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Futebol Propostas trazem dilema ao Flamengo: dinheiro ou coisas que não têm preço? Alexandre Araújo e Igor Siqueira Do UOL, no Rio de Janeiro 28/07/2026 05h30 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Siga o UOL Esporte no Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Quanto custa um zagueiro de Copa do Mundo, canhoto e confiável para os padrões do futebol brasileiro? É diante dessa pergunta que o Flamengo está, após receber a proposta de 10 milhões de euros (R$ 58 milhões) por Léo Pereira. O dilema Léo Pereira O caso de Léo Pereira reforça que o Flamengo, por vezes, passa por um dilema entre benefício esportivo, equilíbrio financeiro e coisas que não têm preço no mercado da bola. A resposta não foi dada formalmente ao Besiktas, mas a tendência é negativa. Mais do que isso: essa avaliação não envolve apenas dados numéricos, como participação em gols e número de jogos. Há fatores intangíveis. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Vale a pena perder um defensor titular, consolidado, por R$ 58 milhões? Dá para comprar outro tão bom quanto com esse dinheiro? Mais do que isso: esse substituto existe? Está no mercado? A lógica é parecida ao que já aconteceu com o lateral-direito Emerson Royal. O Flamengo recusou 9 milhões de euros (R$ 53 milhões) oferecidos pelo Aston Villa. A conta do retorno financeiro Para começo de conversa, o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, já disse que o clube "não está com o pires na mão". Longe disso. E é por isso que não precisa aceitar qualquer proposta que apareça. Olhando para a situação de Léo Pereira, colocando na ponta do lápis, o Flamengo até teria um ganho financeiro, comparando o valor que pagou ao Athletico para trazer o defensor em 2020. Segundo o balanço do clube, a transação envolveu R$ 34,2 milhões — sendo R$ 30,4 milhões pelos direitos econômicos e luvas, além de R$ 3,8 milhões como custo de intermediação. Continua após a publicidade Em valores corrigidos pela inflação, a quantia presente seria de R$ 47,7 milhões. Com isso, no número frio, o Flamengo então teria uma "lucro" de aproximadamente R$ 10 milhões se aceitasse a proposta do Besiktas. Léo Pereira, do Flamengo, em ação contra o Remo, pelo Campeonato Brasileiro Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF Mas o "valor" não é preço. Léo Pereira é uma das referências do elenco, um zagueiro "raro", por ser canhoto, ter boa saída de bola e estar plenamente adaptado ao Fla. Virou um dos principais zagueiros brasileiros, a ponto de ser convocado por Carlo Ancelotti para a seleção. O Flamengo, no meio disso tudo, tem na memória a dificuldade e quanto pagou por Vitão no movimento para reforçar o contingente de zagueiros. Segundo o balancete do clube, a operação para trazer o defensor do Internacional custou R$ 81,5 milhões, sendo R$ 77 milhões com direitos federativos e luvas, além de R$ 4,4 milhões em intermediação. Então, sabe que o mercado está inflacionado, seja por fatores externos (o quanto se paga no futebol brasileiro, a diferença cambial entre real e euro) e relativos ao próprio sucesso. Afinal, quem negocia com um clube que faturou R$ 2 bilhões em 2025 tende a achar que pode fazer uma pedida mais alta. Continua após a publicidade De todo modo, o Flamengo precisa vender jogadores. Para fazer caixa, uma saída é buscar negociações de jovens da base. Segundo o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, há uma tentativa de mudar o sentido deste fluxo. Hoje, olhando para o elenco que temos, achamos que tem um gap entre o que temos no sub-20 e profissional, o que me força a fazer algumas escolhas de Sofia. Tenho de trazer jogadores mais caros. Isso se sustenta no longo prazo? Não. Ao longo dos anos, espero ter cinco, seis, 10 jogadores da base que possam preencher esse espaço Bap, em coletiva antes de Fla x São Paulo "Esse jogo não é um jogo que todo clube brasileiro pode gastar todo ano, 60 milhões de euros, 70 milhões de euros. Tem de vender jogadores da base também. Ora, se a gente acredita que eles não podem jogar no time de cima no nível que gostaríamos, por que deveria acreditar que podem ser vendidos para gerar os 70 milhões de euros? E aí vem uma decisão", completou o dirigente. Quando a valorização é difícil De La Cruz em ação pelo Flamengo; uruguaio não conseguiu se firmar no time Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF Com pouco espaço no elenco rubro-negro, o volante De La Cruz está na mira do Peñarol. Os uruguaios buscam um empréstimo sem custos. Continua após a publicidade A diretoria carioca ainda não respondeu, mas a conjuntura é diferente. O jogador convive com problemas físicos e nunca conseguiu se firmar — a transação concluída em dezembro de 2024 envolveu, ao todo, R$ 102 milhões. De la Cruz esteve envolvido em uma polêmica há um ano. Na ocasião, o então chefe médico José Luiz Runco, em mensagem em um grupo de WhatsApp, citou uma lesão crônica no joelho e afirmou que a venda do jogador só poderia acontecer caso "algum clube que tenha interesse por outro motivo, e não para jogar futebol competitivo". O uruguaio custou um preço alto, e o Flamengo ainda não encontrou quem conseguisse movimentar grana similar. Outro investimento do clube que está perto de sair sem valorização é Everton Cebolinha. Contratado por R$ 94,4 milhões em 2022 (considerando direitos e intermediação), ele não terá o contrato renovado e já disse que vai mudar de ares após 31 de dezembro deste ano. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. 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