Conteúdo Original
Aos 30 anos de idade, Douglas Souza tem currículo de veterano: são duas participações em Jogos Olímpicos, uma medalha de ouro na Rio 2016 e títulos uma coleção de títulos. E, embora tenha bagagem acumulada atuando em meio à atletas consagrados, o atleta se identifica com a nova geração da seleção masculina de vôlei. - Todo mundo faz terapia, coisa que a antiga geração jamais entendeu. Você falava de terapia, as pessoas falavam: "Você é completamente maluco". Terapia é uma coisa normal que as pessoas fazem. Não é só coisa de gente doida. Sou um pouco doido, mas está tudo certo, entendeu? Todos se entendem, porque todo mundo assiste anime, os mesmos canais do YouTube, temos papos muito legais que facilitam todo o processo. Mudou muita coisa nesse sentido, sabe? É outra geração. E eu me sinto próximo também dessa geração, porque eu tava meio que ali. Eu sou um híbrido, né? Eu estava entre a outra geração, a old, e a nova geração. Estou bem no meio ali, então eu consigo me conectar com as duas muito facilmente. 1 de 5
Douglas Souza em quadra pela seleção — Foto: Divulgação/FIVB Douglas Souza em quadra pela seleção — Foto: Divulgação/FIVB + Bernardinho convoca 8º maior pontuador da Superliga para treinos com a seleção + Jogo de despedida de Camila Brait tem Serginho no ataque, jogadas em família e time só de líberos + Presidente da CBV analisa custo para manter atletas na Superliga: "Muito dinheiro para competir" Após um hiato de quase cinco anos, quando declarou sua aposentadoria da seleção brasileira, Douglas Souza anunciou que estava disposto a voltar a vestir a amarelinha. Convocado pelo técnico Bernardinho, o ponteiro esteve no Centro de Desenvolvimento do Voleibol, em Saquarema (RJ), na última semana, em preparação para a disputa da Liga das Nações (VNL). O paulista declarou estar feliz em voltar à velha rotina. - Está sendo para mim uma experiência muito legal e muito diferente, logicamente. Quando estava chegando ali em Saquarema, bateu aquele... Nossa Senhora, meu Deus, eu tô chegando em Saquarema de novo. Mas aí, quando eu cheguei, parece que, tipo assim, cinco anos parece que passou cinco meses, assim, sabe? Porque tá tudo igual, os mesmos funcionários. Eu conheço todo mundo e é tudo muito incrível. Estou me divertindo bastante. 2 de 5
Douglas Souza conversa com os companheiros de seleção — Foto: Lucas Espogeiro Douglas Souza conversa com os companheiros de seleção — Foto: Lucas Espogeiro Confira outros trechos da entrevista: Volta à seleção brasileira - Está sendo muito difícil, mas eu tô me divertindo muito, sabe? Tá sendo difícil porque eu falo... Porque, logicamente, é um ritmo muito diferente do clube, né? No clube você treina um pouco menos e tal, tem muito menos jogos. A gente nem começou a jogar, ainda estou falando, né? Mas é real, porque a gente precisa fazer essa preparação para a maratona que a gente vai viver, de viagens e jogos, depois de começar os campeonatos. Então, assim, é uma preparação intensa. Eu estou ainda me preparando fisicamente para isso. Não estou 100%, lógico. - Assim como o Lucarelli, também, que se apresentou hoje, não vai estar 100%. Isso é normal. A gente vai meio que se ajustando ao longo do campeonato, porque são várias etapas, até se Deus quiser a gente chegar até a etapa final. Estou me divertindo muito, o grupo é muito incrível, é muito conectado, todo mundo se diverte, todo mundo cobra, todo mundo se ajuda, dá aconselho, entendeu? Então, isso é muito legal. O grupo já vai meio que se ajustando. Eu cheguei no meio do nada e estou sendo tratado muito bem. O Bernardo tem todo o cuidado e carinho, né? A comissão técnica. Não tem nem o que falar de todos eles. Está sendo para mim uma experiência muito legal e muito diferente, logicamente. Quando estava chegando ali em Saquarema, bateu aquele... Nossa Senhora, meu Deus, eu tô chegando em Saquarema de novo. Mas aí, quando eu cheguei, parece que, tipo assim, cinco anos parece que passou cinco meses, assim, sabe? Porque tá tudo igual, os mesmos funcionários. Eu conheço todo mundo e é tudo muito incrível. Estou me divertindo bastante. 3 de 5
Douglas Souza (centro) posa com a nova camisa da seleção — Foto: Criativo Gato Preto/Volt Sport Douglas Souza (centro) posa com a nova camisa da seleção — Foto: Criativo Gato Preto/Volt Sport Diferenças entre a seleção do passado e a atual - O clima é totalmente diferente. É outro rolê. O Bernardo deixa isso muito claro pra gente, que a cobrança vai existir, que a pressão vai existir. Isso é normal, é seleção brasileira. A gente vê um monte de troféus em tudo que é lugar, pessoas históricas em tudo que é lugar. O grupo é muito jovem, é muito mais fácil de manusear, sabe? Transformar essa energia numa coisa boa, numa coisa positiva. Essa geração é criada muito com internet, né? Sabemos como as pessoas podem ser brutais na internet, então sabemos muito bem nos blindar. Todo mundo faz terapia, coisa que a antiga geração jamais entendeu. Você falava de terapia, as pessoas falavam: "Você é completamente maluco". Terapia é uma coisa normal que as pessoas fazem. Não é só coisa de gente doida. Sou um pouco doido, mas está tudo certo, entendeu? Todos se entendem, porque todo mundo assiste anime, os mesmos canais do YouTube, temos papos muito legais que facilitam todo o processo. Mudou muita coisa nesse sentido, sabe? É outra geração. E eu me sinto próximo também dessa geração, porque eu tava meio que ali. Eu sou um híbrido, né? Eu estava entre a outra geração, a old, e a nova geração. Estou bem no meio ali, então eu consigo me conectar com as duas muito facilmente. 4 de 5
Douglas Souza comemora a conquista do ouro na Rio 2016 — Foto: Tom Pennington/Getty Images Douglas Souza comemora a conquista do ouro na Rio 2016 — Foto: Tom Pennington/Getty Images Mudanças do "novo" Douglas São muitas. Depois de muita terapia, medicado, tudo certinho. Logicamente que volta diferente. Além de 2021, eu lembro que eu estava, né, quando todo o Brasil me conheceu, eu estava, assim, no pico da ansiedade, entendeu? Eu estava extremamente eufórico. Estava me divertindo, logicamente, no meio de uma Olimpíada, mas no pico da ansiedade. E as pessoas gostam de ver tudo isso. Mas não é saudável você ficar naquilo 100% do tempo, 100% do dia, da competição. Há momentos que precisa dar uma baixada, uma acalmada, precisa dormir bem, né? Tudo isso faz parte da rotina do atleta. Estou muito mais tranquilo, sabendo o meu lugar, o que eu posso somar para o time, sabendo o que eu posso ajudar. Isso é muito legal. Está sendo muito significativo. Referência no grupo - Eu vou ser uma coisa, assim, até onde o Bernardo tá me falando, é uma coisa mais ali de composição e tal, mas eu não estou nem pensando muito em relação a isso, sabe? Eu acho que nisso daí, durante o campeonato, a gente vai se ajustando, vendo o que vai acontecer. É mais sobre estar aqui e mostrar aos meninos, dar um pouco de inspiração para eles, sabe? Passei muita coisa difícil na minha vida. Então, se o Douglas conseguiu, eu acho que eles, que têm famílias incríveis, que está tudo certo, que ganham muito dinheiro, também vão conseguir sair de qualquer situação difícil e transformá-la em uma medalha incrível em Los Angeles. Seria o "dream do dream" ("o sonho do sonho", em tradução livre). Chegar em Los Angeles com uma medalhinha ia ser um processo incrível, não só para a nossa geração, mas para o Brasil todo. O vôlei brasileiro não merece ficar fora de pódios, entendeu? A gente precisa se manter no pódio o tempo todo, no topo, mas hoje estamos correndo atrás dos outros times, mais fortes fisicamente, mais altos, é outro jogo, outra velocidade. Vamos correr atrás e a altura é outro jogo, é outra velocidade. Vamos correr atrás e mostrar o sangue brasileiro. 5 de 5
Douglas Souza disputou duas Olimpíadas — Foto: Gaspar Nóbrega/COB Douglas Souza disputou duas Olimpíadas — Foto: Gaspar Nóbrega/COB Relação com Bernardinho Gente, isso é um negócio muito doido, porque eu converso com o Bernardo todo ano, desde 2021. O Bernardo me ligou desesperadamente em 2021, 2022, 2023, 2024 e o tempo todo em 2025 até que chegou em 2026, né? Na verdade, foi depois do Mundial do ano passado. Eu lembro que eu estava no começo do Campeonato Mineiro, jogando pelo Cruzeiro, e pensei: "Acho que dava para fazer alguma coisinha ali, sabe?". Talvez, se eu tivesse ali, daria para ajudar em alguma coisa, dar um impulso a mais. Então, se eu puder ajudar, faz parte do meu propósito. Eu preciso ajudar, eu preciso estar lá, entendeu? Lógico que eu quero estar aqui, mas é muito mais do que isso, Fiquei quietinho na minha, né? Não falei nada pra ninguém, não comentei nada. Em janeiro, acho que foi no Réveillon, eu mandei mensagem para o Bernardo: "Quero falar com você, me fala um horário para eu te ligar". Em 3 de janeiro, liguei pra ele e falei: "Estou pronto". Ele respondeu: "Você sabe que vai ter que correr atrás". Vai ser difícil, mas vamos tentar. E foi isso. Bernardinho se emociona em quadra após falecimento da mãe Mudança de clube na Superliga e reflexo na seleção - Inconscientemente, desde o momento que eu assinei com o Cruzeiro, que joga campeonatos mais difíceis, muito mais campeonatos do que os outros times tradicionais da Superliga, eu já estava me preparando e aceitando que eu ia voltar em algum momento. Foi um processo natural. Quando eu cheguei em casa, depois de uma viagem do Campeonato Mineiro, cheguei em casa, estava um pouco mais quietinho, e meu noivo olhou para mim, eu olhei para ele, que falou: "Está pensando (em voltar), né? Eu falei: "Estou". Ele disse: "Cara, vou te dar todo o apoio, pode ir, eu te ajudo".