carros disse que estava igual ao Tinga, até o cabelo. — Tinga 2 de 3
Tinga e esposa relembram Corinthians 1 x 1 Inter de 2005 — Foto: Reprodução Tinga e esposa relembram Corinthians 1 x 1 Inter de 2005 — Foto: Reprodução A festa teve, inclusive, premiação para a melhor fantasia. Tinga pensou que, desta vez, não teria como perder. Ledo engano. Até hoje o episódio rende gargalhadas. – Não é que nos assaltaram de novo! Fiquei em segundo! Brinquei que devia ser o Márcio Rezende ou Zveiter no comando. Até hoje na rede social todo mundo fala desta resenha. Foi bem bacana. No outro ano, recebi fotos no Halloween e Carnaval de Tinga e a mulher de árbitra. Virou fantasia de verdade. Encontro com Márcio Rezende A brincadeira da fantasia mostra que Tinga não guardou rancor, apesar da decepção em 2005. Sete anos depois, inclusive, esteve cara a cara com o já ex-árbitro. À época, Márcio Rezende de Freitas trabalhava como comentarista de arbitragem na Globo Minas. O volante também morava em Belo Horizonte porque defendia o Cruzeiro. A dupla morava no mesmo bairro e tinha por hábito almoçar no restaurante Couve & Flor. Tinga conta história de quando encontrou o Marcio Rezende de Freitas Os horários que frequentavam o estabelecimento, no entanto, eram diferentes e impediam um possível reencontro. Só que Tinga teve a ideia de pregar uma peça no antigo carrasco. Como ouvia corriqueiramente piadas dos garçons, tratou de retribuir. – Brinquei com eles e disse para avisar que pegaria o Márcio. Falei sem dar risada. Um dia nos encontramos no aeroporto. Ele me viu e arregalou os olhos. Fui na direção dele e fechei a cara. Quando cheguei, comecei a rir, apertei a mão e o abracei – conta. Ele falou que tinham dito que eu queria pegá-lo, mas era só para abraçar e agradecer. Graças ao teu erro, sou campeão da Libertadores, meu time foi campeão do mundo. A injustiça só nos fortaleceu. Disse muito obrigado e rimos. — Tinga, ídolo do Inter Quem foi pior? Edilson ou Márcio? A postura no encontro referenda o pensamento de Tinga. O documentário conta com as participações de Márcio Rezende de Freitas e Edilson Pereira de Carvalho. O árbitro de Corinthians x Inter fala sobre o lance polêmico e admite que estava mal posicionado. Acreditava que Tinga tinha se atirado. Ao ver a imprensa após a partida no Pacaembu e rever o episódio, percebeu o tamanho do erro. Edilson critica a decisão de Márcio, que "errou três vezes em um lance só: não deu o pênalti, não expulsou o Fábio Costa e ainda expulsou o Tinga". Ainda assim, o ex-jogador do Inter vê a atitude do pivô da "Máfia do Apito" como mais grave. – Ele (Edilson) errou muito mais que o Márcio. O Márcio errou como eu errei vários passes, gols. O Edilson, não. Errou ao ganhar dinheiro. Não tem como comparar com alguém que está apitando. Foi de caráter – reforça. O Márcio errou tecnicamente. O Edilson foi muito pior, mas não estou aqui para condená-lo. Passou os perrengues dele. A vida já o assombrou. Já disse que não queria estar vivo. Espero que tenha melhorado e aprendido. — Tinga, bicampeão da Libertadores pelo Inter Que fique claro: a decisão de Márcio Rezende não faz parte da "Máfia do Apito", tampouco está no pleito do Inter. Os gaúchos endossam o discurso de Tinga e veem como um erro técnico. 2020 mais grave que 2005 Se Tinga lamenta a postura de Edilson e absolve Márcio Rezende, o mesmo não se pode dizer ao fim do Brasileirão de 2020. Na ocasião, o Inter recebeu o Corinthians na última rodada. Como o Flamengo perdeu para o São Paulo por 2 a 1, bastava uma vitória simples que os gaúchos levariam a taça. Há o emblemático gol de Edenilson nos acréscimos, impedido por poucos centímetros, que confirmou o empate em 0 a 0 e o título dos cariocas. "Aceito muito mais o erro de um juiz sozinho do que erro com cinco no VAR", diz Tinga A partida, entretanto, apresentou outros episódios polêmicos. Houve o reclamado pênalti de Ramiro ao cortar com a mão na área o cruzamento de Moisés. Wilton Pereira Sampaio marcou no campo, mas anulou após revisão no VAR. No fim da partida, Abel Hernández dividiu com Cássio e a bola sobrou para Lucas Ribeiro, que mandou ao fundo das redes. O árbitro assinalou falta no goleiro do Corinthians, outro lance também que gerou reclamações por parte do Inter. Tinga estava em Florianópolis. Acompanhou a partida em um hotel porque tinha viajado para conceder uma palestra. As decisões da arbitragem causam desconforto até hoje. – O Brasileirão de 2020, o pênalti do Ramiro, que depois o árbitro mandou voltar atrás, acho gravíssimo. Mas sempre lembram de 2005 porque teve a questão dos 11 jogos (anulados) e teve aquela repercussão na minha expulsão – completa Tinga. Aceito muito mais o erro do árbitro sozinho do que cinco pessoas no ar-condicionado, que podem olhar lá e cá. Cada um com uma tela de 40 polegadas. Ainda deram uma falta não sei como do Abel Hernández. Não tem como aceitar. — Tinga, ex-volante do Inter Como o Inter, o volante espera por uma decisão ao pleito colorado, se é que ela virá. Enquanto isso, torce para o time do coração conquistar os três pontos diante do Ceará para amenizar o risco de rebaixamento. O triste 20 de novembro pode ficar marcado como o início da reação. 3 de 3
Tinga não viu o documentário "Máfia do Apito" — Foto: Tomás Hammes Tinga não viu o documentário "Máfia do Apito" — Foto: Tomás Hammes 🎧 Ouça o podcast ge Inter 🎧 + Assista: tudo sobre o Inter no ge e na TV 50 vídeos