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Futebol Real Madrid campeão e Milan de Kaká viram rascunho do Brasil de Ancelotti Igor Siqueira e Thiago Arantes Do UOL, em Rio de Janeiro e Barcelona 26/06/2026 12h00 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira Imagem: Rafael Ribeiro/CBF A seleção brasileira começa a dar frutos na Copa do Mundo a partir de uma semente que Carlo Ancelotti conhece bem. Diante de experiências frustradas por lesões e mau desempenho, o treinador italiano olhou para o próprio passado e recorreu a um sistema 4-4-2, com um losango no meio-campo. Depois de dois jogos, é possível dizer que o novo esquema tático deu certo: com ele, o Brasil venceu o Haiti por 3 a 0, na segunda rodada do Grupo C, e repetiu o resultado diante da Escócia, garantindo a ida ao mata-mata em primeiro lugar. Explicando de forma simples, o losango —ou diamante, como dizem os europeus— tem um volante defensivo, dois meio-campistas mais adiantados e um quarto elemento, mais avançado. Este último pode ser um meia-atacante ou um falso nove. Na Itália, terra de Ancelotti, criou-se a denominação trequartista . Julián Fuks Elogio dos amores menos absolutos Mariana Barbosa Fraude na Americanas tem perguntas sem respostas Marco Antonio Sabino Pelos números, Tarcísio já ganhou; será tão fácil? Paulo Camargo Carlo Ancelotti não é brasileiro; e daí? Na seleção brasileira, as pontas desse losango são Casemiro, Bruno Guimarães, Lucas Paquetá e Matheus Cunha. O camisa 9 é o ponto fundamental, que faz o sistema funcionar: ele se move como quarto homem do meio, mas também chega ao ataque. Não é a primeira vez que o futebol vê esse filme sob a direção de Ancelotti. Assista aos jogos da Copa ao vivo no SBT pelo UOL Play. Assine agora a partir de R$ 14,90/mês A versão mais recente foi o Real Madrid da temporada 2023-24. Meses depois de perder Karim Benzema, o treinador italiano não recebeu um substituto à altura do francês. Então, acomodou o recém-chegado Jude Bellingham como meia mais avançado, transformando Vini Jr. e Rodrygo, antes pontas, em uma dupla de ataque. Deu certo: o italiano foi campeão da Champions League, com Vini Jr. sendo o principal destaque, Rodrygo aparecendo em momentos decisivos e Bellingham exercendo uma função fundamental na construção de jogadas. Nas três outras pontas do losango, revezavam-se Eduardo Camavinga, Aurelièn Tchouaméni, Toni Kroos, Luka Mdric e Federico Valverde. Continua após a publicidade O paralelo imediato com a seleção brasileira atual está no protagonismo que esse esquema proporciona a Vini Jr, com um meio-campo com trocas de passes mais próximas e que, ao mesmo tempo, dá mais sustentação defensiva na comparação com o 4-2-4 --a aposta inicial de Ancelotti na seleção. Mas assim como o técnico "não descobriu Vini" —como disse na coletiva após a vitória sobre a Escócia—, o 4-4-2 diamond (como é chamado em inglês) não nasceu nesta década, em Madri. O desenho com a forma geométrica que fez a seleção brasileira subir de nível vem de longa data. Com Ancelotti, ele ganhou notoriedade a partir do Milan. O diamante lapidado por Ancelotti no clube r ossonero surgiu da ideia de trazer Andrea Pirlo, um meia-atacante de origem, para ser o volante mais recuado. A ideia era recuar o cérebro do time alguns metros, para que ele pudesse distribuir melhor o jogo —como um quarterback do futebol americano. Com Pirlo mais recuado, os dois meio-campistas logo à frente, Gennaro Gattuso e Clarence Seedorf, podiam exercer uma pressão forte na saída de bola do adversário. O trequartista , quarto elemento do losango, era Rui Costa ou Kaká. Na frente, a dupla de ataque tinha Andriy Shevchenko e Filippo Inzaghi. Continua após a publicidade O 4-4-2 com losango foi o sistema-base do Milan de Ancelotti, ao lado da famosa "Árvore de Natal" — um 4-3-2-1, com três volantes, dois meias e um atacante —, que o treinador passou a usar depois da saída de Shevchenko. Com esses dois esquemas, Carletto ganhou oito títulos com o clube, incluindo duas edições da Champions League. No Brasil, essa adaptação vem após as frustrações iniciais de Ancelotti. No início, a ideia era explorar o que o Brasil tinha de melhor: os pontas. Vem daí a dinâmica do 4-2-4, que deu destaque a Estêvão, trouxe Vini Jr. para uma das posições centrais e já tinha em Matheus Cunha o atacante que recuava pelo centro, ou pela esquerda, para tentar se aproximar dos dois volantes. As lesões de Estêvão e, depois, Rodrygo, tiraram força dessa formação. Ainda assim, Ancelotti insistiu com ela até pouco tempo antes da Copa do Mundo. Esporte 1/5 Continua após a publicidade O flerte com um terceiro meio-campista veio nos últimos amistosos. Quando o Brasil trocava o time inteiro e ganhava sustentação e trocas de passes mais dinâmicas, a semente estava sendo plantada. Ancelotti contra o Marrocos, já na estreia da Copa, entendeu que precisava de um 4-4-2 mais sólido. Só que o desenho ainda não era o losango. Recorreu a uma formação, em tese, mais Brasil anos 1990: dois volantes e dois meias. Paquetá pela direita, Raphinha pela esquerda. Mas ainda não era assim que o time engrenaria. Contra o Haiti, veio o desenho novo. Contra a Escócia, a confirmação. Duas vitórias por 3 a 0, vaga no mata-mata da Copa e confiança elevada para fazer essa seleção crescer ainda mais. Ancelotti recorreu ao conhecido e adaptou essas características aos jogadores que tem no Brasil. Casemiro não é Pirlo. Bruno Guimarães não é Gattuso, e tampouco Matheus Cunha é Kaká. Mas o treinador buscou nas boas memórias que teve um caminho para tentar construir o sucesso no presente. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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