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Só para assinantes Assine UOL Opinião A única forma de mudar a CBF é o tetra da Argentina Juca Kfouri Colunista do UOL 10/07/2026 20h12 Deixe seu comentário E se Messi busca o tetra? Imagem: ANNE-CHRISTINE POUJOULAT/AFP Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× POR EDUARDO BRIGIDI* Antes da espanholização do futebol brasileiro, a rivalidade Grenal era o combustível que fazia com que dois clubes do extremo sul do Brasil pudessem competir com os do Sudeste. Quando um estava bem, o outro fazia de tudo para superar o co-irmão, em ciclos sucessivos de uma luta fratricida. A chamada "gangorra" fez com que Grêmio e Internacional chegassem a ter mais Libertadores que o Rio de Janeiro e, proporcionalmente, mais até que São Paulo. Juca Kfouri França x Espanha: final antecipada uma pinóia Ronilso Pacheco Michelle Bolsonaro já tem tudo desenhado PVC Jorge Jesus fala a verdade sobre Neymar e CR7 Casagrande França entrará para história como uma das melhores O clássico Brasil-Argentina segue dinâmica parecida, até mesmo em seus efeitos na disputa mais ampla com os europeus. De 1958 a 1970, o Brasil inaugura seu primeiro reinado, com três Copas do Mundo e o rei Pelé. A Argentina dá o troco de 1978 a 1990, com duas taças, um vice e Diego Armando, o príncipe plebeu. O Brasil responde entre 1994 e 2002, também com duas Copas e um vice, mais uma linhagem de melhores do mundo que parecia infinita. A primeira final, a do tetra, eu assisti ao lado de um deles, quando a equipe infantil do Grêmio disputava torneio sul-americano em Minas Gerais (eu levava a camisa 8 e ele a 10, claro, mas ainda sem o "R"). Ah, aquela linhagem! Quintessência da alquimia da brasilidade, reis magos oito vezes coroados pela FIFA: Romário, dos gols de futevôlei; Rivaldo, da envergadura cambota, pernas arqueadas a cobrir metade da cancha; Ronaldo fenômeno da explosão; Ronaldinho, personagem da Turma da Mônica, a tirar coelhos da cartola; e Kaká, ponta-de-lança clássico a levitar pelos gramados. E chegamos a 2006, Copa da Alemanha. O Quadrado Mágico sai mais cedo de campo para eternizar-se no imaginário, em melancólico fim do segundo reinado brasileiro. Mal dávamos o último suspiro e a revancha argentina repetia a fórmula. Estreava, naquele mesmo Mundial, mais um canhoto onisciente com o estranho poder de, com o peso de uma pulga, retomar o controle da gangorra. Lionel Messi, autômato, inventou todos os zigue-zagues possíveis em planilhas de 105x68m. Com uma calculadora na ponta da chuteira, inventou improváveis hipóteses matemáticas com as variáveis pé+bola+espaço=rede. Resultado milimétrico: oito, exatas oito vezes eleito o melhor do mundo, soma dos prêmios vencidos pelo antigo império colegiado do futebol-arte. Continua após a publicidade Para cumprir sua missão, La Pulga precisou encontrar, além do time, o treinador ideal. Passou perto em 2014, mas foi somente com seu xará, o gentleman Lionel Scaloni, que conseguiu jogar bola suficiente para superar não só adversários, mas também as mazelas da AFA, a federação argentina. Antes de fazer o que fez em 2022, perdera a paciência na Copa América 2016, quando postou: una vez más esperando en un avión, qué desastre son los de AFA, por Dios! Atenta à rivalidade, a CBF, entre 2006 e 2026, não deixou por menos. Prisões de dirigentes, quarteladas, quatro treinadores em quatro anos, um deles em jornada dupla nas Laranjeiras, como se estivéssemos no Rio da Copa de 1950. Após o fim do principado de Messi, ¿qué pasará? A gangorra virará novamente? Surgirão, na Seleção, novos magos da verticalidade, ou condenaremos o mundo a jogadores de lado? Poderá a CBF transformar-se à francesa, a ponto de competir com os times europeus multiétnicos, a ponto de desafiar a vizinha para um novo duelo? Perder o título de único penta para os porteños representaria uma hecatombe na autoestima nacional-carioca, para não falar nos sagrados contratos de patrocínio, as galinhas dos ovos-de-ouro da Granja Comari. Continua após a publicidade Enquanto minha filha pré-adolescente chora escondida após a derrota para a Noruega, reflito se haverá vexame ou batida policial, 7 a 1 ou baile em Núñez, que sejam capazes de profissionalizar a CBF. Enquanto toda uma academia em Brasília vibra com os malfadados gols egípcios, penso que talvez somente o impronunciável e outrora impossível, o risco de a arquirrival alcançar o Brasil no panteão da FIFA, somente isso, quiçá, poderia impulsionar a transformação. Ao que tudo indica, a única forma de mudar a CBF é o tetra da Argentina. * Eduardo Brigidi, porto-alegrense e gremista, é diplomata desde 2008. Atualmente em Brasília, já trabalhou nas embaixadas do Brasil em Guiné-Bissau, Chile, Itália e México. É autor de "Brisas de Bissau" e "Ouverture". Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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