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O Los Angeles Lakers , enfim, é a equipe de Luka Doncic. Não que ele não estivesse lá na última temporada e meia da NBA , mas agora tudo girará em torno do esloveno, num cenário em que ele já está bem acostumado pelos anos de Dallas Mavericks.
São 11 jogadores novos na equipe, que se juntam a alguns poucos remanescentes para montar um novo esquema, um novo estilo de jogo e, se tudo der certo, conseguir resultados melhores que os dos últimos anos, principalmente nos playoffs. Mas os nomes escolhidos são o suficiente para suprir a ausência de LeBron James e companhia?
Campanha: 53 vitórias e 29 derrotas
Classificação: 5º lugar na Conferência Oeste
Nos playoffs: eliminado pelo Oklahoma City Thunder por 4 a 0 na segunda rodada, depois de ter vencido o Houston Rockets por 4 a 2 na primeira rodada
O que aconteceu: desde a segunda semana da temporada regular os Lakers não sabem o que é ficar fora da zona de playoffs. Com uma campanha segura mesmo em um Oeste estrelado, os comandados de JJ Reddick conseguiram uma campanha sólida, especialmente no miolo da trajetória, quando tiveram LeBron James, Luka Doncic e Austin Reaves juntos por 29 partidas, entre períodos de lesões de cada um dos integrantes do trio. A classificação final só não foi melhor porque Luka Doncic se machucou na última semana, e duas derrotas no período os tiraram da terceira posição. Sem o esloveno (e sem Reaves até o Jogo 4), conseguiram vencer os Rockets com emoção, desperdiçando uma vantagem de 3 a 0, mas se recuperando no Jogo 6. Contra o Thunder, fizeram bons jogos e chegaram no último período vencendo algumas vezes, mas não resistiram a Shai Gilgeous-Alexander e companhia.
Escolhas de Draft: Cameron Carr (ala-armador, 24ª escolha)
Quem mais chegou: Walker Kessler (pivô - Utah Jazz), Sandro Mamukelashvili (ala-pivô - Toronto Raptors), Quentin Grimes (ala - Philadelphia 76ers), Kevon Looney (pivô - New Orleans Hornets), Collin Sexton (ala-armador - Chicago Bulls), Matisse Thybulle (ala-armador - Portland Trail Blazers), Ziaire Williams (ala - Brooklyn Nets), Jaden Hardy (ala-armador - Washington Wizards), Arthur Kaluma (ala - sem time) e AK Okereke (ala - sem time)
Quem foi embora: LeBron James (ala - Philadelphia 76ers), Rui Hachimura (ala - Los Angeles Clippers), DeAndre Ayton (pivô - Washington Wizards), Marcus Smart (ala-armador - Houston Rockets), Jaxson Hayes (pivô - Utah Jazz), Luke Kennard (ala-armador - Phoenix Suns), Maxi Kleber (ala-pivô - sem time), Nick Smith Jr. (armador - Real Madrid/ESP) e Gabe Vincent (armador - sem time)
Provável time titular: Luka Doncic, Austin Reaves, Quentin Grimes, Sandro Mamukelashvili e Walker Kessler
Reservas: Bronny James (armador), Jaden Hardy, Collin Sexton, Matisse Thybulle, Cameron Carr, Chris Mañon (alas-armadores), Dalton Knecht, Ziaire Williams, Adou Thiero, AK Okereke, Arthur Kaluma (alas), Jarred Vanderbilt, Jake LaRavia (alas-pivôs) e Kevon Looney (pivô)
Técnico: JJ Redick
Pela primeira vez desde 2017 os Lakers estão iniciando uma temporada sem LeBron James no elenco. Isso por si só já tira uma boa dose de pressão e holofotes sobre a franquia, embora ainda seja uma das que mais movimenta a mídia dentro e fora dos EUA. E não é só sem LeBron que a equipe está.
Ao todo nove jogadores deixaram a organização. Juntos, representaram 58% dos minutos da última temporada, deixando o time como o que mais “perdeu” minutos em relação ao último ano. Além disso, os cinco que mais jogaram nos playoffs não ficaram para 2026/27, a primeira vez na história da NBA que o feito acontece.
Mas não é por isso que os Lakers deixaram de ser competitivos, ao menos no papel. A reposição foi à altura: Kessler, Mamukelashivili, Quentin Grimes, Sexton, Thybulle, Ziaire Williams e Kevon Looney desembarcaram na Califórnia para jogarem ao lado de Doncic. E pela primeira vez desde que o esloveno chegou em Los Angeles, os nomes foram pensados para jogarem ao seu redor, ainda que não sejam exatamente as peças mais adequadas.
Kessler chegou a peso de ouro: duas escolhas de primeira rodada no Draft, duas pick swaps e um contrato de US$ 130 milhões por quatro temporadas. Embora não seja um encaixe perfeito, chega para resolver o buraco na posição deixado desde a saída (e as lesões) de Anthony Davis.
Grimes, Sexton e Mamukelashivili são ótimas peças para fortalecer o elenco, talvez até no quinteto titular, mostrando um grande olhar da diretoria, que ficou apertada financeiramente após a polpuda renovação de contrato de Austin Reaves.
Thybulle, se conseguir ficar saudável, é um dos melhores alas defensores em toda a liga, enquanto Ziaire Williams e o calouro Cameron Carr são nomes interessantes vindos do banco e completar os espaços da minutagem sem deixar cair o nível.
Pode levar um tempo para garantir o entrosamento, mas JJ Reddick garante que está empolgado e confiante em mais uma boa campanha na temporada regular. A grande questão, porém, é o quão longe irão nos playoffs.
“Sem dúvida nenhuma. Acho que temos várias ótimas peças e muita versatilidade no elenco. Estou vendo que os caras estão se entendendo, e esse tipo de conexão é o que faz times campeões. Nós definitivamente podemos virar um dos maiores concorrentes ao título.”
Foi essa a resposta que o técnico JJ Redick deu em uma coletiva de imprensa ao ser perguntado se imagina os Lakers com chance de serem campeões depois de todas as mudanças pelas quais o elenco passou.
Os Lakers foram a 11ª pior defesa da NBA na última temporada em pontos sofridos a cada 100 posses de bola. Mas como jogaram num pace (número de posses por jogo) baixo, a média de pontos sofridos não foi das piores: 114,6 por jogo, a 11ª melhor marca. Nos erros gerados, os angelinos ficaram no meio tabela, com 14,6 turnovers dos adversários a cada noite.
Não são números exatamente ruins, mas também estão longe de serem as estatísticas desejadas por uma equipe que almeja o título da liga. Por isso, a ideia de JJ Reddick é focar na melhora defensiva para a próxima temporada.
O primeiro ponto para isso foi adicionar ótimos defensores ao elenco. Apesar da saída de Rui Hachimura, os Lakers se fortaleceram com Mathisse Thybulle, Walker Kessler e Ziaire Williams, que se destacaram ao longo da carreira pela marcação. O calouro Cameron Carr também demonstrou bons sinais na pré-temporada, bem como os remanescentes Adou Thiero e Bronny James, além, claro, da presença de Jarred Vanderbilt.
Com eles, JJ Reddick mostrou na pré-temporada que pretende aumentar a marcação pressão na quadra inteira ao longo do ano. A estratégia, que está ficando mais comum ao redor da liga, visa forçar mais erros dos adversários, além de aumentar o desgaste físico dos dois lados, exigindo uma rotação maior do elenco.
Além disso, o treinador disse que também pretende aumentar a frequência da marcação por zona, especialmente quando nomes como Thybulle, Ziaire Williams e Thiero estiverem em quadra.
A questão é entender como Doncic e Reaves se encaixam no sistema. O esloveno, é bem verdade, não é um mau defensor, especialmente nos momentos decisivos da temporada regular e playoffs. Ainda assim, num plano maior, nem sempre é o nome mais engajado - ou descansado - em quadra na defesa. Se conseguir manejar as novidades para quando os astros não estiverem em quadra, ou dar um jeito de não desgastá-los tanto assim para que possam focar no ataque, os Lakers só têm a crescer ao longo da temporada.
Desde a chegada de Luka Doncic aos Lakers, de tempos em tempos a parceria com Austin Reaves é questionada. Para além da semelhança física, os fatos de terem funções semelhantes e ocuparem os mesmos espaços na quadra sempre levantam a hipótese de que são jogadores redundantes, e que a franquia deveria envolver um deles em trocas - Reaves, naturalmente.
Mas as estatísticas indicam outra coisa. O ataque dos Lakers ganha números muito melhores com os dois em quadra simultaneamente. Na última temporada, o saldo entre as eficiências ofensiva e defensiva (quantidade de pontos marcados ou sofridos a cada 100 posses de bola) era de +11,6 nestas formações.
O problema é que o trio com LeBron James foi visto menos de 60 vezes em quadra nestes quase dois anos por conta de lesões de todos eles. Daqui para a frente, porém, a expectativa do torcedor é ter uma amostragem maior da parceria de Doncic e Reaves, que liderarão um elenco montado ao seu redor pela primeira vez desde que começaram a vestir amarelo e roxo.
E quanto ao elenco, ainda fica um questionamento simples. Por mais que as peças realmente pareçam fazer um pouco mais de sentido que nos últimos anos, e o elenco possa até ser considerado, veja só, profundo, essa melhora teórica é o suficiente para colocá-los frente aos rivais no topo do Oeste, como Oklahoma City Thunder e San Antonio Spurs? Ainda, é o bastante para vencer Denver Nuggets e Minnesota Timberwolves?
Talvez os Lakers tenham mudado muitas peças no elenco - boa parte delas necessária -, mas sem, de fato, conseguir subir o nível. Nesse quesito, JJ Reddick terá um grande desafio pela frente.
Luka Doncic teve os melhores números da carreira na última temporada. Com 33,5 pontos, 7,7 rebotes e 8,3 assistências de média, foi o cestinha da edição, além de figurar no time ideal da temporada, terminando em quarto lugar na votação para MVP, atrás apenas de Shai, Jokic e Wembanyama.
Mas apesar de ter jogado 64 partidas na temporada regular, seu maior número desde 2024, lesionou a coxa na reta final da temporada e não disputou os playoffs. Para 2026/27, como de costume, apareceu na pré-temporada bem mais magro do que terminou a anterior, aumentando as expectativas por um ano saudável do esloveno.
Em um Lakers de jogo mais ágil, Doncic tende a ser o nome que fará o jogo correr, com os passes longos que viraram moda ao lado de LeBron, além de ser peça central no jogo de meia quadra da equipe. Embora não tenha pivôs tão ágeis ao seu lado, tende a ter maior apoio nesta temporada do que em anos anteriores.
Letal em todos os pontos da quadra, é um dos melhores jogadores da competição e segue em busca do prêmio de MVP, que em 2018, quando estreou na liga, parecia que chegaria naturalmente, mas ainda não aconteceu. Aos 27 anos, ainda tem muito tempo em alto nível para conquistar o troféu. Fora de quadra, contudo, segue numa batalha judicial contra a ex-mulher pela guarda das filhas.
O que mais interessa, porém, é entender como o astro irá desempenhar em quadra sendo o grande líder da equipe. Mesmo já sendo a maior referência técnica, não ter LeBron James ao lado faz com que todas as expectativas, pressões e cobranças recaiam sobre ele.
Nos Mavs, deu muito certo, chegando às Finais de 2024. Mas só depois de várias temporadas de amadurecimento e de ajustes no elenco até ter companheiros “ideais”. Nos Lakers, parte de um time melhor, mas com maior pressão por resultados.
Grande contratação dos Lakers na temporada, Walker Kessler tem uma qualidade inegável, mas levanta uma série de questionamentos quanto ao seu encaixe no elenco. A experiência Deandre Ayton não deu certo, Jaxson Hayes nunca rendeu o suficiente, e os Lakers pagaram caro no pivô de 25 anos que mostrou muita qualidade no Utah Jazz.
Primeiramente, o físico impressiona. São 2,18m com certa mobilidade, o que pode ser fundamental para enfrentar nomes como Victor Wembanyama e Chet Holmgren ao longo do ano e possivelmente nos playoffs.
Tecnicamente, o pivô tem a segunda maior taxa da liga em tocos por arremessos adversários: 8,3%, atrás apenas de Victor Wembanyama.
Além disso, os adversários defendidos por ele no garrafão têm apenas 54,6% de aproveitamento. Apenas Wemby e Chet Holmgren têm números melhores na estatística. Ou seja, se Wembanyama não existisse, provavelmente Kessler seria considerado o melhor pivô defensivo de toda a NBA. Ágil para a posição, consegue travar os ataques adversários com facilidade, especialmente se tiver companheiros versáteis o suficiente para evitar que ele precise sair de perto da cesta para defender.
Contudo, no ataque o encaixe com Doncic e Reaves é um pouco mais nebuloso. Kessler tem muito sucesso usando toda sua altura e bom jogo de pés para jogar de costas para a cesta e finalizar com enterradas: um terço de seus arremessos são dessa maneira. Também é um excelente reboteiro, com 12,1 de média nas últimas duas temporadas, sendo 4,6 ofensivos.
Mas não é um pivô explosivo o suficiente para conseguir aproveitar constamente as várias ponte aéreas lançadas por Luka Doncic, como Daniel Gafford e Dereck Lively conseguiam pelos Mavs. Num nível abaixo, Jaxson Hayes também conseguia exercer bem esse papel específico nos Lakers também.
No pick'n roll , Kessler nunca conseguiu transformar o Utah Jazz em destaque. É bem verdade que os homens da bola na equipe, Keyonte George, Isaiah Collier e até mesmo Collin Sexton, agora nos Lakers, não têm o mesmo impacto de Doncic e Reaves, o que pode fazer com que ele se mostre uma grande arma. Ainda assim, não é uma escolha óbvia, baseada no histórico, para resolver esse problema.
Tampouco ele conseguiu apresentar um desempenho notável na criação de espaços em bloqueios indiretos, como Steven Adams, por exemplo, abrindo o caminho para as infiltrações dos jogadores mais rápidos e agressivos do time.
Por fim, a questão física também é uma preocupação. Com uma lesão no ombro, disputou apenas cinco partidas no último ano e só participou da reta final da pré-temporada dos Lakers, “testando” o ombro em situações de jogo após a cirurgia.
4 (alto) - Por mais que já faça um tempo que a troca ocorreu, Luka Doncic ainda parece tomado por uma dose extra de motivação quando entra em quadra. A oportunidade de ver um dos melhores jogadores do mundo desse jeito já é um prato cheio para qualquer fã de basquete. E em volta dele estará praticamente um novo time, formado a partir da saída de LeBron James, recheado de peças que tentam se encaixar em torno do esloveno e provar seus valores. São histórias interessantes em um time que deve competir na parte de cima da tabela do Oeste. Vale sempre a atenção.
No cenário mais otimista: Luka Doncic vê um elenco mais redondo e favorável ao seu estilo de jogo, o time decola, principalmente no ataque, dá um jeito de se segurar entre as dez melhores defesas e vira concorrente do primeiro escalão do Oeste, podendo chegar na final de conferência e até fazer série dura com quem estiver do outro lado.
No cenário mais pessimista: a defesa se mostra super frágil, uma das piores da liga, enquanto o ataque não rende o bastante para compensar essa deficiência. Nada que tire os Lakers dos playoffs, mas talvez para isso seja necessário passar pelo play-in, terminando em uma eliminação rápida na primeira rodada.
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