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Só para assinantes Assine UOL Opinião O Enigma Trajano e Ancelotti Juca Kfouri Colunista do UOL 14/07/2026 07h59 Deixe seu comentário Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× POR MOACIR VALLE JR.* José Trajano lançou a pergunta: qual é o momento certo para demitir um técnico? Analistas defendem um tempo razoável, que permita a evolução paulatina de um trabalho. Às vezes, porém, a manutenção do técnico apresenta alto risco. Mauro Cezar A missão 'quase impossível' da Espanha na Copa João Paulo Charleaux Argentina já estatizou transmissão da Copa Carlos Affonso Por que aceitamos que máquinas decidam por nós Felipe Salto As emendas parlamentares e o controle fiscal Geralmente, um técnico é demitido quando os resultados do time são regularmente ruins, o desempenho está aquém do potencial do elenco e houve perda irreversível do grupo. Avalia-se também o 'tamanho' do técnico (se tem 'casca' para superar a crise), se houve tempo para consolidar o trabalho e se há sinais de melhoria. Quanto a Ancelotti, em geral, os analistas apontaram um trabalho muito fraco, com erros táticos inconcebíveis e com a opção pelo jogo reativo, oposto à nossa cultura e ao perfil do jogador brasileiro. Contudo, em geral, a avaliação foi concluída com um protocolar " deve prosseguir para um ciclo inteiro ", baseada apenas na crença no tempo de trabalho. Crença sem sustentação é religião, não análise. Não vi quem analisasse dois aspectos fundamentais: a confiança e o risco da manutenção. 1 - Confiança de que o técnico será capaz de mudar radicalmente e de que não cometerá erro tático grosseiro e fatal novamente num 'mata' de Copa. Na história recente de Carleto, não há sinal de que possa fazer a seleção jogar de outra forma. Há anos é criticado em Madrid por tornar reativo um elenco estrelado. Agora ele reclama da falta de meiocampistas, mas o Real foi reativo até com Kross, Modric e Bellinghan, quando foi amassado por City e Bayern e jogou sem a bola até contra Leipzig e Borussia. Como confiar que um técnico em fim de carreira, que há mais de 10 anos só monta times reativos, vá revolucionar e montar um Brasil com cara de Brasil? É como imaginar que o Neymar decidiria a Copa! 2 - Risco - não vi ninguém avaliar o risco da permanência. Num clube, esse risco é mitigado por num campeonato de 38 rodadas. Na seleção, o risco é investir quatro anos no escuro, pois não é possível avaliar evolução em amistosos e Copa América. Por aqui, dominamos tudo nos dois ciclos do Tite, mas perdemos para seleções medianas europeias nas copas. Manter Ancelotti na seleção é arriscar quatro anos no escuro, sem qualquer sinal de que vá melhorar. Ele pode montar um time reativo melhor do que este? Sim, mas o risco é alto. E é isso o que queremos, um time reativo um pouco mais eficaz? Esse futebol vai resgatar nossa identidade? Vai nos representar? Tem a ver com nossa cultura? Ou cultura não importa? O risco da manutenção de Ancelotti é claramente maior que o da troca. Continua após a publicidade " Mas vai pôr quem?" . Qualquer um com estilo de jogo condizente com nossa cultura - isso talvez seja mais importante que a tática. Além de estrangeiros com tal perfil, temos Filipe, Ceni e até Renato. Qualquer um deles representaria melhor nosso país. Trajano, o momento certo de demitir um técnico é quando o risco da manutenção supera a confiança na evolução de seu trabalho. Que tal? * Moacir Valle Jr. é escritor e autor de Um lugar chamado Pambenil e O céu e o brilho das estrelas. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Juca Kfouri por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora 'Sal ou cena?': Como CV ameaçou líderes do PCC presos e dominou crime no CE Não faz nem Pix: como funciona a nova aposta para combater roubo de celular Flávio atropela aliados no RJ e amplia crise após veto de Moraes e tarifaço Irã e Índia têm tensão diplomática por morte de marinheiro em Hormuz Americano que estudou testes nucleares na Coreia do Norte é preso na China