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Conheça o Estrela Brilhante, projeto social de futebol no Haiti "A violência impede o crescimento do futebol no Haiti." Existem várias Copas do Mundo diferentes dentro da própria competição. Enquanto o Brasil — com razão — entra com a pressão de ser campeão, o Haiti vive um sonho apenas por estar no maior palco do futebol mundial. Nesta sexta-feira, essas duas realidades vão bater de frente em jogo da 2ª rodada do Grupo G. + Haiti chegou à Copa sem ter jogado em casa nas Eliminatórias O Haiti tem um plano para tentar surpreender o Brasil O Haiti vive uma crise humanitária desde janeiro de 2010, quando teve boa parte do território devastado por um terremoto que matou cerca de 300 mil pessoas. Desde então, a capital, Porto Príncipe, é controlada por gangues. A ONU (Organização das Nações Unidas) afirma que a situação do país só não é pior que do Sudão e dos territórios Palestinos. Dados da organização apontam que a nação caribenha liderava o número de homicídios em 2024. + Jogo da paz: como o futebol aproximou Brasil e Haiti há mais de 20 anos Seleção Brasileira viaja para a Filadélfia sem Neymar para jogo contra o Haiti Calendário da Copa do Mundo 2026: veja datas e horários de todos os jogos O futebol, claro, não trará a solução para esses problemas, mas ao menos dá esperança para dias melhores ao longo prazo. Ter o país na Copa do Mundo é encarado como uma forma de tirar jovens, que são chamados pelas organizações criminosas a entrarem para gangues desde pequenos, das ruas rumo a um caminho do esporte. Um dos projetos pioneiros nessa questão é o Etoile Brillante (Estrela brilhante, em tradução livre), clube criado por Pudens Saint Louis, em 2014, quando ele tinha apenas 14 anos. Tudo começou no Parque Saint-Therese, no bairro Petion Ville, um dos locais mais afetados pelo terremoto. Até 2013, o local foi um dos mais utilizados pela população como abrigo. Mais de um milhão de pessoas ficaram sem teto por causa da destruição no país. Aos poucos, o país se reconstruiu com ações do governo na construção de moradias. Veja a tabela da Copa do Mundo Simule os resultados da Copa do Mundo "O futebol ajudou várias crianças porque era a única coisa que elas faziam. Não havia escola nem hobbies. Campos de futebol viraram o local onde elas fugiam da bandidagem." — Pudens Saint Louis, criador do projeto Etoile Brillante — Sempre quis jogar futebol, mas fui uma criança sem muita liberdade para poder ir à rua e brincar com amigos. Quando queria jogar, só era permitido ficar em casa. Para poder jogar, tive que criar meu próprio clube. Tive a ajuda de um ex-jogador que era próximo da família e me ajudou com o projeto. Ele me falou para achar os primeiros jogadores e chamei meus amigos — explicou Pudens ao ge . 1 de 6 Estrela Brilhante, projeto social no Haiti — Foto: Reprodução Estrela Brilhante, projeto social no Haiti — Foto: Reprodução Aos poucos, o convite saiu dos amigos e chegou nas crianças mais velhas do bairro. Em poucos meses, parentes e outros jovens procuraram Pudens, mesmo com 14 anos, buscando uma vaga para fazer parte do projeto. — Depois da criação, várias crianças me procuraram querendo participar do projeto e eu aceitei porque todos têm que ter a oportunidade de jogar futebol. Eu fiquei nos bastidores conversando com treinadores de outros projetos porque não queria mostrar que o meu projeto era liderado por uma criança de 14 anos — completou. A violência também afeta a seleção. O Haiti não fez nenhum jogo das Eliminatórias para a Copa no próprio país justamente pela falta de segurança. A equipe mandou todos os seus compromissos no estádio Ergilio Hato, em Curaçao. Não há sequer voos internacionais para o país. 2 de 6 Haiti vive grave crise política e de violência — Foto: Guerinault Louis/Anadolu via Getty Images Haiti vive grave crise política e de violência — Foto: Guerinault Louis/Anadolu via Getty Images 🔍 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google Doze anos depois da criação do Estrela Brilhante, o projeto conta com mais de 150 jogadores e tem 11 profissionais: sete treinadores, três preparadores de goleiros e um fisioterapeuta . Pudens junta dinheiro a partir de patrocínios pontuais e mensalidades dos alunos. Não há um valor fixo: o jovem que tiver condição de pagar ajuda o projeto financeiramente; quem não tem também é bem-vindo. Pudens também trabalha como comentarista em uma televisão local, mas faz questão de sempre deixar pelo menos um professor presente no campo porque é comum que uma criança apareça de surpresa — seja para brincar com bola ou simplesmente sair de casa porque a situação está difícil com os pais em casa. 3 de 6 Estrela Brilhante, projeto social no Haiti — Foto: Reprodução Estrela Brilhante, projeto social no Haiti — Foto: Reprodução O treinador, porém, conta nos dedos as semanas que conseguiu dar treinos completos de segunda a domingo. É difícil não ter que lidar com algum ataque ou ouvir alguma notícia negativa envolvendo violência. — A violência impede o crescimento do futebol no Haiti. Não podemos jogar em qualquer lugar, como era no passado. Futebol pode nos ajudar a perceber que é possível chegar em uma situação melhor se investirmos em infraestrutura. Mas essas oportunidades têm ser para todos, não para uma parte limitada da população. Isso pode nos unir para nos dar a consciência que nós não perdemos — disse. — Hoje existem vários projetos, mas às vezes a violência nos impede de treinar. Os pais não deixam as crianças saírem de casa quando as notícias mostram que há problemas na rua — completou. 4 de 6 Estrela Brilhante, projeto social no Haiti — Foto: Reprodução Estrela Brilhante, projeto social no Haiti — Foto: Reprodução O Estrela Brilhante promove jogos e amistosos entre os atletas. Um jogador, Eugène Jeff, se destacou em um torneio local e foi chamado para atuar no San Isidro, uma escola de futebol na República Dominicana — foi o primeiro caso de um atleta que saiu do Haiti para atuar no exterior pelo projeto. Se a Seleção entra com a pressão de lutar pelo sexto título mundial, o Haiti vai para a segunda Copa de sua história apenas com a felicidade de o destaque do país, pelo menos por alguns minutos, não ser a desgraça. 5 de 6 Estrela Brilhante, projeto social no Haiti — Foto: Reprodução Estrela Brilhante, projeto social no Haiti — Foto: Reprodução 6 de 6 Calendário da seleção brasileira na Copa — Foto: Infoesporte Calendário da seleção brasileira na Copa — Foto: Infoesporte