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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Liga Única tem chance de nascer, mas precisa de negociação e inteligência Paulo Vinicius Coelho (PVC) Colunista do UOL 29/07/2026 11h01 Deixe seu comentário Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Samir Xaud, presidente da CBF: poder x dinheiro Imagem: REUTERS/Dylan Martinez Todo mundo sabe que é preciso criar a Liga Única. A CBF sabe disso e tem este discurso. A Futebol Forte União (FFU) quer isso há muito tempo. Negociou com a Libra, chegou a formatar um documento que seria assinado por todos os clubes no meio de 2025, abortado pelo discurso de Leila Pereira de que a CBF deveria fazer parte do processo. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Hoje, faz. Há uma proposta que partiu do Vasco para alteração do estatuto da FFU, que ajude a criação da Liga Única, nos moldes que a CBF deseja. Ou seja, que diminua o controle do investidor. Os clubes da Série A ligados à FFU não assinam a proposta do Vasco, formatada pelo vice-presidente de relações públicas, Alexandre Cordeiro, ex-presidente do Conselho de Administração de Defesa Econômica (Cade). A proposta é dele. Não é da FFU. Pelo menos, não é ainda. O investidor se chama Sports Media. A CBF discute duas coisas: 1. Por que os clubes não podem abandonar o contrato?; 2. Por que a Sports Media tem o controle comercial sobre os clubes que venderam 10% a 20% de seus direitos por até cinquenta anos. Continua após a publicidade A resposta à primeira pergunta é que podem romper o contrato, se houver cláusulas para isso. Ou se os contratos forem abusivos. Acontece que, por três vezes, o assunto foi para o Cade. Em nenhuma delas, os contratos foram desabilitados, apesar de todo o conhecimento jurídico que, hoje, a cúpula da CBF possui. E veja que a função do Cade não é discutir contratos privados, mas zelar pela livre concorrência no mercado. A resposta à segunda pergunta é que a SportsMedia só seguirá no comando comercial, se atingir as metas propostas pelo contrato, a cada ciclo. É o argumento dos investidores. Sem metas atingidas, está fora. Para que serve a Liga? A Premier League transformou lixo em ouro em quinze anos, mesmo período em que a Lega Calcio, na Itália, transformou ouro em lixo. O sucesso ou fracasso depende de conceitos, em que os clubes tenham poder de decisão e de veto e que os direitos comerciais sejam multiplicados. Mais dinheiro, mais craques, mais qualidade do jogo, mais gente querendo assistir no planeta, mais dinheiro... Círculo virtuoso que se criou na Inglaterra e na Espanha. Há vinte anos, numa rodada em que houvesse Inter x Milan e Arsenal x Manchester City no mesmo horário, o jogo escolhido seria sempre Inter x Milan, em qualquer TV. Hoje, ninguém tem dúvida de que você assistirá a Arsenal x City. A guerra atual representa uma disputa em que a CBF quer o poder, a SportsMedia quer o dinheiro do que foi posto em contrato e os clubes precisam ter poder de voto e de veto. Serem sócios efetivos. Na prática, é necessário criar uma empresa, a Liga, e dividir percentuais Digamos, 20% para a CBF, 20% para a SportsMedia, 60% para os clubes. Não, não é fácil fazer este rateio e não precisa ser nestes números. Continua após a publicidade Mas é para onde se caminha. Ou nessa direção, da sociedade, cada um com seu quinhão, ou para o fracasso eterno que leva o Brasil a ser cada dia menos relevante no planeta futebol. Quando se resolver este imbróglio político, ainda restará o comercial. Não é lógico começar uma nova história rompendo contratos, a não ser que sejam abusivos, o que não se confirmou até este momento. Há gente que fez parte do fiasco das negociações da Libra querendo participar dessa fração. Não faz sentido. Até o presidente do Flamengo sabe que a FFU negociou contratos de modo mais competente do que a Libra. É só ver como os clubes da FFU ganham mais do que os da Libra, para entender que quem fracassou no comando comercial da liga dos grandes (Flamengo, Palmeiras e São Paulo) não demonstrou condição de multiplicar direitos. Os clubes da Série B, ligados à FFU, se sujeitam à proposta do Vasco. Os da Série A só aceitarão se for por medo. A solução é óbvia. Quem pode multiplicar receitas conduz a parte comercial da nova Liga e perde o privilégio se não atingir metas. As questões técnicas ficam com a CBF, com a responsabilidade de disciplinar o mercado, criar regras de governança e de como usar o dinheiro. Continua após a publicidade Eis um ponto decisivo. A CBF entende que deveria ter havido regras sólidas para que o dinheiro injetado pela FFU não fosse gasto desordenadamente pelos clubes. Tem razão. Mas nunca houve estas regras no passado. A CBF nunca criou este controle do destino do dinheiro, com obrigações para investimento em infraestrutura, não apenas em contratações e aumentos de salários dos atletas. Todo mundo já entendeu que é preciso fazer o acordo. Todo mundo vai ganhar se a Liga nascer. Qualquer decisão diferente de se sentar à mesa para chegar a um consenso é perder tempo, qualidade e dinheiro. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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