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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Esporte Lenda alemã troca Champions por terceirona para defender time do coração Thiago Arantes Colunista do UOL, em Dortmund (Alemanha) 04/09/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Popp trocou o Wolfsburg e a chance de jogar mais uma Champions por atuar no Dortmund Imagem: Vera Loitzsch/Bundesliga Quatro mil e quinhentos torcedores se acomodam nas arquibancadas do estádio Rote Erde, no fim de tarde de uma sexta-feira de verão. A poucos metros dali, o Signal Iduna Park — maior estádio da Alemanha e casa do Borussia Dortmund — faz sombra sobre o campo modesto, com aparência de máquina do tempo. Há ali um quê de Rua Javari, mas tudo pintado de preto e amarelo, e não de grená. Na véspera da Supercopa Franz Beckenbauer, disputada pelo time masculino contra o Bayern de Munique, os torcedores se reuniram para um compromisso bem mais modesto: a abertura da Regionalliga West, terceira divisão do futebol feminino alemão. De um lado, o Borussia Dortmund. Do outro, o Arminia Bielefeld. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Em campo, com a camisa 11 e a braçadeira de capitã, estava Alexandra Popp, uma das maiores atacantes da história do futebol europeu. Aos 35 anos, ela deixou o Wolfsburg, gigante da modalidade e presença constante na Liga dos Campeões, para defender o clube do coração. Torcida do Dortmund foi até o Rote Erde prestigiar a estreia de Popp em jogos oficiais Imagem: Vera Loitzsch/Bundesliga Popp nasceu em Witten, cidade vizinha a Dortmund, mas nunca havia vestido a camisa preta e amarela. Na reta final da carreira, depois de conquistar o ouro olímpico no Rio-2016, três títulos da Champions League, sete da Bundesliga e 13 da Copa da Alemanha, fez uma escolha pouco convencional: abriu mão da elite para jogar a terceira divisão. "Não demorei muito para decidir. Eu tinha duas possibilidades: permanecer no Wolfsburg ou me transferir para o Borussia Dortmund, meu clube do coração desde criança", disse Popp ao UOL depois da partida. A estreia terminou com vitória por 3 a 0 e dois gols da nova estrela da equipe. Popp atendeu aos jornalistas com um sorriso no rosto, ainda no gramado. Depois, teve outro desafio pela frente: autografar as dezenas de camisas estendidas pelos torcedores que a aguardavam nas arquibancadas. Só deixou o estádio depois de atender a todos, mais de uma hora após o fim do jogo. Continua após a publicidade Com a bola rolando, ela sobrou. Escalada como camisa 10, apareceu no ataque, voltou para ajudar na marcação e ocupou praticamente todos os setores do campo. "Eu via onde havia espaço e me movimentava, tentando ajudar a equipe", explicou. As adversárias encontraram apenas uma maneira de pará-la: com faltas. E foram muitas. "É o que é. Eu já imaginava que seria assim", resumiu. O abismo técnico entre Popp e as adversárias era visível. Em uma das muitas vezes em que foi derrubada, ela se levantou e pouco depois marcou. "A melhor resposta é levantar, continuar jogando e fazer o gol. Foi o que fiz." Mais do que realizar um desejo de infância, Popp retorna às origens com uma missão: conduzir o Borussia Dortmund à elite do futebol feminino alemão. Continua após a publicidade "Tenho a possibilidade de ajudar a desenvolver alguma coisa aqui. É um novo desafio para mim. Estou muito feliz com estas primeiras semanas de trabalho", afirmou. O Dortmund chegou tarde ao futebol feminino. Depois de anos resistindo à criação de uma equipe, o clube anunciou o projeto em 2020 e começou a competir na temporada 2021/22, a partir da sétima e última divisão da pirâmide regional. "Poderíamos ter pegado um atalho, mas preferimos começar do zero, sem nenhum tipo de artifício", resumiu o CEO do clube, Carsten Cramer. Depois de conseguir quatro acessos consecutivos, o time esteve perto de subir novamente na temporada passada, mas terminou na segunda colocação. Agora, já na terceira divisão, aposta em Popp para manter a escalada. O contrato da atacante tem duração de três temporadas. O planejamento prevê que, no último ano do vínculo, ela esteja novamente na Bundesliga, desta vez enfrentando gigantes como Wolfsburg e Bayern de Munique. "Nesta temporada, queremos conquistar a Copa e o campeonato. Esse é o primeiro objetivo. Queremos subir para a segunda divisão. Pensando no futuro, queremos chegar à primeira divisão o mais rapidamente possível. Acho que esse é o lugar ao qual o Borussia Dortmund pertence", afirmou. Continua após a publicidade Transformar o Dortmund em uma referência no futebol feminino é a última grande missão de Popp. Em 2024, depois de 145 partidas e 67 gols, ela anunciou a aposentadoria da seleção alemã, da qual é a terceira maior artilheira da história. A atacante garante que a decisão não tem volta. Na Copa do Mundo de 2027, no Brasil, será apenas torcedora, depois de disputar quatro edições do torneio. Com os olhos voltados para a Alemanha, naturalmente, mas também para uma antiga adversária: Marta. "Ela é um ícone. Joguei contra ela muitas vezes, e ela sempre esteve em um nível muito alto. Às vezes, nós a vemos entrar durante a partida e mudar completamente o jogo. Acho que ela é muito importante para as jogadoras mais jovens. Muitas delas olham para Marta como uma referência. Estou muito interessada e curiosa para vê-la novamente em campo em uma Copa do Mundo. Seria incrível." Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Eleição já sofre cerco dos EUA. Resta saber alcance da mão peluda de Trump Ídolo na Ítalia, Sandro Mazzola morre aos 83 anos Cúpula do Master citou advogada que recebeu R$ 33 mi como 'sócia' de Gilmar Carol Peixinho e Thiaguinho celebram um ano do filho: 'Tudo para mim' Flávia Saraiva é ouro nas barras assimétricas em etapa da Copa do Mundo