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Futebol Venda de participação da Fifa reacende debate sobre escândalos do passado Valentin Furlan e Guilherme Padin Do UOL, em São Paulo 31/07/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante coletiva de imprensa Imagem: GARETH BUMSTEAD/REUTERS A proposta da Fifa de criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa que concentraria a exploração comercial de seus principais ativos e poderia receber investimento privado, provocou reação imediata das federações europeias e reacendeu comparações com modelos adotados pela entidade no passado. Negócios da Fifa Embora especialistas ouvidos pelo UOL ressaltem que não há indícios de irregularidades na iniciativa , eles afirmam que o projeto revive um debate antigo sobre a relação entre a entidade e empresas responsáveis por transformar direitos esportivos em receita. A comparação surgiu após a Fifa apresentar a ideia de criar uma subsidiária responsável pela gestão comercial de ativos como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes. A intenção é vender uma participação minoritária da empresa a investidores, mantendo o controle da entidade. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Para o especialista em marketing esportivo e PhD em Comportamento do Consumo Fernando Fleury , a proposta guarda semelhanças com modelos utilizados por empresas como ISL, Traffic e LiveMode, mas representa um passo além. Classificação e jogos Copa do Mundo A ISL era uma empresa externa que recebia ou comprava direitos da Fifa e ganhava com sua revenda. A Traffic operava de forma semelhante, sobretudo em mercados e competições regionais. A LiveMode representa uma evolução, ao integrar comercialização, produção, distribuição e construção de audiência. Mas todas continuam sendo empresas externas. Fernando Fleury, especialista em marketing Segundo ele, a principal mudança é que a Fifa deixaria de apenas contratar terceiros para explorar seus ativos comerciais. A Fifa pretende concentrar sua operação comercial numa empresa própria e vender uma participação dessa companhia a investidores. Portanto, não estará apenas contratando alguém para explorar seus direitos. Estará permitindo que terceiros participem economicamente da estrutura que transforma esses direitos em receita. Fleury resume a diferença da seguinte forma: "A ISL privatizava parte da comercialização. A FFE pretende privatizar parcialmente o motor comercial." Apesar da semelhança estrutural , o especialista afirma que a comparação não deve ser feita sob a ótica dos escândalos de corrupção que marcaram o futebol internacional. Continua após a publicidade Nico Williams (à esq.) e Ferrán Torres (à dir.) comemoram gol do título da Copa do Mundo Imagem: Howard Smith/ISI Photos/ISI Photos via Getty Images "Isso não permite comparar a proposta atual aos esquemas de corrupção da ISL ou da Traffic. Até agora, não há evidência nesse sentido. A comparação válida é de arquitetura, incentivos e governança" , disse. O que mudou agora? A antiga ISL foi a principal parceira comercial da Fifa durante as décadas de 1980 e 1990, negociando direitos de marketing e patrocínio de competições da entidade. Após sua falência, vieram à tona investigações que revelaram o pagamento de propinas a dirigentes esportivos para assegurar contratos comerciais. Anos depois, o chamado Fifa Gate também revelou esquemas de corrupção envolvendo empresas de marketing esportivo na negociação de direitos comerciais e de transmissão de competições, especialmente nas Américas. Para o advogado especialista em direito esportivo internacional Eduardo Carlezzo , entretanto, a estrutura proposta pela Fifa difere significativamente daqueles modelos. Continua após a publicidade Existem algumas diferenças importantes entre as operações que não podem ser ignoradas. Ao contrário da ISL, que era uma empresa terceira, plenamente independente e detentora dos direitos, a FFE é apresentada como uma subsidiária na qual a Fifa manteria o controle majoritário, com investidores privados entrando apenas como sócios minoritários e sem poder de gestão. Eduardo Carlezzo, advogado Ele também destaca que o projeto dependerá da aprovação das federações filiadas , algo inexistente nos contratos firmados no passado. Também há um processo de aprovação do projeto a ser votado pelas federações-membro, o que nunca existiu com a ISL Segundo Carlezzo , a própria estrutura de governança da entidade mudou desde os escândalos que marcaram a gestão da Fifa nas últimas décadas. "Do ponto de vista formal, a Fifa hoje tem uma estrutura de compliance e investigação interna muito mais sofisticada do que tinha durante a era ISL. O Comitê de Ética foi dividido em uma câmara investigativa e uma câmara julgadora, foram criados um Código de Conduta, um comitê de auditoria independente e canais de denúncia confidenciais", continuou. Presidente da Fifa, Gianni Infantino, chega ao estádio para a final da Copa do Mundo de 2026 entre Espanha e Argentina19 de julho de 2026 REUTERS/Agustin Marcarian Imagem: Agustin Marcarian/Reuters Continua após a publicidade Pressão comercial preocupa especialistas Na avaliação de Fleury, a principal discussão não está na legalidade do projeto , mas nos incentivos econômicos que podem surgir caso investidores privados passem a participar da estrutura comercial da Fifa. Entre as dúvidas levantadas pelo especialista estão a forma de remuneração dos investidores, a duração do investimento, a possibilidade de recompra das participações e o grau de influência que esses sócios poderão exercer sobre decisões estratégicas. "O risco é diferente do caso ISL. Antes, a dependência estava na relação com uma empresa externa . Agora, o interesse privado poderá estar incorporado contratualmente à própria governança comercial da Fifa. Isso não torna a FFE automaticamente pior, mas pode torná-la mais duradoura e mais difícil de desfazer." Para ele, justamente por se tratar de uma estrutura permanente , a discussão precisa ocorrer antes da implementação do projeto. A Fifa não está vendendo a Copa do Mundo. Está vendendo uma participação na máquina que transforma a Copa do Mundo em dinheiro. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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