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Só para assinantes Assine UOL Opinião Perder a vergonha é pior que perder a Copa* Juca Kfouri Colunista do UOL 12/07/2026 09h08 Deixe seu comentário Haaland e Neymar após jogo Brasil 1 x 2 Noruega Imagem: Montagem UOL/Getty Image Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Perder Copas do Mundo não significa rigorosamente nada para a vida de um país, apesar de tanto significar. Das 211 federações nacionais de futebol associadas à Fifa, apenas oito foram campeões mundiais desde de que a Copa começou a ser disputada, em 1930, e lá se vão 23 edições. Alemanha, Argentina, Brasil, Espanha, França Inglaterra, Itália e Uruguai formam o restrito clube dos países que abrigam federações vencedoras de Copas e nem por isso os países que as abrigam são melhores, ou piores, que os 203 que jamais ganharam. PVC Messi lembra Maradona da Copa da Itália Casagrande O peso da história em Argentina x Inglaterra Juca Kfouri Hey, Jude, você salvou a pátria inglesa! Wálter Maierovitch Valdemar, candidato a criminoso habitual Pegue a Noruega de Erling Haaland e seus simpáticos remadores. Por melhor que seja a campanha feita nesta Copa é improvável que venha a ser campeã, e mui possivelmente estará eliminada pela Inglaterra quando a rara leitora e o raro leitor estiveram lendo estas mal-traçadas. Tomara que não. Porque além do Cometa Haaland, do faceiro armador Martin Odegaard e do goleiro Ørjan Nyland, a presidenta da Federação Norueguesa de Futebol, Lise Klaveness, orgulha o pequeno país de menos de 6 milhões de habitantes. Ex-jogadora da seleção, advogada e juíza, ela se tornou a primeira mulher a comandar a entidade em 120 anos de história, e é uma das raras vozes críticas ao comando corrupto e arbitrário da Fifa. Exatamente aí é que reside o ponto. Continua após a publicidade Perder a Copa é o de menos. Duro é perder a vergonha na cara, a dignidade, a personalidade, a alegria e o respeito de seu povo. Duro é constatar que ídolos de pés de barro, de chuteiras enlameadas, ainda tenham tantos seguidores. Desanimador é a CBF seguir em mãos tão inescrupulosas, sejam as que servem como fantoches de plantão, sejam as que as manipulam de luvas gananciosas. Triste é sentir o pertencimento chutado a escanteio. É trocar a tristeza pela raiva, pela irritação causada por derrotas cafajestes, sem honra. Continua após a publicidade É ter saudade de perder como em 1982, quando o choro do brasileiro era o mesmo de Sócrates, Zico, Cerezo, enfim, de pessoas que você queria levar para casa, ser amigo delas. Até o presidente da CBF, Giulite Coutinho, era homem de bem. Conservador, concentrador de poder, mas honesto, competente e de mãos limpas. Viramos meros espectadores da festa dos outros — e talvez a distância nos permita ver com mais clareza, e frieza, de que festa se trata a do futebol. Nos encantamos ao ver a bola rolar no pontapé inicial de cada jogo e abstraímos do que há por trás, das bets, às botas e às bestas. O amarelado Donald Trump tentou que o rio corresse para seu Mar-a-Lago ao matar um cartão vermelho no peito em tabelinha indecorosa com Gianni Infantino, o cretino. Mas não há apito de cachorro, ou humano, que impeça a goleada que os belgas impuseram aos estadounidenses, embora possa ajudar os argentinos se estiver correta a atual teoria da conspiração sobre uma aliança Trump&Milei. Continua após a publicidade O intervencionismo seletivo do VAR na heróica vitória de Lionel Messi e companhia contra os faraós comandados pelo brilhante Mohamad Salah justifica a desconfiança. Pois é disso que se trata: se o mundo permite o genocídio em Gaza, não serão as falcatruas de um torneio de futebol que o indignarão. E diante da nossa incapacidade de manter a indignação viva, atuante e com consequências, os déspotas, os gatunos, os espertalhões dançam e sambam sobre nossos cadáveres. O futebol brasileiro como o conhecíamos está morto, sepultado e perdeu a vergonha na cara não é de hoje, tanto que dirigido pela Casa Bandida do Futebol. Para ressuscitá-lo será obrigatória a intervenção estatal como indutora de política como as adotadas na França e, coincidência?, na Noruega, desde a base, em busca de talentos e formadora de cidadania. Kylian Mabppé e Haaland são bons exemplos. Continua após a publicidade Não, aqui não está nenhuma proposta da criação da Futebras, mas do Estado como incentivador e parceiro de iniciativa que concentre, com método e estrutura, o novo berço para recriar nosso velho futebol, com dirigentes menos preocupados com o luxo e mais com o país, capazes de enfrentar a transnacional da corrupção chamada FIFA, a Federação Indecorosa de Futebol e seus Associados. * Publicado originalmente na revista LIBERTA . Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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