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Opinião Futebol Governança sistêmica: o próximo salto de competitividade do futebol Heloisa Rios Colaboração para o UOL 06/07/2026 10h02 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Sede da CBF, no Rio de Janeiro Imagem: Lucas Figueiredo//CBF São muitos os aspectos a serem trabalhados para "recomeçarmos" o futebol brasileiro. Termos uma estratégia nacional será o início de tudo e, certamente, abordarmos a governança de forma sistêmica será um dos pilares desta estratégia. Durante muito tempo, falar em governança no futebol significava discutir apenas a gestão dos clubes. Conselhos de administração, transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade financeira, sustentabilidade passaram a ocupar espaço importante, especialmente após a criação das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs). Trata-se de um avanço inegável. Mas talvez estejamos olhando apenas para uma parte do problema. Milly Lacombe Vini, Raphinha, Casemiro: a geração sem personalidade Mauro Cezar Vini bate pênalti mal e não deveria ter cobrado Alicia Klein A Copa do Mundo de Neymar foi um sucesso Alexandre Borges Os riscos de promover provocadores políticos O futebol deixou há muito tempo de ser apenas um esporte. Tornou-se uma das maiores indústrias globais de entretenimento, movimentando bilhões de dólares por meio de direitos de transmissão, patrocínios, apostas, turismo, licenciamentos, tecnologia e consumo digital. Como toda grande indústria, seu desempenho depende da qualidade da governança de todo o ecossistema — e não apenas de um dos seus agentes. É justamente nesse ponto que gostaria de promover um conceito ainda pouco debatido no Brasil: a governança sistêmica do futebol. A experiência de setores altamente regulados, como aviação civil, mercado financeiro, energia ou mineração, demonstra que não existe sustentabilidade quando apenas algumas organizações são bem administradas. O desempenho coletivo depende da coordenação entre todos os atores do sistema. Assista aos jogos da Copa ao vivo no SBT pelo UOL Play. Assine agora a partir de R$ 14,90/mês No futebol não deveria ser diferente. Essa visão parte de quatro grandes dimensões interdependentes. A primeira é a governança das instituições. Fifa, confederações continentais, CBF, federações estaduais e, futuramente, as ligas nacionais são responsáveis pelas regras do jogo. São elas que estabelecem mecanismos de integridade, fiscalização, transparência, estabilidade regulatória e visão estratégica para toda a indústria. Quando essas instituições funcionam bem, reduzem riscos, aumentam a previsibilidade e fortalecem a confiança de investidores, patrocinadores e torcedores. Continua após a publicidade A segunda dimensão é a governança do produto: as competições. Campeonatos são ativos econômicos. Seu valor depende da qualidade da organização, da previsibilidade do calendário, do equilíbrio competitivo, da experiência oferecida ao torcedor e da capacidade de gerar audiência global. Premier League, LaLiga e Bundesliga compreenderam isso há décadas. Elas administram campeonatos como produtos estratégicos e não apenas como torneios esportivos. A terceira dimensão envolve os produtores dessa indústria: os clubes. É aqui que a governança corporativa ganha protagonismo. Conselhos independentes, gestão profissional, planejamento de longo prazo, controle financeiro, compliance, gestão de riscos, gestão de talentos e comunicação tornam-se fundamentais. Mas há um aspecto frequentemente negligenciado: o principal ativo do futebol é o atleta. Colocar o jogador no centro das decisões significa cuidar não apenas de sua performance esportiva, mas também de sua formação integral que envolve muitos aspectos como educacional, saúde física e mental, desenvolvimento humano e construção de carreira. A quarta dimensão talvez seja a menos explorada: a governança dos consumidores. O torcedor não é apenas espectador; é cliente, investidor emocional e principal financiador da indústria. Experiência nos estádios, segurança, combate à violência, sanções e punições adequadas, transparência nas decisões, canais de participação e relacionamento digital deixaram de ser diferenciais e passaram a representar fatores de competitividade. Quando esses quatro pilares operam de forma integrada, cria-se um ambiente institucional capaz de gerar confiança, atrair investimentos, reduzir conflitos e aumentar a geração de valor para todos os envolvidos. O Brasil vive um momento decisivo. A implantação das SAFs, a construção do Fair Play Financeiro, o fortalecimento das práticas de governança corporativa e a possível criação de uma liga nacional representam oportunidades históricas. Mas nenhuma dessas iniciativas alcançará seu potencial máximo se permanecer isolada. O verdadeiro desafio não é apenas melhorar a gestão dos clubes. Continua após a publicidade É construir uma governança capaz de conectar instituições, competições, clubes e torcedores em um mesmo projeto estratégico para o futebol brasileiro. O próximo campeonato que precisamos vencer talvez não aconteça dentro das quatro linhas. Heloisa Rios é especialista em estratégia e governança corporativa, com 35 anos de experiência em cargos executivos em empresas multinacionais e projetos realizados em mais de 40 países. Formada pela UFMG e com MBAs pela FDC e ESPM, além de cursos em Wharton e Cambridge, Heloisa é co-autora do livro "Muito Além da Bola", CEO da Universidade do Futebol e sócia-fundadora da Inconnection Consultoria. Ela também preside os conselhos do Comitê Paralímpico Brasileiro, Tietê Futebol Clube e WWF. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Meia inglês vai passar por cirurgia e deve perder resto da Copa, diz NYT Jornais detonam seleção no dia após eliminação: 'Brasil é um mito distante' Vini Jr. deveria ter batido pênalti contra a Noruega? 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