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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte O Brasil derrete enquanto os homens exercem seus podres poderes Milly Lacombe Colunista do UOL 16/09/2026 09h30 Deixe seu comentário 15.set.2026 Sessão plenária extraordinária do STF Imagem: Alejandro Zambrana/STF Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O Brasil assistiu nesse já histórico 15 de setembro de 2026 a um espetáculo trágico, mas revelador, sobre como o poder dos homens se articula e se reinventa. Estava tudo ali para quem quisesse ver. Muitos homens e uma mulher que, atônita, testemunhava a prática de um ritual da masculinidade: gritos, interrupções, ofensas, voz alta - a eterna medição fálica espetacularizada e embalada na ideia de que nós estamos aqui para vê-los agir nesses termos, como se, desse tipo de atitude, pudessem ser circulados erotismo e libido. Não, nós não queremos ver esse triste espetáculo. O que sentimos vendo homens exercerem seus podres poderes é repulsa. Time A, time B ou time C. Não importa. O teatro é melancólico e masturbatório: enquanto fingem que estão atuando em nosso nome estão mesmo tentando impressionar uns aos outros. "O poder masculino extravasa suas forças na palavra, na voz, no pensamento e nas coalizões", escreveu a antropóloga Debora Diniz no Instagram depois que a sessão no STF foi encerrada. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo A naturalização desse tipo de prática de poder bloqueia nossa imaginação para outras formas de vida, outras maneiras de nos associarmos e compartilharmos nossas existências dentro desse planeta. São esses os homens que desde 1500 transformam o Brasil em um território de violências, saques, corrupção e exploração. A história do Brasil é a história de homens brancos em situação de poder fazendo besteira. Uns com os outros, uns para os outros. Em festas, em surubas, em gozo. É a história de homens que se dizem muito cristãos mas se entregam a todo tipo de traição. É a história dos prostíbulos e dos cafetões que exploram as trabalhadoras sexuais. É a história de um poder que não é distribuído de dia, mas apenas à noite. A história de como a cultura heterossexual masculina quer se apropriar dos corpos das "novinhas". É a história de homens de capa que fingem que vão nos salvar enquanto lucram e acumulam riqueza a partir de seus cargos públicos, misturando-se o ambiente do Capital, lambuzando-se de autoridade, de agressividade, de obscenidade. Saiu da boca da única mulher à mesa o resumo do que sentimos: "estou em estado de consternação e de tristeza", disse a ministra Cármen Lúcia. Faltou acrescentar a palavra "revolta" porque, sem ela, não mudaremos nada. "O nosso exercício é olhar para aquela cena e produzir distância. Sustentar a democracia exige firmeza. Exige também reconhecer que, naquele quadrado, transbordou o que há de pior no poder masculino", finalizou Diniz em seu Instagram. O Brasil só sai desse lugar no momento em que o patriarcado for desarticulado. Seria essa a ocasião para falarmos disso. O debate não é econômico, não é social, não é ético, não é moral. O debate é sobre um grupo de pessoas que há séculos domina muitos outros em benefício próprio. É sobre como os Epstein e os Vorcaro são subprodutos de um poder masturbatório e homoafetivo. O debate é, em sua totalidade, identitário: ele fala sobre o que faz com o mundo o homem branco, heterossexual e cisgênero quando em situação de poder. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Eleição já sofre cerco dos EUA. Resta saber alcance da mão peluda de Trump Lula diz que quer ganhar eleições para manter Jair Bolsonaro preso Empresário é condenado por agredir ex-Miss Rio Branco; defesa vai recorrer Lula e Janja vão a SC pela 1ª vez na campanha e buscam voto feminino Médico é levado à polícia por chamar mulher para atendimento em 'cativeiro'