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Nívea Campos concilia carreira de advogada com fisiculturismo e vai ao 2º Mr. Olympia Quando começou a subir nos palcos de fisiculturismo, alguns anos atrás, Nívea Campos tinha que lidar com certa desconfiança no meio jurídico quando contava que também era atleta e competia na categoria Bikini. Só que a advogada não deixou a opinião alheia forçá-la a ter que escolher entre as carreiras. Atualmente, ela já vê o preconceito de colegas como página virada e se prepara para representar o Brasil no Mr. Olympia, a "Copa do Mundo" da modalidade, pela segunda vez consecutiva. Brasil vai com 58 atletas classificados ao Mr. Olympia 2026; veja lista 🔍 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google A pernambucana de 34 anos integra a delegação de mais de 50 brasileiros que se apresentará neste final semana em Las Vegas , nos EUA. Prestes a completar uma década de experiência como atleta, Nivea chegou ao topo do fisiculturismo mundial conciliando treinos, dieta e preparação com sua atuação na área da advocacia —e sendo bem-sucedida em ambas as profissões. — Do lado do direito, antigamente os olhares eram mais voltados para espanto, sabe? "Nossa, você é fisiculturista?". Primeiro que muita gente não sabia o que era fisiculturismo e confundia com halterofilismo. E também existiam olhares meio que de preconceito, porque se eu era uma advogada que tinha que ter aquela postura muito séria, eu não podia ser atleta e expor o meu corpo, o meu físico — contou Nívea em entrevista exclusiva ao ge . 1 de 4 Nívea Campos estreou no Mr. Olympia em 2025 e ficou fora das 15 melhores colocadas — Foto: Reprodução/Redes sociais Nívea Campos estreou no Mr. Olympia em 2025 e ficou fora das 15 melhores colocadas — Foto: Reprodução/Redes sociais — E aí aquilo no início me tocava, mas eu falei: "Não vou deixar que essas coisas interfiram, vou mostrar o lado profissional das duas carreiras". Mostrar que eu vivo o esporte e consigo separar no sentido de que aqui eu mostro meu físico, mas eu não deixo que isso interfira na questão de saber me portar e conviver dentro da advocacia, que é algo realmente muito mais sério. Eu sempre consegui separar isso e fui mostrando para as pessoas que estavam no meu convívio, no escritório onde eu trabalhava— acrescentou a advogada. Nívea disputou seu primeiro campeonato em 2017, quando ainda cursava Direito, e só ficou afastada do esporte na reta final da graduação para focar no exame da OAB. Ela retornou aos palcos assim que foi aprovada, virou fisiculturista profissional e, desde então, vem provando na prática que consegue aliar os dois universos, completamente distintos, sem deixar um interferir no outro. Com isso, advogada afirmou que reverteu as descrenças que enfrentou no âmbito jurídico. — Com o decorrer do tempo, as pessoas começaram a admirar, viam que realmente uma coisa não atrapalhava a outra. Já no lado do esporte, o primeiro olhar das pessoas é de admiração e de identificação, não existe preconceito . "Você é atleta e também é advogada? Nossa, que incrível, porque eu sou profissional de tal área". E o olhar que eu recebia antes na advocacia, de preconceito, hoje já existe muito pouco, quase nada — contou Nívea. 2 de 4 Além de atleta profissional de fisiculturismo, Nívea Campos também é advogada — Foto: Reprodução/Redes sociais Além de atleta profissional de fisiculturismo, Nívea Campos também é advogada — Foto: Reprodução/Redes sociais Durante a trajetória, ela ainda encarou outro preconceito no percurso, um amplamente comum às mulheres e que não se restringe a uma área específica de atuação: o machismo. Mas este também não afetou a decisão da advogada, que hoje é sócia de um escritório próprio e vice-presidente da Comissão de Direito Desportivo na OAB de Pernambuco enquanto compete na elite do fisiculturismo. — O preconceito era mais velado, às vezes indiretinhas. Eu cheguei a ouvir dentro de um escritório: "Fulano disse que jamais a esposa dele seria atleta para expor tanto o corpo assim". No fisiculturismo estamos expondo o físico, mas estamos ali para sermos julgados por uma mesa de arbitragem e existe mais respeito do que fora. Às vezes você sofre algum desrespeito, principalmente a mulher está mais sujeita a isso, mas dentro do esporte as pessoas te respeitam muito mais — relatou. Ser exemplo em mundos diferentes Nívea é uma das três representantes do país na disputa da Bikini no Mr. Olympia 2026. A divisão é dominada por norte-americanas, mas já teve três campeãs do Brasil: Nathalia Melo (2012), Angelica Teixeira (2017 e 2018) e Elisa Pecini (2019). Nívea foi a única brasileira que disputou a última edição do torneio, já que Isa não competiu por razões pessoais , mas as duas marcarão presença nesta edição e ainda ganharam a companhia de outra compatriota, Bruna Toigo. Após ter estreado na Copa do fisiculturismo em 2025, a advogada retorna neste ano com o objetivo de melhorar sua colocação e terminar dentro do top 15. Ela se classificou para a disputa pela posição alcançada no ranking mundial após ter disputado dez torneios. Quatro deles foram durante um tour de cerca de 40 dias pelos EUA, no qual competiu contra favoritas da divisão e conquistou dois top 3 . Tudo isso conciliando a preparação para os campeonatos com o expediente no escritório, fosse presencial ou remotamente. 3 de 4 Nívea Campos se classificou via ranking mundial para disputar seu segundo Mr. Olympia consecutivo na categoria Bikini — Foto: Reprodução/Redes sociais Nívea Campos se classificou via ranking mundial para disputar seu segundo Mr. Olympia consecutivo na categoria Bikini — Foto: Reprodução/Redes sociais — Muita gente pergunta, nossa, como é que é conciliar tudo isso? Meio que um integra o outro na questão de ser disciplinada, resiliente e muito profissional em ambas as profissões. Porque a seriedade que eu levo em um, eu levo em outro. Se quero viver dois mundos diferentes, eu quero provar para mim mesma que eu consigo, que eu não preciso ser somente uma profissional acadêmica, corporativa, mas que eu também posso ser uma atleta profissional de alta performance — ressaltou. Nos últimos meses, a atleta treinou na academia seis vezes por semana e fez, religiosamente, uma sessão de cardio (exercícios aeróbicos) todos os dias. Ela sonha em surpreender neste Olympia e pretende manter tal ritmo enquanto um trabalho continuar sem afetar o outro. Até lá, Nívea quer continuar sendo um exemplo para outras mulheres de que é possível, sim, manter uma carreira como atleta junto de outra atuação profissional. — Também quero estender para outras mulheres que elas podem ocupar vários espaços diferentes. Não só viver numa caixinha e ter somente um tipo de profissão porque muita gente às vezes julga, acha que não pode, que é errado. Eu acho que você tem que ser não só feliz com o que faz, mas se você quer muito viver aquilo, que você se entregue para que tenha resultados positivos com isso. Então, eu vivo isso e procuro passar isso, sabe? — ponderou. Enquanto isso, Nívea celebra nunca ter precisado fazer uma escolha entre as profissões. Até porque, segundo ela mesmo admite, não sabe qual carreira privilegiaria. 4 de 4 Nívea Campos se classificou ao Mr. Olympia 2026 pela classificação no ranking internacional da categoria Bikini — Foto: Reprodução/Redes sociais Nívea Campos se classificou ao Mr. Olympia 2026 pela classificação no ranking internacional da categoria Bikini — Foto: Reprodução/Redes sociais — Quando eu virei [fisiculturista] profissional, eram muitas perguntas. A ficha ainda não tinha caído e achei que tivesse que escolher. "Eu me formei em Direito porque sou apaixonada pela profissão, eu quero advogar, mas eu também quero muito ser atleta". E aí, por um bom tempo, eu ficava me perguntando, até que falei: "Quer saber? Não vou ficar mais me perguntando porque não estou tendo resposta, eu vou viver’. E ao longo desse processo, se eu tiver que escolher, vai ser ali no momento, porque hoje eu não consigo decidir qual das duas, então eu vou tentar levar até onde eu puder. Não sei se foi sorte, mas até hoje eu tenho conseguido. Porque se esse momento chegar de um dia ter que escolher, hoje eu não sei responder — concluiu.