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Em 2011, Carlens Arcus, do Haiti, fez intercâmbio no interior de São Paulo Uma viagem do Haiti para Ribeirão Preto (SP) mudou duas vidas em 2011. A de Carlens Arcus, então um garoto de 15 anos que iniciava parte de sua formação no Olé Brasil e hoje disputa a Copa do Mundo pela seleção haitiana, e a de Gesner Paul, responsável pela delegação, que no interior paulista conheceu a mulher com quem se casou e constituiu família. Quinze anos depois, mestre e pupilo vivem, cada um à sua maneira, um duelo especial entre Haiti e Brasil, que se enfrentam nesta sexta-feira, às 21h30, na Filadélfia, pela Copa do Mundo. Titular na estreia do Haiti, na derrota por 1 a 0 para a Escócia, Arcus carrega na bagagem uma passagem marcante por Ribeirão. Ele integrou uma delegação de 11 jovens haitianos que passou nove meses em Ribeirão Preto treinando no Olé Brasil. – Era um projeto do governo do Haiti para o Mundial, para a formação dos meninos. Vieram 11 garotos e eu – relembra Gesner. 1 de 7
Carlens Arcus Haiti x Escócia Copa do Mundo 2026 — Foto: Andrew Katsampes/ISI Photos/ISI Photos via Getty Images Carlens Arcus Haiti x Escócia Copa do Mundo 2026 — Foto: Andrew Katsampes/ISI Photos/ISI Photos via Getty Images Na época, Arcus ainda atuava como zagueiro. Foi no Brasil que começou a ser deslocado para a lateral-direita, posição em que construiu a carreira profissional. – Era um menino sério, ele jogava como zagueiro no Olé na época, depois caiu para a lateral, que é a posição que ele joga hoje. Eu tinha um olho bom, tinha confiança nele. Teve um torneio em Poços de Caldas, nós fomos campeões, ele foi bem. Era um menino trabalhador, comprometido. Depois da experiência no Brasil, foi para a França e ficou por lá. Virou jogador – conta Gesner. 2 de 7
Carlens Arcus, do Haiti, levanta troféu em sua passagem por Ribeirão Preto, no Olé Brasil — Foto: Arquivo Pessoal/Gesner Paul Carlens Arcus, do Haiti, levanta troféu em sua passagem por Ribeirão Preto, no Olé Brasil — Foto: Arquivo Pessoal/Gesner Paul 3 de 7
Carlens Arcus, lateral do Haiti, então com 15 anos, acompanhado de Gesner em entrevista ao repórter Dirceu Martins, da EPTV — Foto: Arquivo Pessoal/Gesner Paul Carlens Arcus, lateral do Haiti, então com 15 anos, acompanhado de Gesner em entrevista ao repórter Dirceu Martins, da EPTV — Foto: Arquivo Pessoal/Gesner Paul Após retornar ao Haiti, Arcus ainda passou pelo projeto Pérolas Negras, que possui atividades no Rio de Janeiro e no país caribenho, antes de seguir para a Europa. Defendeu Lille, Troyes, Auxerre e Angers, na França, além de Cercle Brugge, da Bélgica, e Vitesse, da Holanda. Pela seleção haitiana, soma 52 partidas e um gol. Mesmo à distância, Gesner nunca perdeu contato com o ex-pupilo, mas em tempos de mundial, preferiu não distrair Arcus da missão de representar o país caribenho no principal torneio de futebol do planeta. – A gente mantém contato. Eu acompanho a carreira dele. Ele agora está na concentração, eu até poderia entrar em contato, mas preferi deixar ele focado no Mundial. 4 de 7
Gesner Paul e Carlens Arcus mantém contato até hoje — Foto: Arquivo Pessoal/Gesner Paul Gesner Paul e Carlens Arcus mantém contato até hoje — Foto: Arquivo Pessoal/Gesner Paul Colecionador impressiona com álbuns raros da Copa, pacotes fechados e item de até R$ 20 mil Amor em Ribeirão A passagem pelo Brasil também mudou a vida de Gesner fora dos gramados. Foi em Ribeirão Preto que ele conheceu Ivone Souza, hoje Ivone Paul. O relacionamento começou durante o período de intercâmbio. Depois de retornar ao Haiti, Gesner decidiu voltar ao Brasil. – Nessa época eu conheci minha esposa, começamos a sair, a namorar, aí eu fui embora com eles, mas depois voltei. Aí nós casamos e tivemos nosso filho. Sim, foi o amor que me fez voltar ao Brasil. 5 de 7
Gesner Paul e a mulher Ivone: coração dividido entre Brasil e Haiti — Foto: Arquivo Pessoal/Gesner Paul Gesner Paul e a mulher Ivone: coração dividido entre Brasil e Haiti — Foto: Arquivo Pessoal/Gesner Paul 🔍 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google O casal teve Diogo Alan Souza Paul, hoje com 12 anos. E na casa da família, o clima para Brasil x Haiti será de torcida dividida. – Estamos ansiosos. Lá no Haiti quase todo mundo torce pelo Brasil, mas agora o pessoal está dividido. Lá em casa também está assim, a esposa torce para o Brasil, eu para o Haiti, e o coitado do nosso filho vai torcer pelos dois, mas é só na torcida, sem briga. 6 de 7
Ivone e o filho Diogo: família de Gesner estará dividida entre Brasil e Haiti — Foto: Arquivo Pessoal/Gesner Paul Ivone e o filho Diogo: família de Gesner estará dividida entre Brasil e Haiti — Foto: Arquivo Pessoal/Gesner Paul Esperança para o futuro Vivendo uma grave crise política e social, o Haiti disputa apenas sua segunda Copa do Mundo. A primeira participação havia sido em 1974. Para Gesner, o atual elenco representa uma esperança em meio às dificuldades enfrentadas pelo país. – No momento, o Haiti passa por uma situação difícil, com gangues, por isso quase todos jogam fora do país. Acho que temos uma mistura boa e o time será melhor para a Copa de 2030. 7 de 7
Haiti vive grave crise política e de violência — Foto: Guerinault Louis/Anadolu via Getty Images Haiti vive grave crise política e de violência — Foto: Guerinault Louis/Anadolu via Getty Images Sobre a estreia diante da Escócia, ele lamentou a derrota por 1 a 0, mas tem motivos para acreditar em bons jogos diante de Brasil e Marrocos. – Foi um jogo bom contra a Escócia. Faltou sorte para a gente, dava para ter empatado – concluiu Gesner.