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Análise dos Times

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Carregando conteúdo exclusivo... Zinedine Zidane estreou à frente da França com uma vitória magra, 1 a 0 sobre a Turquia , fora de casa, na estreia da Nations League. O placar ficou pequeno diante do que o jogo desenhou: em quatro dias de treino, o time apresentou mecanismos com cara de semanas de trabalho, saída de bola em 3-2, um meia que ocupa o espaço que o próprio Zizou ocupava e Mbappé de volta à ponta esquerda. Nada disso é improviso. Repare na construção: ela começava sempre do mesmo ponto de partida, com variações de lado. Quando a jogada nascia pela direita, Koundé subia e Truffert ficava de base; pela esquerda, o oposto. Quando a saída era por dentro, Koundé recuava entre os zagueiros e os dois laterais subiam juntos, num 3-2 que servia de referência constante. O meio trocava de desenho conforme a fase, de base baixa e ponta alta para ponta baixa e base alta, mas a lógica permanecia a mesma: superioridade numérica para construir sem correria. O coração do time tem nome: Cherki faz o papel que Zidane exercia em campo. Ambidestro, predominantemente canhoto, ele encosta por dentro, conduz sob marcação, dribla em espaço curto e procura sempre o setor da bola. É a resposta à pergunta que todo treinador de ponta faz: quem sustenta a criação quando os extremos se abrem? Zizou finalmente achou um lugar para Cherki no time. A opção por Dembélé como centroavante explica o resto. Ele cai pelos dois lados, acelera nas costas da zaga e recua para arrastar o marcador, e ainda muda o jogo sem bola: Luis Enrique repete que nenhum centroavante do mundo pressiona mais e melhor que ele. Mbappé, por sua vez, voltou para onde rende, a ponta esquerda, onde recebe a bola no pé antes de acelerar, sem a correria precoce que vira impedimento quando ele parte de centro. A dúvida do Mbappé sempre morou no sem bola, e é aí que o trabalho de Zidane aparece em camadas. Em pressão alta sobre o tiro de meta, a França encaixa um 4-3-3 com os pontas nos laterais rivais. Quando o adversário avança, o time recua para um 4-1-4-1, com Koné sozinho ocupando a faixa entre linhas. E no bloco baixo, o mecanismo é inteligente: o volante do lado atacado protege as costas do ponta, liberado para assaltar a pressão sem a corrida de 50 metros para trás. O cartão de visitas pesa mais quando entra em campo o contexto. Zidane é tricampeão europeu consecutivo, mas a segunda passagem no Real saiu abaixo do que a própria história dele exige, e ele recusou bancadas por anos esperando a vaga deixada por Deschamps com os Bleus. Quatro dias de treino foram suficientes para transformar teoria em modelo reconhecível de jogo, com padrão definido em todas as fases. Isso é raro. A França de Zidane tem tudo para ser mais forte que a soma das peças, e é exatamente aí que mora a diferença entre técnico e organizador de talento. O risco imediato chama-se elenco e lesão: Mbappé saiu machucado no lance do gol e a Nations League vai cobrar profundidade de grupo. Se o modelo sobreviver aos reservas contra a Bélgica, Zizou terá construído em dias o que outros levam temporadas para montar, e a Europa vai precisar reaprender a temer a França.