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Futebol Influência de Trump não é inédita: Copa de 1934 'serviu' ao regime fascista Marcelo Belpiede Do UOL, em São Paulo 07/07/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O ditador italiano Benito Mussolini faz a saudação fascista. Imagem: Arquivo/Getty Images A interferência direta de um líder político trouxe uma atmosfera de perplexidade para a Copa do Mundo de 2026 . O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou ter intercedido junto à Fifa para reverter a suspensão do atacante Folarin Balogun, expulso contra a Bósnia. Com o perdão da entidade, o atleta foi liberado para enfrentar a Bélgica pelas oitavas de final. Embora o caso tenha trazido revolta principalmente em entidades e outras seleções, a história dos Mundiais mostra que a influência de chefes de estado sobre a Fifa está longe de ser inédita. Donald Trump, presidente dos EUA, e Gianni Infantino, presidente da Fifa. Imagem: BRENDAN SMIALOWSKI/AFP Casagrande Muito obrigado, Bélgica, pelo massacre nos EUA Danilo Lavieri Fifa estragou a bela história dos EUA na Copa João Paulo Charleaux Trump vira a mesa e dá um golpe no futebol Helton Gomes Altman e Trump arquitetam dividir riqueza da IA Propaganda para o fascismo O exemplo mais emblemático ocorreu em 1934, quando Benito Mussolini transformou a Copa do Mundo da Itália em um massivo veículo de propaganda fascista. O ditador controlou pessoalmente cada detalhe do evento para projetar ao mundo uma imagem de superioridade do seu regime. A submissão da Fifa foi tamanha que o presidente da entidade na época, Jules Rimet, admitiu a criação até de um troféu próprio para o torneio, a Coppa Del Duce, bem maior do que a taça oficial. Para abrir caminho para a Itália, Mussolini mudou a legislação e facilitou a naturalização de atletas estrangeiros de origem italiana. O regime "importou" astros argentinos vice-campeões em 1930, como Luisito Monti, Raimundo Orsi e Enrico Guaita, além do brasileiro Guarisi. A manobra desestruturou a rival Argentina e fez com que o Uruguai, então detentor do título, boicotasse o torneio e se recusasse a viajar para a Europa. O controle sobre a competição estendeu-se à arbitragem. Refém do governo, a Fifa aceitou que a Itália selecionasse juízes de partidas. O sueco Ivan Eklind foi escalado para apitar os dois jogos decisivos da Itália: na semifinal contra a Áustria e, surpreendentemente, repetido na final contra a Tchecoslováquia. No dia 10 de junho de 1934, a Itália venceu por 2 a 1 na prorrogação sob os olhares de Mussolini e ao som do hino fascista , consolidando uma engrenagem política que, quase um século antes de Trump, já utilizava os gramados como palanque. Resposta da Fifa O presidente da Fifa, Gianni Infantino, defendeu a autonomia da entidade e afirmou que, embora tenha recebido uma ligação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, as decisões do Comitê Disciplinar são soberanas e tomadas com base nas regulamentações aplicáveis. O dirigente reforçou que o respeito à independência dessas instituições é fundamental para proteger a integridade das competições. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Federação belga cutuca EUA após goleada nas oitavas da Copa: 'Reverta isso' Courtois desabafa após Bélgica avançar na Copa: 'Fomos desrespeitados aqui' Técnico da Bélgica revela atitude de Balogun e diz: 'Ele não é o culpado' Senadora paraguaia reage, cobra desculpa de Mbappé e vê violência de gênero Líderes da 'geração Neymar' fazem último pedido à CBF para a Copa de 2030