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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Proibição das bets amplia o problema e pode ser suicídio eleitoral de Lula Mauro Cezar Pereira Colunista do UOL 17/09/2026 17h03 Deixe seu comentário Flamengo x Corinthians: juntos têm mais de 60 de milhões de torcedores. Patrocinados por bets Imagem: Gilvan de Souza / Flamengo Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O governo regulamentou as bets, cobrou outorga, criou a Secretaria de Prêmios e Apostas e agora ensaia, em plena campanha, uma medida provisória para jogar o mercado de volta à ilegalidade. Não é aperfeiçoamento da Lei nº 14.790/2023. É atalho eleitoral com data para valer já — e com o Congresso ainda longe de endossar o recuo. A conta pública é a primeira a sobrar na mesa. Só de janeiro a julho de 2026 a Receita registrou R$ 8,7 bilhões com jogos e apostas; em ritmo semelhante, o ano pode passar de R$ 16 bilhões. Proibir o que o próprio Estado autorizou é abrir mão dessa receita, encarar ação de quem pagou outorga e, no limite, devolver parte do que já entrou no caixa. Os clubes não esperaram o Diário Oficial. Na nota oficial de ontem, os signatários disseram o óbvio que Brasília finge não ouvir: as apostas de quota fixa viraram uma das principais fontes comerciais do futebol. Só o patrocínio máster na Série A chega a cerca de R$ 1 bilhão por temporada. No primeiro semestre de 2025, as destinações legais do art. 30 da Lei nº 13.756/2018 — mais de 8% do GGR — já superaram R$ 1,6 bilhão para clubes, atletas e o sistema esportivo. Matheus Pichonelli Flávio tira Moraes da TV e ganha reforço de Michelle A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Dirigente nenhum vai traduzir isso em nota técnica para a torcida. Dirão que o governo tirou o patrocinador de uma hora para outra e deixou o time ainda mais endividado. Em ano de urna, isso não é "ruído setorial". É camisa, arquibancada e presidência de clube contra o Palácio — o tipo de desgaste que poderá decidir muitos votos. O blog ouviu fontes do governo depois de o presidente receber o alerta. Uma delas relatou que o próprio Lula, nas entrelinhas de uma reunião com entidades e movimentos, ponderou o risco político e sabe que uma MP nesses termos teria pouca chance no Congresso, que já travou medidas de controle mais duras. Outra fonte disse que, na terça-feira, ele foi avisado de que as torcidas podem virar contra ele se os clubes amargarem o rombo. Ou seja: o Planalto não ficou cego. Está calculando se o gesto antibet melhora os números das pesquisas e se o Legislativo segura o resto. Medida provisória de efeito imediato serve a esse calendário. Não serve à fiscalização que a lei já prevê e que o governo não implementou por inteiro. O mercado ilegal, esse sim, já ganhou o intervalo e pode se fortalecer. Ferramentas de tráfego usadas pelo setor apontam que cerca de 50% do acesso brasileiro já vai para casas sem autorização. Redes sociais estimaram fatia ainda maior. A faixa de 50% a 65% não é achismo de gabinete: é o que sobra quando a plataforma legal exige CPF, limite e publicidade controlada, e a clandestina aceita Pix e WhatsApp de qualquer um. O blog acessou um desses sites e criou uma conta com um telefone, ela foi aceita de imediato sem que o número sequer fosse confirmado. Esses sites não fazem o controle que a lei cobra da operadora autorizada. Entra quem está no Bolsa Família, quem está no Desenrola, menor de idade. Há domínios que o mercado legal denuncia há semanas. O governo tira do ar, rapidamente a URL muda e eles reaparecem. O endereço responde com bloqueio de IP — "access restricted" —, o que só reforça o padrão da clandestinidade: some aqui, reabre ali, sem verificação de identidade, fora da lista oficial da Secretaria de Prêmios e Apostas e sem um responsável no Brasil. Um deles foi removido às 10 horas desta quinta-feira. Não demorou: já estava de volta ( veja abaixo ) em menos de 15 minutos! Casa de apostas desregulamentada no Brasil: governo tira do ar e reaparece em novo endereço Imagem: Reprodução Continua após a publicidade Casas regularizadas tentaram montar uma comissão, ir a Brasília e expor o ponto. Não foram recebidas. Quem sentou à mesa foi o movimento antibet, com argumentos que passam ao largo do que de fato opera no país: site que não paga imposto, não gera emprego aqui e segue no mercado brasileiro. Se a intenção do governo vingar, essas plataformas não fecharão; possivelmente se fortalecerão. Ficam com margem maior do que a da empresa legal, porque não patrocinam clube, não anunciam na TV e empurram o cliente no WhatsApp. A nota dos clubes acerta o diagnóstico que o Palácio evita: o problema antigo era ausência de regra, manipulação, marca usada por empresa sem autorização, vulnerável exposto. A resposta não é desfazer a regulação no calor da pesquisa. É fiscalizar o que já está na lei e apertar o ilegal de verdade — domínio, meio de pagamento, anúncio. Proibir o autorizado e deixar o clandestino no ar é inverter o sinal. No mercado, comenta-se que Lula deve receber representantes das bets legalizadas na volta da 81ª Assembleia Geral da ONU, na próxima semana, em Nova York. O resultado prático está escrito. Se de fato 62% já apostam onde o Estado não alcança, a MP não encerra o jogo: empurra o resto para o mesmo buraco. Cai o imposto, cai o patrocínio, sobe o site sem CPF. O Congresso, se for coerente com o que já fez, pode barrar ou esvaziar a medida. Até lá, o governo terá trocado arrecadação e clube por um slogan de campanha — e pode descobrir, tarde, que torcedor também vota. Com tantas grandes torcidas vendo seus times endividados e ainda mais enfraquecidos, não é difícil prever a reação de milhões deles diante da urna. Siga Mauro Cezar no X Siga Mauro Cezar no Instagram Siga Mauro Cezar no Facebook Continua após a publicidade Inscreva-se no Canal Mauro Cezar no YouTube Siga Mauro Cezar no Threads Siga Mauro Cezar no BlueSky Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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