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Futebol Figuras da Democracia Corinthiana repudiam cláusula antipolítica: 'Censura' Guilherme Padin e Fábio Lázaro Do UOL, em São Paulo 30/08/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Walter Casagrande Jr comemora gol marcado com a camisa do Corinthians Imagem: Arquivo pessoal/Walter Casagrande Jr A cláusula contra manifestações políticas de atletas , citada pelo presidente do Corinthians, Osmar Stabile, ressoou mal entre duas figuras importantes da Democracia Corinthiana , coletivo de jogadores do clube e outras personalidades por mudanças internas no clube e contra a Ditadura Militar no Brasil (1964-1985). Walter Casagrande, ídolo do Corinthians e um dos líderes do movimento dos anos 1980, enxerga a cláusula como uma censura aos atletas. "É uma censura você proibir a pessoa de se manifestar. Ela precisa ter bom senso se vai se manifestar, ou não. É uma escolha pessoal. O Brasil vive uma democracia onde as pessoas precisam ter liberdade. Qualquer item que proíba qualquer trabalhador, funcionário, atleta de se posicionar é censura. Vi como forma de censura", afirma o ex-jogador e colunista do UOL . Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Juca Kfouri, colunista do UOL que participou ativamente e inclusive cunhou o nome do movimento, lamenta as falas de Stabile, mas diz não estar surpreso. "O que mais lamento é que a Democracia Corinthiana não deixou nenhum legado prático [nas instituição], nas atitudes. Deixou como história, como cultura. Dentro do Corinthians ou no futebol brasileiro, no que resultou? Não me surpreendo nem um pouco que exista essa cláusula e que ele diga isso, que [o tema] é muito sensível. Muito sensível é a democracia", afirmou Kfouri. O jornalista vê demagogia quando, na atualidade, o clube alvinegro se posiciona sobre pautas sociais e políticas. "Quanta demagogia tem disso no Corinthians. 'Respeita as minas', mas contrataram o Cuca, mas acabou não resistindo [à pressão da torcida]. Está com Fatal Fans no calção dos atletas. A democracia virou só marketagem, a ponto de proibirem a faixa do Coletivo Democracia Corinthiana. Não quiseram deixar abrir a faixa", relembra. Para Casagrande, o fato de o movimento nos anos 1980 ter um impacto relevante para a história do Corinthians não significa necessariamente que os jogadores da atualidade devam se posicionar politicamente. "Não é uma obrigação das gerações que vieram depois manterem para lembrar e respeitar o histórico do Corinthians de manifestações políticas. Tudo que é obrigado ou proibido sai fora da democracia. A democracia não te obriga ou proíbe de nada. Você precisa decidir como vai se manifestar, o que quer fazer, qual sua ideologia, filosofia e modo de viver, mas tudo dentro da lei", pondera Casão, que, inclusive, diz não ter expectativa com os jogadores da atualidade neste sentido: Continua após a publicidade "Não espero nada dos jogadores se manifestarem politicamente. O que eu mais cobro é contra racismo, homofobia, violência contra mulher. Esse tipo de crime, que faz parte da sociedade e que, hoje em dia, acontece em uma dimensão enorme, o jogador de futebol, por ter a possibilidade de maior visibilidade e voz com maior profundidade, deveria se manifestar coletivamente. Acho que os jogadores deveriam se manifestar em causas sociais. Causas políticas é individual e se manifesta quem quiser." Falas de Stabile Osmar Stabile, presidente do Corinthians Imagem: Ettore Chiereguini/AGIF Em entrevista à ESPN, o presidente Osmar Stabile, do Corinthians, afirmou que o contrato de Memphis Depay tem uma cláusula que proíbe o envolvimento do atacante com questões políticas. A cláusula, segundo o presidente, faz parte do contrato de jogadores pelo momento conturbado no Alvinegro Paulista. "Sim, existe essa cláusula. Ela está bem clara no contrato dele e dos demais jogadores. Quando entramos aqui, existe um envolvimento muito grande dos jogadores na parte política, isso atrapalha, o futebol é muito sensível, não dá para envolver essa parte política, tento manter essa distância dos jogadores com esse assunto. Todo atleta é contratado para jogar futebol. Colocamos isso em cláusula devido ao momento que o Corinthians estava passando", disse Stabile. E o vídeo de Memphis? O clipe de Memphis Depay, que resultou na entrevista de Stabile, também foi criticado por Juca Kfouri e Walter Casagrande. Continua após a publicidade "Ele diz que fez quatro meses atrás. Ou seja, num momento em que, na avaliação dele, ele achava que não renovaria. Um lançamento que ele faria já fora do Corinthians. Acabou renovando, então soltou. 'O que vão fazer comigo?', deve ter pensado. Ele está sentindo que pode fazer qualquer coisa, e o clube multou. Por que não recorreu à cláusula e rompeu o contrato?", questiona o jornalista, que comenta que observar o vídeo como arte é forçar uma interpretação. Casagrande tampouco viu a obra como artística, mas um ataque ao Corinthians, sobretudo devido ao momento conturbado entre a instituição e o atleta: "Não achei artístico porque foi logo após a negativa do Corinthians em renovar o contrato. Quando o Corinthians falou que não renovaria o contrato, ele falou um monte, iria colocar o Corinthians na Fifa, pedir transfer ban, pedir a dívida a vista e fez esse clipe manifestando o que pensava naquele momento, que é colocar fogo no Parque São Jorge. Era o que ele pensava naquele momento, não literalmente, mas ele agiria contra o Corinthians. Não achei legal, artístico, achei um ataque à instituição." Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Empresário é condenado por agredir ex-Miss Rio Branco; defesa vai recorrer Carol Peixinho e Thiaguinho celebram um ano do filho: 'Tudo para mim' Lula e Janja vão a SC pela 1ª vez na campanha e buscam voto feminino Flávia Saraiva é ouro nas barras assimétricas em etapa da Copa do Mundo Ídolo na Ítalia, Sandro Mazzola morre aos 83 anos