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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Esporte Fluminense encara o maior intruso da Libertadores em 2026 Mauro Cezar Pereira Colunista do UOL 14/09/2026 12h59 Deixe seu comentário Hulk finaliza para fazer o segundo gol do Fluminense contra o Platense, pela Libertadores Imagem: Marcelo Gonçalves / Fluminense FC Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O Platense é o maior intruso entre os oito clubes que ainda estão na Libertadores. E isso não é uma crítica. É justamente o que torna sua presença tão curiosa. Amanhã, diante do Fluminense, o "Calamar" de Vicente López disputará o jogo mais importante de seus 120 anos de história. Precisa de uma façanha para continuar vivo: depois de perder por 2 a 0 no Maracanã, terá de vencer por três gols de diferença para avançar diretamente às semifinais. Se ganhar por dois, a definição do primeiro semifinalista será na disputa de pênaltis. Para um clube de orçamento modesto, sem títulos nacionais até 2025 e que jamais havia disputado a competição, chegar às quartas de final já é uma anomalia. O Platense, porém, vem se especializando em contrariar a lógica. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Em junho do ano passado, conquistou o Apertura argentino, seu primeiro título nacional, eliminando Racing, River Plate e San Lorenzo antes de derrotar o Huracán por 1 a 0 na final. O gol foi de Guido Mainero, assinalado aos 18 minutos do segundo tempo. Não foi uma campanha construída sobre grandes nomes ou investimentos milionários. Um time organizado, competitivo, capaz de jogar no limite de suas possibilidades. A dupla Favio Orsi e Sergio Gómez conseguiu transformar um elenco modesto em uma equipe extremamente incômoda. No grupo liderado pelo Corinthians, o Platense terminou em segundo. Depois, nas oitavas, eliminou o Coquimbo Unido, nos pênaltis. Agora está diante de um obstáculo muito maior: o Fluminense, campeão da América em 2023 e dono de um elenco tecnicamente muito superior. Depois do título no ano passado, o time mudou. Orsi e Gómez foram embora. Walter Zunino assumiu, não conseguiu bons resultados no início do Clausura e acabou demitido no começo de agosto, depois de uma goleada para o Talleres. A solução foi buscar Martín Palermo. Ídolo do Boca Juniors, ex-centroavante de enorme peso no futebol argentino, ele já conhecia o clube. Em 2023, levou o Platense à final da Copa da Liga, quando perdeu para o Rosario Central — 1 a 0. Na volta, após comandar o Fortaleza, na luta contra o rebaixamento para a Série B, o ex-atacante xeneize assinou compromisso até 2028. Em seguida recebeu uma equipe reforçada principalmente para a Libertadores. Continua após a publicidade Chegaram Víctor Cuesta, zagueiro experiente que passou por Inter e Botafogo; o uruguaio Nico "Diente" López, ex-Inter e Nacional. Além deles, desembarcaram Gastón Togni, Luciano Giménez, Gonzalo Lencina e, mais recentemente, Bruno Sepúlveda. Mainero e o goleiro Juan Pablo Cozzani continuam no elenco, mas o campeão de 2025 já não existe da mesma maneira. O time perdeu peças, mudou de treinador e, principalmente, deixou de transmitir a mesma sensação que fez tanta gente classificá-lo como "mata-gigantes". Os números recentes no Campeonato Argentino ajudam a explicar a diferença. O Platense faz um Clausura irregular, ocupa a parte inferior de seu grupo e não chega exatamente embalado. Na Libertadores, só três vitórias consecutivas. No Maracanã, entretanto, a equipe que tantas vezes foi eficiente defensivamente cometeu erros que não poderia diante de um adversário de melhor nível. Dois gols sofridos em desatenções, golpes que agora obrigam o Calamar a fazer quase o jogo perfeito em casa. Palermo insiste que a série não está encerrada. E está correto em não entregar os pontos. O futebol já produziu viradas muito mais improváveis. Além disso, há um fator que não pode ser desprezado: o Vicente López. O estádio é pequeno, próximo ao campo, barulhento. O ambiente é completamente diferente daquele encontrado no Maracanã. O Platense sabe que precisará transformar cada dividida, cada bola parada e cada minuto de pressão em combustível para tentar construir uma noite histórica. Continua após a publicidade No sábado, o Calamar perdeu (2 a 1) para o Estudiantes, em La Plata, pelo Clausura, jogo tratado como secundário por ambos. Palermo poupou jogadores pensando no Fluminense, assim como Alexander "Cacique" Medina, mirando o confronto com o Corinthians, quarta-feira. A conta para amanhã é simples. O Fluminense pode perder por um gol e ainda assim avançará. Se perder por dois, haverá pênaltis. Uma derrota por três ou mais gols significaria eliminação. Para o Platense, portanto, não basta jogar bem. Não basta competir. Não basta ser valente. Campeão argentino contra todas as previsões, chegou às quartas da Libertadores logo em sua primeira participação. Agora precisa fazer algo ainda maior: derrotar o Fluminense por três gols de diferença. Palermo conhece o peso de mata-matas contra brasileiros desde os tempos de jogador do Boca Juniors. Também sabe que há noites em que o estádio empurra e um time aparentemente inferior consegue transformar um jogo. Mas, ao contrário dos tempos de centroavante do Boca, desta vez não haverá Riquelme ao lado para dividir a responsabilidade. 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