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Só para assinantes Assine UOL Opinião O futebol é muito mais que um esporte Juca Kfouri Colunista do UOL 17/07/2026 19h21 Deixe seu comentário Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Hervé Verhoosel Imagem: V. Martin/UN Photo POR HERVÉ VERHOOSEL* A FIFA precisa demonstrar, por meio de suas ações, que a maior força do futebol reside em sua capacidade de influenciar positivamente o mundo, e não em sua capacidade de sucumbir à pressão política. Eu nunca fui jogador de futebol. No entanto, durante quase vinte anos nas Nações Unidas, participei de iniciativas que me ensinaram uma verdade fundamental: o futebol é muito mais que um esporte. PVC Fifa transforma entrevista em Fan Fest bagunçada Juca Kfouri O que estão fazendo com o futebol é um crime Sakamoto Trump acusa conspiração enquanto lança uma Diogo Cortiz Brasil entra na 'ONU da IA' liderada pela China Em Bangui, durante um torneio organizado pela missão de paz das Nações Unidas para reunir jovens de comunidades que haviam sido inimigas recentemente, vi Gloire à Dieu passar a bola para Moussa. Anos antes, suas famílias haviam entrado em conflito. Mas aquele torneio não era simplesmente uma competição esportiva. Os treinos, as partidas e as experiências compartilhadas derrubaram barreiras que pareciam intransponíveis. Esses jovens aprenderam a se conhecer, a se respeitar e a jogar juntos. O futebol não apagou o passado, mas ajudou a reconstruir a confiança. Vi esse mesmo poder transformador em muitos outros lugares. Em Ruanda, o futebol tornou-se um incentivo para que milhares de crianças frequentassem a escola e tivessem acesso aos programas de alimentação do Programa Mundial de Alimentos. Também presenciei isso em vários países africanos, quando figuras importantes do futebol emprestaram seu prestígio à iniciativa Roll Back Malaria para convencer famílias a protegerem seus filhos contra a malária. O futebol não se resumia a marcar gols; também ajudava a salvar vidas. É por isso que acompanho com preocupação as recentes controvérsias em torno da FIFA e a sensação de que a política se tornou parte desta Copa do Mundo. A organização deve responder com total transparência. Se suas regras foram aplicadas corretamente, deve explicar isso claramente. Se houve erros, deve reconhecê-los e aceitar as consequências. É assim que grandes instituições constroem e preservam sua credibilidade. Mas, na minha opinião, o mais importante vai muito além dessa controvérsia. A FIFA não existe isolada do mundo. Ela trabalha diariamente com governos, empresas e organizações em todos os continentes, e essa proximidade é inevitável. O que ela jamais poderá perder é sua independência ou seu senso de missão. Porque a verdadeira riqueza deles não está na Copa do Mundo, na receita ou na enorme influência comercial. Seu maior trunfo é a extraordinária capacidade do futebol de mudar mentalidades. A FIFA pode usar essa influência para incentivar governos a investirem mais em saúde, educação, proteção infantil, igualdade de gênero, respeito às pessoas LGBT, paz e desenvolvimento. Não por meio de política partidária, mas colocando o imenso poder do futebol a serviço de valores universais. É precisamente aí que a Fundação FIFA pode desempenhar um papel decisivo. A resposta a essa crise não deve se limitar a medidas legais ou institucionais; deve também ser uma oportunidade para olhar para o futuro com ambição. A FIFA já possui as ferramentas necessárias, e sua Fundação pode se tornar uma das maiores forças filantrópicas do planeta. Pouquíssimas organizações têm a capacidade de mobilizar centenas de federações nacionais, milhões de jogadores, patrocinadores internacionais e bilhões de torcedores em torno de um único objetivo. Continua após a publicidade A Fundação não deve ser vista como uma atividade secundária, mas como uma das missões centrais da FIFA. Para alcançar esse objetivo, ela precisa de recursos compatíveis com a escala do futebol mundial e de uma estrutura de governança ainda mais aberta a figuras independentes, reconhecidas por sua integridade, experiência e liberdade de julgamento. Pessoas capazes de oferecer uma perspectiva externa, fazer as perguntas difíceis quando necessário e contribuir para a construção de uma visão de longo prazo. Campanhas de comunicação e declarações de boas intenções já não são suficientes. O futebol possui uma capacidade de mobilização incomparável a qualquer outro esporte. Seria uma oportunidade perdida se esse poder fosse percebido apenas como um instrumento de influência, quando pode se tornar uma das maiores ferramentas a serviço do bem comum. Vi o futebol reconciliar comunidades divididas, incentivar milhares de crianças a irem à escola e ajudar a salvar vidas. Continuo convencido de que sua maior vitória jamais será decidida apenas dentro de campo, mas sim em sua capacidade de tornar o mundo um lugar um pouco melhor. Porque, em última análise, o futebol sempre será muito mais do que um esporte. * Hervé Verhoosel foi alto funcionário das Nações Unidas por mais de 20 anos. Ao longo de sua carreira, trabalhou nas áreas de saúde global, desenvolvimento, ajuda humanitária e operações de paz, frequentemente utilizando o futebol como ferramenta para conscientização, educação e reconciliação. Atualmente é consultor independente em assuntos internacionais e comunicação estratégica. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Juca Kfouri por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Estreante brilha, Mirassol vence Grêmio em casa e embola briga contra o Z4 Quina acumula e prêmio sobe para R$ 9,5 milhões; confira as dezenas Lamine Yamal é confirmado para final, e Messi lembra foto juntos: 'Loucura' Bolão de SP e 2 apostas de MG e BA acertam Lotofácil e levam R$ 407 mil Moraes mantém Bolsonaro em domiciliar e proíbe visita com fins eleitorais