Conteúdo Original
Saúde O que é lesão grau 2 na panturrilha e como pode afetar Neymar na Copa? Igor Ribeiro De VivaBem, em São Paulo 28/05/2026 15h58 Deixe seu comentário Neymar em ação com a camisa da seleção brasileira em 2023 Imagem: Pedro Vilela/Getty Images Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A lesão de grau 2 na panturrilha direita de Neymar não é apenas um incômodo muscular. O diagnóstico divulgado pela CBF indica uma ruptura parcial de fibras e coloca o atacante em uma corrida contra o tempo para a estreia do Brasil na Copa do Mundo, em 13 de junho, contra Marrocos. O que aconteceu Neymar teve diagnosticada uma lesão de grau 2 na panturrilha direita após exames feitos pela seleção brasileira em Teresópolis. O resultado foi anunciado pelo médico da CBF, Rodrigo Lasmar. Atacante está fora dos amistosos contra Panamá e Egito. O Brasil enfrenta o Panamá no domingo (31), no Maracanã, e o Egito no dia 6 de junho, em Cleveland (EUA). Juca Kfouri Neymar e o mundo do faz de conta PVC Fala do presidente é posição oficial do Santos Josias de Souza Flávio pode ter problema maior que o 'Dark Horse' Alicia Klein Panturrilha de Neymar não é a pior notícia na seleção Neymar também virou dúvida para a estreia na Copa. A seleção brasileira enfrenta Marrocos em 13 de junho. A CBF não pensa em cortar Neymar neste momento. A ideia é manter o jogador no grupo, acompanhar a evolução dia a dia e trabalhar pela recuperação até o início do Mundial. O diagnóstico da CBF contradiz a avaliação inicial do Santos. O clube tratava o quadro como um edema leve e sustentava que o atacante estaria apto a se apresentar à seleção. O Santos afirma que compartilhou todos os exames realizados por Neymar com a CBF até 18 de maio. O clube também diz que o prazo de duas semanas era contado a partir de 17 de maio e que o departamento médico santista está alinhado com a equipe da seleção. O que é uma lesão grau 2 na panturrilha? A lesão grau 2 é considerada uma lesão muscular moderada. Na prática, significa que houve uma ruptura parcial das fibras musculares. Continua após a publicidade Esse tipo de lesão costuma representar uma perda de continuidade entre 5% e 50% das fibras musculares. É o que diz o ortopedista João Manoel Fonseca, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. O grau 2 corresponde a uma lesão estrutural parcial. Ele representa a descontinuidade real no tecido, visível em exames como ultrassonografia ou ressonância magnética. A diferença entre os graus ajuda a entender a gravidade do caso: Grau 1: lesão leve, com edema ou microrrupturas, sem descontinuidade estrutural importante. O retorno costuma ocorrer em cerca de cinco a dez dias. Grau 2: lesão moderada, com ruptura parcial, hematoma localizado e perda de força mensurável. O retorno pode variar de três a seis semanas, dependendo da extensão, localização e evolução do quadro. Grau 3: lesão grave, com ruptura mais extensa ou total das fibras musculares. Pode exigir avaliação cirúrgica e afastar o atleta por meses. Na panturrilha, o músculo mais afetado em jogadores de futebol costuma ser o gastrocnêmio medial. A localização da lesão também interfere no prognóstico. Lesões na junção miotendínea, região de transição entre músculo e tendão, tendem a exigir mais cautela do que lesões no ventre muscular. Duas a três semanas significam liberação para jogar? A CBF informou que o atacante deve precisar de duas a três semanas de recuperação. Para especialistas, porém, esse prazo pode indicar melhora clínica inicial, mas não garante que o jogador estará pronto para atuar em alta intensidade. Continua após a publicidade Newsletter Dicas práticas de alimentação e hábitos para você ter uma vida mais saudável. Toda quarta-feira Informe seu email Quero receber "Sem dor não é critério de alta esportiva", afirma Ana Paula Simões, ortopedista e traumatologista do esporte. Segundo ela, a dor pode desaparecer antes da recuperação estrutural e funcional completa do músculo. João Manoel Fonseca segue a mesma linha. Ele explica que, na literatura médica, uma lesão grau 2 costuma levar, em média, de três a cinco semanas para o retorno de um atleta de futebol. Estar sem dor é uma etapa importante, mas não significa necessariamente estar pronto para competir em alto rendimento. João Manoel Fonseca Ou seja, Neymar pode evoluir bem e deixar de sentir dor. Ainda assim não estar preparado para suportar arrancadas, mudanças de direção, choques, desacelerações e intensidade de jogo de Copa do Mundo. Por que a panturrilha preocupa tanto em Neymar? A panturrilha é uma região fundamental para movimentos explosivos. Ela participa de acelerações, arrancadas curtas, saltos, chutes, desacelerações e mudanças rápidas de direção. Continua após a publicidade Em um jogador como Neymar, que depende de drible, velocidade curta e mudança de ritmo, a exigência é ainda maior. João Manoel reforça que, se o atleta volta antes de recuperar força, controle de movimento e confiança no gesto esportivo, o risco de sobrecarregar a região e agravar a lesão aumenta. Como um atleta é liberado após uma lesão desse tipo? A liberação não depende apenas de exame de imagem. Ela passa por uma combinação entre recuperação estrutural, força, ausência de dor e resposta funcional nos treinos. João Manoel afirma que o exame de imagem ajuda no acompanhamento, mas a resposta funcional nos treinos é decisiva. O atleta precisa evoluir sem dor, sem limitação e com segurança para as demandas reais do jogo. Ana Paula cita ainda a importância de avaliar edema, hematoma, força excêntrica, potência e testes funcionais específicos, como elevação na ponta do pé com uma perna só, saltos e sprints progressivos. A lesão atual, se tratada corretamente, tem prognóstico favorável. O maior perigo é tentar acelerar o retorno. João Manoel afirma que uma lesão grau 2 pode piorar e evoluir para grau 3 caso o atleta volte antes da hora. Isso comprometeria não apenas a participação na Copa, mas também o retorno aos gramados depois da competição. Mesmo seguindo o protocolo, o retorno às atividades acontece de forma gradual, então é esperado que o desempenho também possa ser afetado no início. Continua após a publicidade Ana Paula aponta que a recidiva é o pior cenário. O tecido cicatricial ainda imaturo não tem a mesma resistência do tecido original. Se Neymar for exigido antes de o músculo estar pronto, há risco de nova lesão no mesmo local, lesões compensatórias e até ruptura mais grave. O histórico recente de lesões de Neymar aumenta a necessidade de cautela. A análise médica não considera apenas a cicatrização da panturrilha, mas também a capacidade do atleta de suportar carga máxima em um contexto de alta pressão. Neymar pode jogar a estreia? O prazo é apertado. Se for considerada a data de 17 de maio, citada pelo Santos, como o início do problema, Neymar teria 27 dias até a estreia contra Marrocos, em 13 de junho. Para uma lesão grau 2 sem complicações, o intervalo é tecnicamente possível, mas está no limite inferior do prazo seguro. Isso dependeria de tratamento imediato, evolução sem intercorrências e cumprimento de todos os critérios funcionais antes da liberação. João Manoel também vê o prazo como curto. Para ele, o mais prudente seria contar com Neymar apenas se o atacante estiver realmente em condições de atuar sem colocar o Brasil e o próprio jogador em risco. Continua após a publicidade Se a evolução for favorável, ele poderia ter alguma chance de retornar durante a competição, mas a decisão precisa considerar não apenas a cicatrização da lesão, e sim a capacidade de suportar a intensidade do jogo. Por enquanto, a seleção trabalha com tratamento intensivo e avaliação diária. A presença de Neymar na Copa ainda não está descartada, mas deixou de ser uma certeza médica. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Aeroporto brasileiro é o melhor do mundo em conexões; Guarulhos vai mal Onda de calor põe Itália em alerta e bate recordes em França e Portugal Neymar pode ser cortado por lesão até quando? Como são as regras para troca Madonna revela que John F. Kennedy Jr. foi o melhor sexo de sua vida Caso Henry Borel: filha de ex de Jairinho diz que ele a agrediu dos 5 aos 7 anos