Conteúdo Original
Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Comissão de Abel precisaria estudar história do Brasil antes de falar Milly Lacombe Colunista do UOL 14/09/2026 09h16 Deixe seu comentário João Martins, auxiliar técnico do Palmeiras, no clássico contra o Santos no Allianz Imagem: Ettore Chiereguini/Ettore Chiereguini/AGIF Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Depois da vitória sobre o São Paulo, o substituto de Abel Ferreira à beira do gramado, o auxiliar João Martins, disse que o futebol é a cara da sociedade do país que ele representa. "O futebol da Noruega é a cara da Noruega. O de Portugal é a cara de Portugal. E o Brasil, do Brasil. Se olharmos para as notícias, está tudo dito". O contexto era a tentativa de criticar a suspensão de seu chefe. Mirou na crítica, acertou na exposição da própria ignorância. Vamos começar do começo. Abel Ferreira está suspenso por mau comportamento. Não é a primeira, nem a segunda, nem a terceira, nem a décima vez. O comportamento descontrolado do treinador é padrão. Age histericamente, chuta microfone, agarra os próprios bagos com expressão de fúria, parte para cima de quem quer que seja quando contrariado. O auxiliar João Martins não parece achar que esse tipo de atitude contenha erro. O erro, ele disse indiretamente na coletiva, é o Brasil, esse país miserável. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo O Brasil de fato é uma sociedade bastante complexa. É, também, a cultura mais brilhante do mundo. O Brasil institucional tem problemas estruturais; o Brasil das frestas é sobrevivente, é resistente, é alegre e vibrante. O futebol que emprega Abel e João nasceu dessa cultura. João Martins não conhece o país onde mora e fala como alguém que se sente superior. Abordemos, então, os problemas do Brasil das instituições, esse criado em 1500 por colonizadores. Quem nos colonizou foi Portugal, uma informação que talvez choque Martins. O Brasil, antes de ser uma nação, foi um experimento econômico de Portugal. Um latifúndio escravagista primário exportador, como ensinou Celso Furtado. A potência dessa Europa que Martins celebra foi construída sobre saques das riquezas do nosso continente. Saques, genocídios, exploração, devastação. Martins consegue apontar o dedo, mas não olhar para o espelho. Abel e sua comissão precisam se implicar nos erros que cometem. E precisam também estudar a história do país que os acolheu. Todos os problemas que temos aqui foram criados originalmente pela colonização realizada pela terra onde Martins e Abel nasceram. A riqueza de Portugal foi erguida sobre as costas das populações sequestradas em África e trazidas para cá para serem escravizadas. Essa parte da saga Martins ou não conhece ou escolheu ignorar. As duas opções são igualmente toscas. Não há problema nenhum em portugueses virem treinar clubes brasileiros. O problema é chegar sem saber onde estão chegando. E, depois, se recusarem a estudar. Um pouco de esforço teria evitado declaração tão miseravelmente pequena, vulgar, injusta e ignorante. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Lula e Janja vão a SC pela 1ª vez na campanha e buscam voto feminino Flávia Saraiva é ouro nas barras assimétricas em etapa da Copa do Mundo Eleição já sofre cerco dos EUA. Resta saber alcance da mão peluda de Trump Ídolo na Ítalia, Sandro Mazzola morre aos 83 anos Carol Peixinho e Thiaguinho celebram um ano do filho: 'Tudo para mim'