🔎 ou veja todas as análises já realizadas

Análise dos Times

Palavras-Chave

Entidades Principais

Conteúdo Original

Adriana Samuel fez história nas Olimpíadas de 1996 , em Atlanta. A atleta se tornou, junto às outras finalistas, a primeira mulher brasileira a ganhar uma medalha olímpica. Na final do vôlei de praia, Adriana e Mônica Rodrigues ficaram com a prata, enquanto a outra dupla brasileira, Jaqueline Silva e Sandra Pires, ficou com o ouro. Segundos antes de uma exclusiva ao Lance! , a lenda do esporte olímpico brasileiro visualizou uma fã. A menina, que estava com um álbum das Olimpíadas em uma das mãos – com uma foto da ex-atleta – e uma caneta na outra, ficou realizada com o autógrafo e uma selfie. Após alguns minutos de entrevista, a interação com a garota virou assunto de Adriana ao relatar como ela enxerga a importância daquela medalha olímpica para as conquistas femininas no esporte brasileiro. "Você viu, um pouco antes da gente começar a conversar, aquela mulher pedindo autógrafo e falando: 'Queria agradecer vocês porque foi por causa daquela final que eu comecei a gostar de vôlei'. Acho que isso já diz muito sobre o tamanho daquilo tudo", comentou. Em 1996, essa recepção foi ainda maior. Adriana relatou que, quando ela e Mônica voltaram ao Brasil, a dupla foi recebida no aeroporto do Galeão como heroínas. No Rio, as duas ainda participaram de um desfile em um carro de bombeiros, algo inesquecível para a ex-atleta. "Parabéns, parabéns", ouvia sem parar, principalmente de outras mulheres, enlouquecidas com o momento histórico. A lembrança na memória de Adriana ainda é tão vívida que a ex-atleta lembra até o percurso do desfile. — Eu me lembro de que o trajeto foi pelo centro do Rio de Janeiro, na Avenida Rio Branco, e tinha milhares de pessoas, nas janelas dos escritórios, jogando papel picado, e muitas mulheres fazendo questão de parar na frente do carro de bombeiros e falar: 'Vocês são o nosso orgulho' — complementou. Para Adriana Samuel , o esporte em si já explica e reflete o sentimento que foi aquela conquista. Além da realização do sonho de toda uma geração, a medalha significava a representação do poder da mulher vitoriosa: "Nós simbolizamos uma série de tantas outras mulheres. É um orgulho e foi uma mensagem muito forte." A ex-jogadora acredita que aquela final abriu portas para futuras conquistas femininas no esporte brasileiro, principalmente no vôlei de praia. "Talvez não teria se tornado a modalidade que se tornou, supervitoriosa", questionou. A verdade é que, após 1996, o vôlei de praia feminino brasileiro conquistou medalhas em quase todas as Olimpíadas, com exceção apenas de Pequim 2008 e Tóquio 2020. — O esporte precisa de grandes conquistas para que possa se desenvolver dentro de um país. E que inspire a todos, jovens principalmente, que vão ver que é possível e vão querer fazer igual. É a tal da referência — afirmou Adriana Samuel. Para a ex-atleta, um dos pontos mais importantes daquela prata foi justamente "plantar uma semente" na modalidade. Mesmo sem saber, na época, o impacto que aquilo teria, Adriana a classificou como "imensurável". Enquanto as primeiras medalhas olímpicas femininas na história do Brasil vieram em 1996, outro feito inédito só ocorreu 12 anos depois. Nos Jogos Olímpicos de Pequim , em 2008, Maurren Maggi venceu a prova do salto em distância e tornou-se a primeira mulher brasileira e sul-americana a conquistar uma medalha de ouro em uma modalidade individual nas Olimpíadas. Contudo, a ex-atleta relatou que, no momento da vitória, não sabia todo o contexto que fez aquele ouro se tornar tão histórico. "Não fui com isso na cabeça. Eu não sabia qual seria a proporção e dimensão disso tudo", complementou. Assim que a prova terminou, Maurren soube o peso que aquela conquista carregava. No encerramento daquela edição, a atleta conduziu a bandeira do Brasil, algo descrito como "uma honra". Mesmo décadas depois, a ex-saltadora afirma que ainda colhe os frutos daquele ouro.