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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Mangueira é verde e branca: a relação entre Palmeiras e a Estação Primeira Alicia Klein Colunista do UOL 13/02/2026 05h30 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Dona Neuma, primeira-dama da Mangueira Imagem: Fernando Gabeira O Instagram acusou uma mensagem não lida. Era de Paulo Motoryn, jornalista do The Intercept Brasil com passagens por New York Times e Poder360 . Não nos conhecemos pessoalmente, mas ele ganhou no seu bar mitzvah algumas Revistas do Palmeiras do meu pai, amigo de longa data do seu. Sem saber que eu estava presente no dia em que as fotos a seguir foram tiradas, do alto dos meus 11 anos de idade, me perguntou se eu ajudaria a divulgar um texto por ocasião do carnaval. Ei-lo aqui. Por Paulo Motoryn Hoje, os palmeirenses têm na Mancha Verde uma escola de samba para torcer no feriado de Carnaval. Mas, da década de 1950 até meados dos anos 1990, o clube manteve uma relação histórica com outra escola — a Estação Primeira de Mangueira, do Rio de Janeiro, uma das mais tradicionais e vitoriosas do carnaval brasileiro. Vinicius Torres Freire Toffoli e os segredos que facilitam a mutreta Alicia Klein O show de vira-latismo do presidente do Flamengo Milly Lacombe Flu inaugura o Carnaval desfilando sobre o Botafogo Alexandre Borges O massacre no Canadá e o debate que preferem evitar Na internet, há poucos vestígios dessa história. Mas, por sorte, a ligação foi documentada em duas edições da Revista do Palmeiras, publicadas em 1994 e 1995, que registraram em texto e imagem a conexão entre o clube paulista e o Morro da Mangueira, no Rio de Janeiro. À época, a revista oficial do clube, chefiada por Marco Aurelio Klein, reunia um corpo de colaboradores incomum para uma publicação segmentada: Armando Nogueira, Fernando Morais, Clóvis Rossi, Sérgio Cabral e o cartunista Paulo Caruso, entre outros nomes históricos do jornalismo brasileiro. Nem todos eram palmeirenses. Mas o projeto editorial buscava ir além do noticiário esportivo e dialogava com o jornalismo cultural e político. Talvez por isso a publicação tenha documentado tão bem a relação entre a escola de samba carioca e o clube paulista. A história tem uma protagonista: Neuma Gonçalves da Silva, a Dona Neuma, uma das principais lideranças da Mangueira. Conhecida como primeira-dama da escola, foi durante décadas referência comunitária no morro, e é apontada como responsável por manter a coesão interna da agremiação. Foi em uma reportagem assinada pelo jornalista Garibaldi Otávio na edição de setembro de 1994 da Revista do Palmeiras que foi registrado, pela primeira vez em publicação de grande circulação, um dos fatos que une as duas agremiações históricas: Dona Neuma era uma palmeirense fanática. Jornalista lembrado por ter sido assessor de Miguel Arraes na Prefeitura do Recife e no governo de Pernambuco — e, anos depois, de Eduardo Campos —, Garibaldi escreveu um longo texto traçando paralelos entre o Palmeiras da era Parmalat, símbolo de modernização no futebol brasileiro, com a gestão da Mangueira nos anos 90, também marcada por maior profissionalização. Continua após a publicidade Na mesma edição da revista, um segundo texto aprofunda a história. Assinado por ninguém menos que Fernando Gabeira — jornalista, escritor, exilado político durante a ditadura e, posteriormente, parlamentar e comentarista de projeção nacional — o relato reconstrói a origem da presença palmeirense no Morro da Mangueira. Dona Neuma com a família Imagem: Marco Aurelio Klein A narrativa, segundo o próprio texto, foi contada a Gabeira por Dona Neuma. De acordo com o relato dela, a história começa com Lucas Matarazzo, comerciante de sapatos de Franca, no interior de São Paulo, que teria chegado ao Morro da Mangueira em estado de profunda tristeza. Levado por um conhecido, Lucas teria sido acolhido na comunidade e permanecido ali por um longo período. Nesse período, segundo Dona Neuma contou a Gabeira, ele passou a distribuir flâmulas e cartazes do Palmeiras aos moradores, perguntando se já tinham um time e incentivando-os a adotar o clube paulista. Ainda segundo o relato da primeira-dama da Mangueira, Lucas se tornou figura frequente nas conversas do morro, falando do Palmeiras como quem propõe uma causa. A história inclui um detalhe que a própria Neuma enfatizou a Gabeira: ela e Lucas teriam passado três noites seguidas comemorando a vitória do Palmeiras no Mundial de 1951, conquistado em terras cariocas, em festa no morro. Continua após a publicidade Gabeira não apenas escreveu o texto, mas contribuiu com fotos publicadas na revista, mostrando Dona Neuma com bandeira, flâmula e camiseta do Palmeiras, sempre cercada por familiares e moradores do morro. Um ano depois, em outubro de 1995, a revista voltou ao tema para registrar um novo capítulo da relação. Dona Neuma foi oficialmente nomeada Cônsul do Palmeiras no Rio de Janeiro. A cerimônia de entrega do diploma ocorreu em sua casa, no Morro da Mangueira, com a presença de Olavo Reale, responsável pela oficialização do título no clube,do ex-goleiro Oberdan Catani, ídolo histórico do Palmeiras e outras lideranças alviverdes. A publicação registra que Dona Neuma ofereceu uma feijoada à comitiva e destaca o caráter simbólico da nomeação. No mesmo ano, conta a revista, ela foi ao Parque Antártica, no jogo entre Palmeiras e Guarani, em setembro de 1995, pelo Campeonato Brasileiro, entrou no gramado vestindo a camisa do clube e foi ovacionada pela torcida. O momento ficou preservado em uma fotografia histórica, com Neuma à frente da arquibancada do antigo Palestra Itália. Ao fundo, uma faixa da Mancha Verde. A legenda impressa na revista registra a empolgação da torcida com a presença da lenda mangueirense: "Uh! Dona Neuma, uh, Dona Neuma! Uh, verde-e-rosa, uh, verde-e-rosa", teriam gritado os palmeirenses em coro. Dona Neuma no Parque Antarctica Imagem: Reprodução Continua após a publicidade Siga Alicia Klein no Instagram Se inscreva no canal de Alicia Klein e Milly Lacombe no YouTube Assine a newsletter da Alicia Klein Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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