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Esporte Infância pobre e jogador de beisebol: Carrascal antes de chegar ao Flamengo Bruno Braz e Alexandre Araújo Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ) 27/10/2025 05h30 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Carrascal, do Flamengo, celebra gol sobre o Racing em duelo da Libertadores Imagem: Jorge Rodrigues/AGIF Autor do gol que colocou o Flamengo um passo mais próximo da final da Libertadores, o colombiano Carrascal teve uma infância humilde e quase trilhou caminho em outro esporte. Antes de os pés fazerem a alegria da torcida rubro-negra, era com as mãos que ele buscava mudar o rumo da sua vida. Antes de me dedicar ao futebol, eu praticava beisebol. Dediquei-me ao primeiro porque tinha mais talento com os pés do que com as mãos (risos). Carrascal, à Rádio Caracol O beisebol é uma modalidade com bastante repercussão na Colômbia, com direito a jogadores atuando na MLB, a liga dos Estados Unidos. O país, inclusive, levou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2023, batendo o Brasil na final. Daniela Lima Tarifaço deu narrativa que Lula não tinha para 2026 Raquel Landim EUA colocaram o 'bode na sala' e agora cobram caro Casagrande Independente do campeão, Brasileirão está manchado Yara Fantoni Debate sobre arbitragem é aceso (de novo) Com cerca de seis anos, Carrascal treinava em um local chamado "Campo de Las Gaviotas". Por influência do pai, se dizia torcedor do New York Yankees, um dos times mais populares da liga norte-americana. Os efeitos que hoje ele dá na bola nos passes no meio de campo, buscando enganar os marcadores adversários, vêm de outrora. Eu era arremessador. Tentava fazer [bolas] curvas (risos). Agora, mais velho, tenho muitos amigos em Cartagena que são jogadores de beisebol. Carrascal, à Rádio Caracol O próprio meia deu pistas sobre isso ao chegar ao Rubro-Negro. Em um vídeo publicado pelo Fla nas redes sociais, ele participa de uma espécie de "ping pong" e, quando lhe perguntam sobre um "talento escondido", a resposta foi beisebol. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Flamigos (@flamigos2024) Nascido em Cartagena das Índias, o camisa 15 do Flamengo mudou-se de bairro e começou a frequentar uma escolinha de futebol do Heroicos FC. Aos poucos, trocou a luva e os tacos pela chuteira, com o apoio do tio, que viu potencial nele passou a levá-lo aos treinos. Continua após a publicidade Em um realidade que se assemelha a de diversos locais do Brasil, Carrascal cresceu em uma região pobre e teve no futebol um caminho para que o destino fosse outro ao que o cenário daquele momento oferecia. "Sempre fui um jogador talentoso, desde criança. Gostava de fazer pequenas coisas, truques e tudo mais. Eles chamam isso de 'chiches'. E é por isso que eu tive muitos problemas. Eu também já me meti em brigas, sabe o que quero dizer? Quando querem te bater no bairro, você tem que revidar, tem de ganhar respeito. Isso era um pouco complicado. Quando eu era mais novo, também brigava, carregava facas, tudo isso. Era um bairro super pobre, um bairro de classe muito baixa. Você tinha de se defender", disse, em entrevista ao jornal argentino Olé , em 2019. "A falta de oportunidades na minha cidade é muito complicada... Tem muitos talentos que se perderam por causa disso: porque é isso ou roubar, é isso ou você acaba na cadeia, ou você acaba morto. Eles não te oferecem opção. E as pessoas também podem estar muito confortáveis: gostam de ter dinheiro, de ter isso ou aquilo, e se não saem para trabalhar, procuram-no das formas mais sujas, vendendo drogas, vendendo todo o tipo de coisas. A verdade é que se eu não tivesse tido esse apoio familiar, ou de várias pessoas que me apoiaram muito, agora mesmo eu estaria em Cartagena e se não estivesse preso, estaria por aí a roubar", completou. 'Meus grãos de areia' Carrascal foi o último reforço anunciado pelo Flamengo na janela do meio do ano, após uma negociação com idas e vindas, e demorou a engrenar, mas não a cair nas graças da torcida. Agora, ele é peça importante para o Flamengo, na quarta, às 21h30, no jogo de volta contra o Racing — um empate garante o Rubro-negro na decisão. O colombiano, que chegou para assumir o papel de reserva do Arrascaeta, esteve em campo em 12 partidas, sendo autor de quatro assistências e dois gols — no clássico com o Vasco e contra o Racing. Continua após a publicidade "Como eu sempre disse, a ideia é aportar meus grãos de areia onde eu jogar, pela direita ou pela esquerda. A ideia é dar esse apoio aos companheiros e dar o máximo do meu potencial. E eu acho que é bom que cada dia vamos crescendo e melhorando". "Eu queria vir e, no final, deu certo. Desde que cheguei, muita gente falou que era substituto de Arrasca. Sempre disse que vim para o time para colocar meus grãos de areia em qualquer posição. A verdade é que eu venho trabalhando, me adaptando bem. O grupo me ajudou também e facilitou as coisas". Elogios de Filipe Luís Após o jogo contra o Racing, Filipe Luís fez elogios a Carrascal. O treinador enalteceu a evolução do meia colombiano e apontou que ele tem sido um jogador mais letal quando próximo ao gol adversário. "O Flamengo busca jogadores com muita qualidade, jogadores que sejam diferentes com a bola no pé, que saibam o que fazem, mas principalmente o que me deixa feliz no Carrascal é que é um jogador que melhorou ainda mais desde que ele estava lá na Rússia e a chegada dele aqui. A tomada de decisão no terço final, perto da área, é um jogador ainda mais letal do que era. Não sei se em algum momento da carreira dele ele esteve tão criativo e determinante perto da área, isso é o que me deixa mais feliz nessa evolução dele. Mas esse jogador que o Flamengo foi buscar, foi muito estudado e sabíamos da qualidade que ele tinha quando fomos buscar". Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Homem é absolvido de homicídio após vítima aparecer viva em audiência Por que o pênis encolhe, entorta e perde firmeza com o tempo PCC usa agrotóxico batizado e contrabandeado para invadir setor de R$ 21 bi 'Acho isso ridículo', 'fui espremido' e mais: as frases do GP do México Mitsubishi Outlander: híbrido aposta no conforto para peitar SUVs chineses