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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte O futebol e a naturalização da violência Milly Lacombe Colunista do UOL 31/08/2026 15h01 Deixe seu comentário Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, durante partida contra o Mirassol, pelo Campeonato Paulista Imagem: Fabio Giannelli/AGIF Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Abel Ferreira não gostou da arbitragem de João Vitor Gobi em Mirassol. O juiz, a bem da verdade, fez um trabalho horroroso do começo ao fim. Acho que não existe Palmeirense no mundo que tenha gostado. Mas ser um adulto funcional é ter a capacidade de não transformar frustração em violência. Chutar o microfone da transmissão feito um bicho ferido não é aceitável. O que leva homens a reagirem nesses termos quando diante de algum acontecimento incômodo? Como diz o meme: Nem todo Jurandir, mas sempre um Jurandir. Sempre sempre sempre um Jurandir. Foi um Jurandir que se revoltou com a criança corintiana que ganhou uma camisa de Neymar. É sempre um Jurandir que chega em casa decepcionado com a derrota dos homens que usam a camisa de seu time e resolve sentar a porrada na mulher. São os Jurandir que a cada lateral mal marcado cercam o árbitro. Foi um Jurandir que decidiu passar o jogo inteiro xingando e aporrinhando qualquer marcação de Edina Alves. É um Jurandir que na saída do estádio soca o rival. A violência masculina não pode ser naturalizada e seria preciso compreender todas as suas formas para que possamos combatê-la. Seria também preciso perceber que as formas escolhidas de combate são superficiais, inócuas, infantis, preguiçosas e convenientes. Punir com multa e suspensão - caso não tenham notado - não está resolvendo nada. Vamos começar a educar nossos Jurandir ou seguiremos apenas escrevendo textos contra eles? Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Mas nem todo Jurandir pode dar pontapé em microfone. Se Marcão, o treinador do Fluminense, fizer isso o mundo cai na cabeça dele. Marcão é um homem negro e de homens negros a sociedade exige comportamento impecável, irretocável, irrepreensível. De pessoas negras essa sociedade racista espera apenas "sim, senhor" e "sim, senhora". Tudo mais é afronta. Imaginem Marcão agindo como um animal enlouquecido à beira do gramado. Todas nós temos pelo menos um Jurandir que amamos profundamente nessa vida. Nem sempre ele é o agente do caos, mas às vezes é ele o causador da violência e não queremos que essa lógica perversa siga sendo reproduzida rodada após rodada. Podemos concordar que apenas a pedagogia nos tirará desse lugar? Abel Ferreira é ídolo e ídolos são imitados. Dar bica descontrolada em microfones é convidar muitos a agirem do mesmo jeito. É assim tão difícil se controlar? O futebol não tem um problema de violência; a masculinidade tem. Vamos resolver esse horror ou apenas seguir fingindo que estamos horrorizados? Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Eleição já sofre cerco dos EUA. Resta saber alcance da mão peluda de Trump Carol Peixinho e Thiaguinho celebram um ano do filho: 'Tudo para mim' Lula diz que quer ganhar eleições para manter Jair Bolsonaro preso Empresário é condenado por agredir ex-Miss Rio Branco; defesa vai recorrer Lula e Janja vão a SC pela 1ª vez na campanha e buscam voto feminino