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Baba das Nações: jogo reúne imigrantes de mais de 10 países em Salvador Marroquinos, guineenses, angolanos, haitianos, nigerianos, argentino, egípcio... Parece até Copa do Mundo, mas essas são algumas das nacionalidades representadas no "Baba das Nações" , jogo festivo disputado em Salvador , cidade mais negra fora do continente africano. 🗓️ Calendário da Copa do Mundo 2026: veja datas e horários de todos os jogos 🔎 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google 1 de 6 Jogadores aquecem antes do Baba das Nações, em Salvador — Foto: Felipe Teles / TV Bahia Jogadores aquecem antes do Baba das Nações, em Salvador — Foto: Felipe Teles / TV Bahia Participaram desse "Baba das Nações" imigrantes que se identificaram com a capital baiana e escolheram a cidade como casa. Alguns chegaram recentemente, e outros já têm mais tempo em solo brasileiro, como é o caso do chef de cozinha Salah Eddine. Natural de Rabat, capital do Marrocos, Salah está no Brasil há três anos e, a cada dia que passa, se mostra cada vez mais encantado com Salvador. - Eu vou fazer três anos aqui no Brasil. Eu via vídeos de Salvador ainda quando eu morava na Turquia, via a cultura, a comida... Eu gostei muito. Depois de um tempo eu cheguei aqui em Salvador. Fiquei muito feliz aqui. Eu cheguei e fui para o Namir (Núcleo de Apoio a Migrantes e Refugiados) para aprender o português. Ainda casei com uma mulher brasileira. Eu trabalho como chef de cozinha árabe, faço muita comida árabe - destacou Salah. 2 de 6 Baba das Nações: marroquino Salah em entrevista ao ge — Foto: Felipe Teles / TV Bahia Baba das Nações: marroquino Salah em entrevista ao ge — Foto: Felipe Teles / TV Bahia Salah, por sinal, não fez feio e mostrou por que essa geração marroquina promete dar trabalho ao Brasil na Copa do Mundo. Ele marcou o primeiro gol do jogo disputado no campo do Vale dos Barris, região central de Salvador. Marroquino de nascença e brasileiro de coração, Salah quase fica em cima do muro ao dar palpite para a estreia entre Brasil e Marrocos na Copa do Mundo, marcada para este sábado. - Eu não vou falar com o coração, eu vou falar a verdade... Na verdade, esse jogo [Brasil x Marrocos] é difícil para as duas seleções. Vamos ver, quem jogar bem vai ganhar. Mas eu acredito que o Marrocos vai ganhar, porque é um time que joga com o grupo. Mas o Brasil também é difícil, então eu vou colocar 50% de chance para cada - analisou Salah. 3 de 6 Salah comemora gol no Baba das Nações — Foto: Felipe Teles / TV Bahia Salah comemora gol no Baba das Nações — Foto: Felipe Teles / TV Bahia Além de Brasil e Marrocos, o Grupo C da Copa do Mundo tem Escócia e Haiti. O último foi representado no Baba das Nações por Ellie Joseph, responsável por ser o árbitro de um jogo muito festivo, mas disputado e marcado por algumas confusões. Com carisma, noção de jogo e um ótimo português, Ellie Joseph fez questão de avisar que o Haiti não vai à Copa à passeio. - O Brasil sempre está no Mundial, o Haiti vai participar do Mundial depois de 50 anos, então eu não posso deixar de torcer pelo Haiti. Não é sempre que a gente tem a oportunidade de ganhar do Brasil. No momento, a seleção brasileira vive sob dúvidas, então vamos ver se o Haiti pode aproveitar esse momento e meter um 2 a 0, sem exagero. O Marrocos a gente vai ganhar. O Marrocos, a Escócia está de boa. Contra o Brasil a gente vai encontrar dificuldades. Mas contra o Marrocos é garantido - brincou. 4 de 6 Haitiano Ellie Joseph, o árbitro oficial do Baba das Nações — Foto: Felipe Teles / TV Bahia Haitiano Ellie Joseph, o árbitro oficial do Baba das Nações — Foto: Felipe Teles / TV Bahia Novos horizontes no Brasil Boa parte desses imigrantes vieram de países do chamado Sul Global em busca de melhores oportunidades para crescimento pessoal e profissional. O fato da maioria ser de países africanos não é uma mera coincidência, afinal muitos encontraram em Salvador uma cultura parecida e acolhedora. Não à toa África e Bahia sempre tiveram uma relação muito próxima. É o caso do doutorando da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Amadu Bedam, que veio de Guiné-Bissau, um país na costa do Atlântico também colonizado por Portugal. Em Salvador, ele encontrou muitas semelhanças com seu país natal e não teve dificuldades de adaptação. - Diferentemente de alguns colegas, eu me adaptei com certa facilidade aqui. Eu acho que o clima e a gastronomia são idênticos em relação ao meu país. Eu me sinto realizado, eu cheguei aqui pensando em ter apenas uma graduação, lá em 2015. Depois fiz mestrado, e hoje estou fazendo doutorado. Eu me sinto realizado, é um sonho. Sou o primeiro da minha família a ter um nível superior. E hoje eu não tenho apenas o ensino superior, sou um mestre também e prestes a ser doutor. 5 de 6 Amadu Bedam, natural de Guiné Bissau — Foto: Felipe Teles / TV Bahia Amadu Bedam, natural de Guiné Bissau — Foto: Felipe Teles / TV Bahia Amadú também destacou a importância de encontros entre imigrantes para a união e troca de experiências. Uma simples partida de futebol como essa vai muito além da diversão, já que também é uma chance de compartilhar conquistas, experiências e achar formas de adaptação longe de casa e da família. - É muito bom. Queremos agradecer por essa oportunidade. É uma chance que a gente tem de se reunir, de acompanhar e fortalecer os nossos laços. A gente gosta de se reunir para jogar bola e conversar. É nesse momento que a gente se abre para falar das conquistas, das dificuldades. Não é apenas um momento de resenha e jogar bola, é um momento de troca de sentimentos - detalhou Amadú. Mariângela Nascimento coordena o Núcleo de Apoio a Migrantes e Refugiados (Namir). Ela conta que o Namir tem por objetivo propor eventos, aulas e criar uma rede de apoio para a integração dos imigrantes que chegam à Bahia. - Nós estamos fazendo vários trabalhos. Recentemente fizemos o mapeamento da população migrante na Bahia, e estamos entregando os resultados para as prefeituras para saberem quem são os migrantes que chegam nos municípios. Estamos fazendo várias atividades, como dar apoio a essa iniciativa da Globo que se alinha aos propósitos do Namir de trazer essa integração social entre as nacionalidades - afirmou Mariângela. 6 de 6 Jogadores no Baba das Nações — Foto: Felipe Teles / TV Bahia Jogadores no Baba das Nações — Foto: Felipe Teles / TV Bahia O placar do jogo não foi contabilizado. Também não tinha um time fixo, mas isso era o menos importante. A ideia mesmo era integrar e mostrar que o espírito de Copa do Mundo existe em todos os lugares, especialmente em Salvador.