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A Uefa confirmou, por meio de seus canais oficiais, ter recebido um volume substancial de documentos referentes ao caso Negreira. O material, que compõe um vasto dossiê com cerca de 50 mil páginas elaborado pelo Real Madrid, será agora analisado pelos inspetores de ética e disciplina da entidade máxima do futebol europeu.
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A entrega da documentação ocorre enquanto a Uefa dá andamento ao processo, aberto em março de 2023, sobre os pagamentos do Barcelona a José María Enríquez Negreira, ex-vice-presidente do Comitê Técnico de Árbitros da Espanha. Em seu comunicado, o órgão europeu limitou-se a atestar a recepção dos arquivos enviados pelo clube merengue, ressaltando que eles serão incorporados à revisão em curso.
Diante da repercussão do anúncio da Uefa, o Barcelona agiu rápido e emitiu uma nota oficial para esclarecer sua situação e rebater a narrativa de uma nova ofensiva jurídica. A principal linha de defesa da diretoria catalã é rechaçar veementemente a ideia de que o caso sofreu qualquer tipo de "reabertura" ou que uma nova investigação foi instaurada contra o clube.
"Esta investigação não foi reaberta porque nunca foi encerrada", destacou o comunicado. O Barça argumenta que o texto divulgado pela Uefa confirma pura e simplesmente o recebimento da documentação por parte do Real Madrid, não contendo qualquer juízo de valor ou pronunciamento oficial sobre o conteúdo do material fornecido.
O clube catalão também fez questão de frisar que sempre colaborou com as autoridades esportivas europeias. A diretoria ressaltou que, até o momento, não foi notificada sobre a queixa do Real Madrid nem recebeu qualquer nova exigência por parte dos inspetores da Uefa.
Para tranquilizar seus torcedores e acionistas, o Barcelona concluiu sua defesa reforçando que a equipe continua obtendo sua licença da Uefa normalmente e participando das competições continentais sem nenhum tipo de restrição. O clube mantém a postura de que qualquer desdobramento na esfera esportiva deve aguardar o desfecho definitivo do processo criminal que corre na justiça comum espanhola.
O caso envolve pagamentos realizados pelo Barcelona , entre 2001 e 2018, a uma empresa ligada a José María Enríquez Negreira , que ocupava o cargo de vice-presidente do Comitê Técnico de Árbitros durante parte desse período. A investigação busca esclarecer a finalidade dos valores e quais serviços teriam sido prestados ao clube.
Negreira e o Barcelona apresentaram versões segundo as quais os pagamentos estavam relacionados a serviços de assessoria e relatórios sobre arbitragem. A apuração, porém, colocou os pagamentos sob investigação justamente pela posição ocupada pelo ex-dirigente dentro da estrutura de arbitragem espanhola.
O caso veio a público em 2023 e passou a ser investigado também pelas autoridades esportivas e judiciais. Naquele momento, o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin , classificou o episódio como extremamente grave, mas ressaltou que a análise disciplinar caberia aos órgãos independentes da entidade.
No âmbito espanhol, o processo segue sob análise judicial. A situação é diferente na Uefa, que possui seus próprios regulamentos e pode avaliar eventuais violações relacionadas às competições europeias.