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Guto Miguel é campeão juvenil de Roland Garros João Fonseca é o principal rosto da nova geração do tênis brasileiro, mas está longe de ser um caso isolado. Enquanto o carioca já se consolida entre os principais nomes do circuito profissional, uma série de jovens talentos começa a chamar atenção nas categorias juvenis e reforça a sensação de que o país vive um momento especial no esporte. Guto Miguel se tornou o novo número 1 do mundo do ranking da ITF para tenistas de até 18 anos , além de ter sido campeão de Roland Garros no juvenil. Durante a competição no saibro, ele encarou o compatriota Leonardo Storck na semifinal - e, apesar de ter sido eliminado, Leonardo realizou a sua melhor campanha da carreira em torneios de Grand Slam e é atualmente top 50 no ranking juvenil. 1 de 5
Guto Miguel em ação na semifinal juvenil de Roland Garros — Foto: Tim Clayton/Getty Images Guto Miguel em ação na semifinal juvenil de Roland Garros — Foto: Tim Clayton/Getty Images Victoria Barros , de 16 anos, na terceira posição do ranking mundial juvenil, tornou-se a primeira juvenil brasileira no feminino a chegar à semifinal de Roland Garros em quase 40 anos. Naná Silva , também de 16 anos, caminha para ocupar o quinto lugar do ranking. As duas já integram a equipe brasileira da Billie Jean King Cup, principal competição de nações do tênis feminino. — Eu não gosto muito de geração de ouro, eu acho que uma boa geração. Essas definições, geração de ouro, não sei o que, eu acho que o tempo dirá se vai ser de ouro. Ou não. Que a gente está numa posição boa, a gente está. Isso não resta dúvida — declarou Léo Azevedo, Head Coach do Time Rede Tênis, onde treinam Naná e Guto Miguel, preferindo manter-se moderado em relação às expectativas em torno dos novos talentos. 2 de 5
Victoria Barros e Naná Silva se enfrentam na final do Banana Bowl — Foto: Luiz Candido/CBT Victoria Barros e Naná Silva se enfrentam na final do Banana Bowl — Foto: Luiz Candido/CBT Para o treinador, uma das explicações para o surgimento simultâneo de tantos nomes promissores está justamente na proximidade entre eles. Diferentemente de outras épocas, os principais talentos brasileiros da nova safra convivem com frequência, treinam juntos e compartilham experiências nos torneios. Essa geração tem até sido chamada, nas redes sociais, de "Brazilian Storm" do tênis - uma referência ao apelido dado à tempestade de talentos do surfe nacional. E ela não se explica apenas pelo talento individual. Na avaliação do treinador, o crescimento recente também é consequência de uma estrutura mais sólida, com mais torneios, mais patrocinadores, mais academias e mais oportunidades para participar de competições no Brasil. 3 de 5
Léo Azevedo (de camisa branca) ao lado de Guto Miguel, campeão juvenil de Roland Garros — Foto: Reprodução/Instagram Léo Azevedo (de camisa branca) ao lado de Guto Miguel, campeão juvenil de Roland Garros — Foto: Reprodução/Instagram — O que eu vejo é que muitos deles estão perto um do outro, treinam, a gente está junto em torneio. Acho que isso é uma coisa importante, que é um dos fatos principais, um puxar o outro, um se espelhar no outro. Além de ter mais investimentos voltados pro tênis, mais patrocinadores envolvidos, mais academias aparecendo e mais lugares para os jogadores treinarem. É um conjunto de tudo. Outro traço que une boa parte dos jovens brasileiros é o estilo de jogo. Em vez de atletas excessivamente reativos, a nova safra se caracteriza pela agressividade e pela busca constante da iniciativa nos pontos. Além das características técnicas, Azevedo destaca que muitos desses atletas já contam com uma preparação compatível com o alto rendimento internacional. 4 de 5
Cuiabano Leonardo Storck em Roland Garros juvenil — Foto: FFT Cuiabano Leonardo Storck em Roland Garros juvenil — Foto: FFT — Eu acho que, da nova safra dos brasileiros, uma coisa que chama a atenção são jogadores, a maioria, bastante agressivos. E se você reparar em Naná, Guto, João, Vitória... já tem equipes multidisciplinares por trás deles. , Embora reconheça o momento positivo, o treinador também faz um alerta contra comparações simplistas. Para ele, o Brasil sempre produziu grandes jogadores, ainda que em contextos diferentes dos atuais. 5 de 5
João Fonseca se despede de Roland Garros nas quartas de final — Foto: Shi Tang/Getty Images João Fonseca se despede de Roland Garros nas quartas de final — Foto: Shi Tang/Getty Images — O Brasil sempre foi um país que produziu jogadores, esporadicamente, ou por esforços individuais. Talvez agora a gente tenha mais lugares preparados para formar jogadores, talvez Bia, João venham num momento que tem mais mídia do que antigamente quando tinha o Guga.