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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Eu sei o que é de verdade um Corinthians x Palmeiras Walter Casagrande Jr. e UOL Do UOL, em São Paulo 11/10/2026 12h53 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Casagrande, com 19 anos, em disputa de bola com Luís Pereira Imagem: Arquivo Pessoal Palmeiras x Corinthians sempre foi palco para Morumbi ou Pacaembu lotados bem antes de existirem essas arenas padronizadas pela Fifa, além de entrarem as duas torcidas. Funcionava assim: Os ingressos eram vendidos nas antigas bilheterias dos estádios e, durante a semana do clássico, ficavam aquelas filas imensas de torcedores palmeirenses e corintianos juntos comprando seus ingressos. A Hora Pequenas cidades do agro explicam 1º turno de Lula Casagrande Eu sei o que é de verdade um Corinthians x Palmeiras Elio Gaspari Alexandre de Moraes está disposto a cair atirando Michelle Prazeres Trabalho invisível para pertencer ocupa tempo A torcida que comprava mais seria a maioria e normalmente era a do Corinthians, que era maior em todos os clássicos em São Paulo. Não porque a torcida corintiana era melhor que as outras, mas sempre foi maior. Arquibancadas divididas com uma mistura de cores, com bandeiras de um lado verdes e brancas e do outro as brancas e pretas. Fora as camisas que coloriam ainda mais a beleza das arquibancadas. Não é saudosismo, é simplesmente narrar o que não existirá mais e para quem nunca viu esse espetáculo ficar imaginando como era chegar num Morumbi com mais de 120 mil torcedores com as bandeiras balançando e os fogos explodindo no ar quando seu time entrava em campo. Está aí outra diferença que o futebol moderno matou. Continua após a publicidade Entradas separadas em campo e correndo e não andando. A gente ficava no túnel só esperando o nosso momento de entrar e receber toda a energia da torcida. Em 1982, em todos os clássicos, os rivais queriam entrar no mesmo momento que o Corinthians porque, se a gente entrasse antes, abafava a entrada deles porque a torcida corintiana tomava conta do Morumbi. Os jogadores de hoje não têm a mínima ideia da emoção que era e da energia que se recebia na entrada em campo do século passado. E fazer gols importantes para 120 mil torcedores? Edição da revista Placar com Mirandinha (à esquerda, com a camisa do Corinthians) e César Maluco (à direita, com a camisa do Palmeiras) Imagem: Revista Placar Continua após a publicidade Essa experiência não se tem mais no futebol de hoje. Lembro-me dos três gols que fiz contra o Palmeiras em 1982 na vitória por 5 a 1 em quatro minutos. O primeiro aos 38 minutos do segundo tempo, o segundo aos 39 e o terceiro aos 41, fechando a goleada. Eu com 19 anos, corintiano, de família toda corintiana, marcando três gols no maior rival com a camisa do meu time. Foi tudo tão rápido que a emoção se juntou uma com a outra que parecia uma eternidade e um só gol. Fiquei cego, não via mais nada, não ouvia nada, e me deu a impressão de que tudo aconteceu em câmera lenta. Continua após a publicidade Naquele ano fiz também dois gols contra o São Paulo no jogo que decidiu o primeiro turno, mas o mais importante foi o terceiro gol da final na vitória por 3 a 1. Abri e fechei o campeonato fazendo o primeiro gol contra o Santo André em julho na vitória por 1 a 0 e esse na final em dezembro. Quanta coisa aconteceu no meio desse caminho todo. Os três gols contra o Palmeiras foram os primeiros em clássicos estaduais que fiz como profissional do Corinthians. Hoje tem Palmeiras x Corinthians pelo Campeonato Brasileiro e tudo é completamente diferente de tudo que escrevi acima. Jogo numa arena, com torcida única, sem bandeiras, sem fogos, com os times entrando juntos e andando e com um público no máximo com 50 mil pessoas. Continua após a publicidade Outra diferença é que o Palmeiras disputa o título e o Corinthians, a fuga do rebaixamento. Sem contar que a chance de ser 5 a 1 para o Corinthians é zero; já para o Palmeiras não é tão impossível assim, mas acho difícil esse resultado acontecer. Os times de hoje, quando estão vencendo, tocam de lado e para trás para segurar o resultado; e naquela época a gente partia para cima para golear o rival mesmo. Foi assim que o Palmeiras também fez 5 a 1 no mesmo Morumbi em 1986 e, por coincidência, o gol do Corinthians também foi meu. Não esperem espetáculo; o futebol de hoje raramente oferece isso aos seus torcedores, mas, como disse o personagem do Lima Duarte no filme "Boleiros" do Ugo Georgetti: "Minha senhora, a senhora não sabe o que é um Corinthians e Palmeiras." Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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