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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Esporte Agência da CBF já analisa pré-acordo Lamacchia e Vasco por Fair Play Rodrigo Mattos Colunista do UOL 14/08/2026 05h30 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A Agência da CBF já recebeu todos os documentos do pré-acordo entre Vasco e Marcos Lamacchia para compra da SAF. Com isso, já iniciaram-se os procedimentos para análise e posterior recomendações da operação. O clube vive atualmente grave crise financeira e está em Recuperação Judicial. Marcos Lamacchia tem a assinatura de um MOU (Memorando de Entendimento) com o Vasco. O empresário é filho de José Lamacchia e enteado da presidente do Palmeiras, Leila Pereira. Lamacchia pai já deu entrevista falando que era o avalista do projeto. O artigo 86 do Regulamento de Fair Play estabelece que uma pessoa não pode ter propriedade ou controle sobre mais de um clube da mesma divisão. E que se aplica essa vedação a parentes de primeiro grau, o que inclui enteados. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Diante das notícias, a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol instaurou um procedimento prévio de averiguação. E requisitou ao Vasco os documentos do acordo, incluindo o MOU. O clube forneceu as informações pedidas. O MOU já inclui todas as bases financeiras da operação e detalhes sobre a composição societária da nova empresa. Veja os dados a seguir: Números da venda do Vasco Total R$ 1,3 bilhão de dívida Continua após a publicidade Valor para o futebol e CT R$ 700 milhões Fluxo de caixa para cinco anos R$ 200 a 300 milhões de déficit por ano (total previsto de até R$ 1,5 bilhão) Ao requisitar todos os documentos, a agência também fez perguntas ao Vasco e ao empresário Lamacchia. Como resposta, o Vasco e o empresário informaram não ver conflito no negócio entre as partes. Agora, o departamento técnico da agência analisa o documento e a composição societária para saber se entende que há infração ao regulamento. Continua após a publicidade A tendência é que um parecer sobre o caso seja encaminhado para reunião da turma da agência da CBF em setembro. Aí será determinado se há potencial conflito e, portanto, será um aberto procedimento para determinar medidas. Partes envolvidas no caso entendem que a tendência é a abertura deste procedimento formal de investigação. Ao final, a turma da agência, em julgamento, vai determinar se há uma infração ao regulamento, se veta a operação ou se indica uma solução de remédio para a questão. O próprio regulamento fala em um "Blind Trust" em que o gestor não teria poder de interferir na administração enquanto houvesse conflito - isto é, enquanto Leila continue presidente do Palmeiras. A Agência tem, por regulamento, atuação posterior ao fechamento do negócio, com proposta de solução. Não tem o poder legal de vetar uma operação civil, mas pode negar o registro de dono no âmbito esportivo, no caso a CBF, se houver problemas. Se houver a indicação de conflito, a tendência é que Lamacchia e Vasco aceitem as recomendações propostas. Essa é posição atual revelada por fontes ligadas ao negócio. Ou seja, o negócio poderia ser fechado, mas com as eventuais restrições propostas pela agência. Isso obviamente se dentro dos procedimentos do Vasco a operação de venda for aprovada, isto é, aprovação no Conselho Deliberativo e depois na assembleia geral. Além disso, é preciso um acordo com a A-Cap, antiga acionista da SAF do Vasco. Continua após a publicidade A operação tem tal complexidade que não se espera uma conclusão até o final do ano com todas essas condicionantes. Enquanto isso, o Vasco atravessa grave crise financeira. Em Recuperação Judicial, o clube entrou com um pedido na Justiça para fazer novo empréstimo no valor de R$ 150 milhões. Essa operação - chamada Dip - seria feito por meio da empresa criada por Marcos Lamacchia para comprar o Vasco. À Justiça, o clube alegou que, se não for feita a operação, o clube entrará em colapso financeiro. Explica-se: o Vasco diz que sua receita prevista para 2025 é de R$ 500 milhões, mas o clube tem previsão de gastos de R$ 800 milhões. Ou seja, há um descasamento de R$ 300 milhões, isto é, um buraco para ser coberto. Por isso, a previsão de aportes nos pre-acordo para cobrir o vermelho nos próximos. Apesar de próximo do colapso financeiro, o Vasco está bem ativo na janela de transferência, tendo fechado contratações como Sosa e Colidio, pelos quais pagará direitos federativos. Como entrou com pedido de Recuperação Judicial antes das regras de Fair Play, o Vasco não sofre nenhuma restrição de gastos seja com salários ou contratações. Caso tivesse feito o pedido depois, não poderia gastar mais do que em períodos anteriores. Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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