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Futebol Bélgica troca estrelas por força do conjunto e tenta repetir feito de 2018 Thiago Arantes Colunista do UOL, em Barcelona 10/07/2026 05h30 Deixe seu comentário 6.jul.2027 - Romelu Lukaku, da Bélgica (camisa 9), comemora com os companheiros de equipe após marcar o quarto gol do time contra os EUA Imagem: JAMIE SQUIRE / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A vitória sobre o Brasil por 2 a 1, nas quartas de final da Copa do Mundo de 2018, é a maior da história do futebol da Bélgica. "Não há comparação com qualquer outra: um jornal escreveu que a seleção tinha 'derrotado Deus'", lembra o jornalista Sam Kunti, um belga apaixonado pelo futebol brasileiro. Aquela Bélgica tinha uma equipe recheada de jogadores no auge da forma, atuando em alguns dos maiores clubes do mundo: Kevin De Bruyne, Romelu Lukaku, Thibaut Courtois, Eden Hazard, Dries Mertens e Vincent Kompany. Os três primeiros tentam, oito anos depois, repetir o feito histórico de chegar à semifinal de uma Copa. Mas, quando entrarem em campo para enfrentar a Espanha, às 16h (horário de Brasília) desta sexta-feira (10), eles já não estarão cercados por companheiros tão famosos, nem a seleção será vista como uma das favoritas ao título. Juca Kfouri A França de hoje lembra o melhor Brasil Aline Sordili Consumo na Copa sai do estádio e entra no algoritmo Alicia Klein Onde estão mulheres e negros nas transmissões? José Fucs O Itamaraty e a falácia da intervenção dos EUA Depois de cair ainda na fase de grupos da Copa de 2022, a Bélgica iniciou uma renovação. A geração de ouro ficou para trás e deu lugar a um elenco que aposta menos no brilho individual e mais na força do conjunto. A mudança de mentalidade ficou clara nas palavras do goleiro Thibaut Courtois após a goleada por 5 a 1 sobre a Nova Zelândia, que garantiu a classificação às oitavas de final. Questionado se a Bélgica brigava pelo título, o jogador do Real Madrid preferiu conter a empolgação. Kevin De Bruyne marca o segundo gol da Bélgica contra o Brasil na Copa do Mundo de 2018 Imagem: Simon Stacpoole/Offside/Getty Images "Não, acho que não. Precisamos ser realistas. Neste momento, estamos longe de ser candidatos ao título. Acho que só quando você chega à semifinal pode começar a falar em conquistar a Copa. Antes disso, não faz sentido", disse, em entrevista à FIFA. Courtois é um dos remanescentes da chamada geração de ouro, que durante quase uma década foi apontada como candidata a dominar o futebol mundial, mas teve como maiores conquistas justamente a vitória sobre o Brasil e o terceiro lugar na Copa da Rússia. Do grupo atual, Kevin De Bruyne, Romelu Lukaku, Thomas Meunier e Axel Witsel também foram titulares naquele duelo contra a seleção comandada por Tite — todos começaram no banco na goleada por 4 a 1 sobre os Estados Unidos, nas oitavas de final. Hoje capitão, Youri Tielemans era reserva em 2018. Continua após a publicidade Mas a diferença entre as duas seleções vai além da idade dos veteranos. Se antes quase todo o time era formado por protagonistas de gigantes europeus, a Bélgica de 2026 reúne jogadores espalhados por centros menos badalados do continente. O volante Nicolas Raskin atua no Rangers, da Escócia. O Club Brugge, principal potência do futebol belga, cedeu três jogadores ao elenco, incluindo Hans Vanaken e Brandon Mechele, ambos de 33 anos, que só se firmaram recentemente nas convocações. Melhor em campo contra os Estados Unidos, Charles De Ketelaere foi apontado como um dos grandes talentos do mundo em sua geração, não conseguiu se firmar no Milan e só reencontrou o bom futebol na Atalanta. A grande exceção é Jérémy Doku. Titular do Manchester City, o ponta segue como a grande referência técnica da nova geração belga. Ao seu redor, porém, está um elenco que construiu sua identidade muito mais pela consistência coletiva do que pelo peso dos currículos. Essa transformação também aparece no discurso. Antes das quartas de final, Axel Witsel, um dos poucos sobreviventes da geração de 2018, evitou destacar qualquer individualidade. "Será o time inteiro que fará a diferença", afirmou. O técnico Rudi Garcia segue a mesma linha. Após a classificação sobre os Estados Unidos, resumiu a característica que mais valoriza na atual seleção. "É nos momentos difíceis que se vê a qualidade de um grupo", afirmou. Continua após a publicidade O discurso ajuda a explicar por que a Bélgica continua entre as oito melhores seleções da Copa, mesmo sem reunir um elenco tão estrelado quanto o de oito anos atrás. O caminho não foi fácil: depois de empatar com Egito (1 a 1) e Irã (0 a 0), o time fez 5 a 1 na Nova Zelândia, Na segunda fase, contra Senegal, os belgas perdiam por 2 a 0 e conseguiram a virada, já na prorrogação, vencendo por 3 a 2. Em 2018, a Bélgica encantava porque parecia ter um craque em cada posição. Em 2026, continua viva porque tem uma equipe sólida coletivamente. Sem o peso da geração de ouro, a seleção tenta provar que um coletivo sólido ainda pode levá-la de volta às semifinais da Copa do Mundo. A missão não será fácil: a Espanha, campeã da Eurocopa em 2024, entra como favorita. Ainda sem levar gols após cinco partidas, a equipe de Luis de la Fuente ainda conta com Lamine Yamal, que ainda não brilhou na Copa. Só que, se olhar para 2018 faz os belgas sentirem orgulho, há outra boa lembrança, desta vez envolvendo os espanhóis: em 1986, as duas seleções se enfrentaram pelas quartas de final da Copa do México. A Bélgica surpreendeu e avançou com vitória por 5 a 4 nos pênaltis, após 1 a 1 no tempo regulamentar. O jogo é lembrado no país como um dos grandes duelos da seleção belga em Copas. Nesta sexta, eles têm a chance de escrever mais um capítulo nessa história. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Renovação para 2030: 7 caras novas que podem pintar no novo ciclo do Brasil O que explica a crise de Brasil, Alemanha e Itália, maiores campeãs da Copa Mulher de direita no Congresso apoia política de paridade; homem, rejeita Copa aumenta lesionados do Flamengo e volta ao calendário de jogos preocupa Irã inicia nova era política após sepultamento de Khamenei