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Só para assinantes Assine UOL Reportagem São Paulo: Nicolas cita assistência e vai responder em liberdade após morte Gabriel Sá Colunista do UOL 04/08/2026 16h58 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O lateral-esquerdo Nicolas Bosshardt, de 19 anos, obteve liberdade provisória após audiência de custódia realizada nesta terça-feira (4), poucas horas depois de ser preso em flagrante pelo atropelamento que matou o idoso Paulo Rodrigues, de 84 anos, em Alphaville, Barueri. A decisão impôs medidas cautelares e suspendeu o direito de dirigir do jogador. O UOL apurou com exclusividade que a principal testemunha do caso não confirmou em juízo a versão de que Nicolas participava de um "racha" antes do acidente, ponto que sustenta a principal linha da investigação policial. Em seu depoimento, o jogador citou socorro prestado à vítima até o seu atendimento. Pela decisão policial, Nicolas deverá comparecer mensalmente em juízo para informar e justificar suas atividades, manter o endereço atualizado e não poderá se ausentar do local onde reside por mais de oito dias sem autorização prévia da Justiça. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo A principal linha de defesa do jogador é contestar a tese de participação em um "racha". Em depoimento à Polícia Civil, Nicolas afirmou que dirigia a aproximadamente 50 km/h no momento do ocorrido, velocidade que, segundo ele, pode ser comprovada pelo aplicativo de monitoramento Life360, instalado em seu celular e capaz de registrar trajeto, localização e velocidade do veículo. O UOL apurou que Douglas Carvalho, apontado pela Polícia Civil como uma das testemunhas do caso, não confirmou em juízo que Nicolas participava de um "racha" antes do atropelamento. Na ocorrência, Douglas havia relatado ter visto veículos em alta velocidade e afirmou ter questionado os motoristas sobre a possibilidade de uma disputa, versão utilizada pela autoridade policial para fundamentar o flagrante e o indiciamento. O acidente aconteceu na Alameda Rio Negro, em frente ao Shopping Iguatemi Alphaville, em um trecho de curva cuja velocidade máxima permitida é de 40 km/h. No inquérito, a autoridade policial sustenta que os elementos reunidos até o momento apontam para velocidade incompatível com a via e possível participação em disputa automobilística. Pelas imagens da câmera de segurança é possível ver que Rodrigues surge correndo de forma abrupta na via rápida. O que disse Nicolas Bosshardt Em interrogatório, Nicolas afirmou que havia jantado no restaurante Ráscal com os amigos Igor Felisberto e Ryan Francisco, também jogadores do São Paulo, e negou que qualquer um deles tivesse ingerido bebida alcoólica. Segundo o jogador, ele seguia para casa quando visualizou "uma pessoa correndo do lado direito, na direção do carro". Ele disse ter desviado para a esquerda, percebido posteriormente que o retrovisor direito havia sido quebrado e retornado imediatamente de marcha à ré ao local do acidente. Continua após a publicidade Nicolas afirmou ainda que acionou a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros, permaneceu no local durante todo o atendimento e ressaltou que o aplicativo Life360 registrava velocidade estimada de 50 km/h. Também negou categoricamente que estivesse disputando racha ou competindo com outros veículos. O que disse a testemunha Douglas Carvalho, a principal testemunha ouvida pela Polícia Civil, afirmou que trafegava pela região quando viu dois veículos em alta velocidade descendo a Alameda Rio Negro. A testemunha relatou que, poucos segundos depois, encontrou a vítima caída na pista e iniciou os primeiros atendimentos até a chegada do Corpo de Bombeiros. Segundo ele, Nicolas retornou de marcha à ré ao local e permaneceu até a chegada do resgate. Douglas também afirmou que questionou Nicolas e o motorista do Honda Civic, Igor Felisberto, sobre a velocidade. Segundo seu relato, ambos confirmaram que estavam em alta velocidade, mas disseram que já haviam reduzido antes do ponto do atropelamento, negando que estivessem praticando racha naquele momento. Douglas, entretanto, declarou que os havia visto trafegando em alta velocidade instantes antes. Ele também esclareceu que não presenciou o momento exato do atropelamento, pois tudo ocorreu rapidamente. Depoimentos de Felisberto e Ryan Continua após a publicidade Ryan Francisco, atacante do São Paulo, afirmou que saiu do restaurante à frente dos amigos, dirigindo um Audi, a cerca de 40 a 50 km/h. Em depoimento, ele contou que já seguia em direção à Rodovia Castelo Branco quando recebeu uma ligação de Igor informando sobre o acidente. Segundo ele, retornou ao local e permaneceu com Nicolas até o jogador ser levado para a delegacia. Ryan afirmou não ter presenciado o atropelamento e negou que ele, Nicolas ou Igor estivessem praticando racha após deixarem o shopping. Já Igor Felisberto declarou que seguia logo atrás da BMW conduzida por Nicolas quando viu um homem atravessar a via. Segundo ele, Nicolas não teve tempo para frear nem desviar, tornando inevitável o atropelamento. Igor afirmou que, ao deixarem o shopping, trafegavam entre 60 e 70 km/h, mas que reduziram a velocidade ao entrar na Alameda Rio Negro em razão das lombadas e da maior circulação de veículos e pedestres. Ele também negou a prática de racha e afirmou que retornou ao local, permanecendo até ser liberado pela Polícia Militar. O que disseram os policiais militares Continua após a publicidade Os policiais militares relataram que foram acionados pelo Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) para atender a ocorrência e encontraram a vítima, de 84 anos, atropelada. Eles registraram que Paulo Rodrigues morreu após ser encaminhado ao pronto-socorro. Segundo os PMs, havia informação de testemunha indicando que a BMW conduzida por Nicolas participava de um racha com um Honda Civic branco. Um dos policiais afirmou que conduziu Nicolas ao plantão policial e o outro confirmou integralmente os fatos, acrescentando apenas que não foi necessário o uso de algemas. Polícia manteve indiciamento Apesar da versão apresentada pelo atleta, o delegado responsável entendeu que os depoimentos, vídeos obtidos durante a investigação e demais elementos iniciais indicam que a BMW conduzida por Nicolas, o Honda Civic e um Audi trafegavam em velocidade incompatível com o limite da via, de 40 km/h, em circunstâncias que, na avaliação da autoridade policial, caracterizam participação em corrida ou disputa automobilística prevista no artigo 308, §2º, do Código de Trânsito Brasileiro. Por isso, foi mantida a prisão em flagrante, posteriormente substituída pela liberdade provisória durante a audiência de custódia. Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. 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