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Só para assinantes Assine UOL Opinião O dia em que o São Paulo morreu (e eu também) Juca Kfouri Colunista do UOL 17/08/2026 14h00 Deixe seu comentário Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Imagem: Érico Leonan POR ROGÉRIO BAPTISTINI* Durante sessenta anos, eu dediquei o que tenho de melhor, que é a imaginação, ao São Paulo Futebol Clube. Hoje, no dia 15 de agosto de 2026, desisto, em caráter definitivo, de dedicar os meus sonhos a essa ilusão. Em que pese à diretoria e aos conselheiros, que não passam de parasitas, os que vestem a camisa e entram em campo são os meus ídolos desde a infância. O jogador de futebol foi meu primeiro botão. Era o craque que eu acompanhava na Gazeta Esportiva, na revista Placar. Sérgio; Forlán, Jurandir, Dias e Gilberto; Édson e Nenê; Paulo, Terto, Toninho Guerreiro e Paraná formaram o meu primeiro time de botões. Depois, vieram Valdir Peres, Nelson, Chicão, Pedro Rocha, Gerson, Mirandinha, Serginho (o meu maior!) e tantos outros. Até que eu tive idade e consciência crítica para escalar o meu onze, que me acompanha até hoje: Valdir Peres, Getúlio, Estevan, Bezerra e Antenor; Chicão, Teodoro e Neca; Viana, Serginho e Zé Sérgio. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Há quem escale a zaga com Oscar e Dario Pereira. Há quem considere o maior centroavante Careca. E eu aceito e aplaudo. Mas futebol é sonho. O capitalismo financeiro, com essa história de "futebol empresa" difundida pelas mídias corporativas, destruiu o que formava a identidade popular. Confinou, assim como fez com o carnaval, o futebol nas grades da programação das televisões. Roubou o autêntico popular. Hoje, os jogadores agem como atores de seriados ou de telenovelas. Não se preocupam com o jogo, com a camisa que vestem nem com a torcida. Apenas interpretam, entediados, um enredo. O que querem mesmo é visualização e riqueza. Após acompanhar pelo canal pago o jogo em que o São Paulo empatou em casa, no Morumbi, com o Coritiba, por 1 a 1, tive a certeza de que vivo no passado e de que me neguei a perceber que morreu o fenômeno que cunhou a minha identidade. O que a ditadura não matou, o capital financeiro destruiu. Já não há mais canção de Jorge Ben ou Gilberto Gil a evocar o evento e o craque. O narrador que falava com o seu povo inexiste. O jogador que nos representava em sua fúria santa tampouco está nos gramados, hoje transformados em sala de estar de nossas mães, forradas com carpetes. Tudo mudou. Continua após a publicidade Só resta a memória, que luta contra o esquecimento, como enfatizou Milan Kundera. Se ela perecer, virá o fascismo eterno. * Rogério Baptistini é Doutor em Sociologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho -Unesp (2001); Mestre em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas -Unicamp (1995); Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho -Unesp (1990). Professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Pesquisador com interesse nas áreas da Sociologia Brasileira, do Pensamento Político Brasileiro e do Estado e do Desenvolvimento no Brasil. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Juca Kfouri por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Lula e Janja vão a SC pela 1ª vez na campanha e buscam voto feminino Empresário é condenado por agredir ex-Miss Rio Branco; defesa vai recorrer Médico é levado à polícia por chamar mulher para atendimento em 'cativeiro' TSE aceita abrir ação de Flávio contra Lula por desfile no Carnaval do Rio Carol Peixinho e Thiaguinho celebram um ano do filho: 'Tudo para mim'