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Se conseguir que Yamal, Olmo e Nico Williams entrem minimamente em forma e ritmo de jogo durante a Copa 2026, a Espanha pode perfeitamente conquistar seu segundo Mundial. Independentemente disso, a Fúria certamente é o time que mais demonstra eurocentrismo. Nada geográfico ou diplomático, é um eurocentrismo futebolístico. Eu acompanho sempre muito de perto a seleção espanhola, entre outras coisas, pois me tornei um admirador incondicional do tiki-taka (posse de bola, precisão absurda no fundamento do passe, eficiência mega no "perde-e-pressiona" e paciência que irrita e cansa os oponentes até achar um corredor e matar o jogo), e nessa condição diferencio claramente a postura da Espanha em Copas do Mundo e em Eurocopas. Depois de 2010, quando tornou-se a maior do planeta na Copa da África, a Espanha que subiu para a primeira prateleira do futebol a partir de 2008 só joga no seu limite na Euro (que muitos consideram um Mundial sem Brasil e Argentina). O empate com a fraquíssima (mas valente) seleção de Cabo Verde mostra isso. Espanha 0 x 0 Cabo Verde | Melhores Momentos | 1ª rodada | Copa do Mundo 2026 No torneio do qual os espanhóis mais gostam, ela começou com o título de 1964. Depois, quando amadureceu a geração de Casillas, Sérgio Ramos, Puyol, Xabi Alonso, Xavi, Iniesta e Villa, empilhou 2008, 2012, e já com uma também boa geração de Rodri, Yamal, Olmo e Nico Williams, papou 2024 (ou seja, é a atual campeã europeia). A Liga das Nações começou em 2018, já teve quatro edições e a Espanha faturou a taça na de 2022/23. Já na Copa do Mundo... pós o inesquecível ano da graça de 2010, a Fúria foi eliminada na primeira fase em 2014, e nas edições de 2018 e 2022 parou nas oitavas. Com as mesmíssimas gerações. E nem é possível argumentar que é uma desculpa porque Copa do Mundo é mais difícil. Não é. Na fase final de uma Euro não chegam seleções como Cabo Verde. E, ok, Euro não tem Brasil e Argentina, mas sempre as grandes do Velho Continente estão lá - não se imagina uma Euro sem a Itália. Pensemos então nos europeus mais frágeis. A mesma Espanha que foi burocrática diante de uma seleção africana que jogava sua vida e sua história nesta segunda-feira jogaria com muito mais gana contra times como Eslováquia, Bósnia, Albânia, Hungria, Romênia... E estas europeias mais fracas, além de terem sua mecanicidade conhecida pelos espanhóis, raramente mostram o nível de entrega física e mental desempenhado por africanos, asiáticos e americanos. Contra Cabo Verde não vi os espanhóis tensos ou desesperados porque a bola não entrava. O time só mostrou traços de vida quando Yamal pegava na bola, no fim do jogo. Só não perdeu porque Cabo Verde parecia inebriado com a própria façanha e não queria arriscar ir à frente e tomar o contra-ataque. Se falarmos só de bola, a Espanha tem time para ser campeã nos Estados Unidos. Mas para isso terá de, primeiro, achar foco e motivação para ganhar dos não-europeus Arábia Saudita e Uruguai. E depois fazer um trabalho de hipnose nos jogadores para que pensem que o mata-mata é da Eurocopa, e não do Mundial...