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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte O pranto das crianças nas arquibancadas Milly Lacombe Colunista do UOL 02/07/2026 13h12 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× As câmeras das emissoras de TV captam o rosto de crianças aos prantos nas arquibancadas logo depois que o time delas leva um gol que parece ser definidor de eliminação. São muitas as imagens de crianças chorando a derrota definitiva com camisas distintas. De comum, apenas a dor. Uma dor que para quem tem mais de 45 anos é um túnel do tempo. Voltamos a 1982. Voltamos à imagem do menino chorando a eliminação do Brasil em Barcelona num 5 de julho que quem viveu nunca esqueceu. No Sarriá, José Carlos Vilella Júnior, então com 10 anos, chorou e seu pranto foi magnificamente capturado pelas lentes de Reginaldo Manente para o Jornal da Tarde. Eu tinha quatro anos a mais do que José Carlos e chorei como ele. Aquela foi a minha dor inaugural. Embora eu já tivesse sentido tristezas profundas com derrotas do Fluminense eu jamais havia experimentado o tipo de buraco existencial que a derrota para a Itália abriu em mim. Sakamoto Fiesp ataca fim da 6x1 para garantir a manicure em dia Wálter Maierovitch Extradição de Zambelli pode ser negada de novo Alexandre Borges Direita woke é o principal inimigo de Flávio Bolsonaro PVC Henry é a voz da Copa e, para ele, Olise é o craque Eu não possuía recursos para lidar com os sentimentos que a eliminação provocou. Não sabia o que estava sentido, não tinha as palavras para tentar elaborar, não tinha as ferramentas. Mas, de alguma maneira, aquela dor me fez mais forte e me contou coisas sobre o jogo que eu, de forma racional, não poderia ter entendido. Sergio Vaz, porta, diz que futebol a gente não vê; futebol a gente sente. Em tempos de análises cada vez mais baseadas em métricas as palavras de Sergio Vaz ganham ainda mais importância. Vejo as crianças nas arquibancadas e sei que o jogo está fazendo muito por elas. Esse esporte que amamos fala sobre derrotas, não sobre vitórias. Ele ensina a cair e mostra como levantar. Dos 48 times que foram para a Copa, 47 voltarão derrotados. Há derrotas e há derrotas. Há quem perca covardemente e há quem perca, como o Brasil em 82, esplendidamente. Há prantos e prantos. Há prantos de revolta e há, os mais belos, de tristeza. A vitória nos torna insuportáveis; a derrota forma caráter. Digo tudo isso para chegar onde nem eu sabia que ia dar. A beleza do que faz a França em campo não deveria estar vinculado ao título. Vindo ou não, esse é um time histórico que precisa estar entre os maiores que já houve. Se a França não vencer, muitas crianças francesas sentirão o que nós, as crianças de 82, sentimos naquela tarde de 5 de julho. Ficarão com o pacote completo: uma seleção encantada que respeitou em sua totalidade a natureza do futebol e deixou de presente a certeza de que a vida sempre acha jeito de recomeçar. Assine UOL e ganhe acesso a conteúdos exclusivos + uma camiseta da loja de UOL Esporte para torcer na Copa. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Como crise entre técnico, jogadores e federação derrubou Senegal na Copa Caso Gisele: 4º dia ouve coronel para quem tenente-coronel ligou após tiro Governo vê com preocupação efeitos de sanções dos EUA em bancos brasileiros Diarista presa por matar idosos em BH disse que ficou 'encantada' pela casa Sóstenes diz que operação da PF é 'clara perseguição' por ser líder do PL