Conteúdo Original
Futebol Flamengo tem plano para reduzir distância do Palmeiras em vendas da base Igor Siqueira Do UOL, no Rio de Janeiro 25/08/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Ryan Roberto defendeu o sub-20 do Flamengo e foi para o Shakhtar Imagem: Reprodução/Instargam A venda de Allan ao Manchester City por 40 milhões de euros (R$ 240 milhões) consolida o Palmeiras como principal vendedor de jogadores nos últimos anos no Brasil. Sobretudo quando se trata de nomes formados na base. Mas e o Flamengo? Existe um plano para tentar compensar isso. Qual o cenário De 2019 a 2025, o rubro-negro registrou R$ 2,17 bilhões de arrecadação com negociação geral de jogadores. Os valores foram atualizados pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O Palmeiras vendeu mais em números absolutos, segundo os balanços dos clubes. Ainda sem contabilizar a ida de Allan, tinha batido no mesmo período R$ 2,21 bilhões — também atualizados pelo IPCA. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Mas o pulo do gato (ou do Porco) para gerar uma diferença vem de 2023 para cá. Danilo reabriu um padrão mais alto de vendas no Palmeiras. Dentro desse período de três temporadas (2023, 2024 e 2025), o clube somou R$ 1,5 bilhão de receita com transferências. As negociações de jogadores da base superam R$ 1 bilhão e envolveram 73% do que o clube faturou nesse item. Nesse mesmo recorte de três temporadas, o Flamengo até teve R$ 966 milhões com transferências de jogadores. Mas os crias do Ninho representaram cerca de 62% desse faturamento. Como reagir? A estratégia rubro-negra para tentar ter uma formação mais rentável ainda está em execução. A diretoria já avisou que 2026 não vai ser um ano tão positivo. Mas a ideia é ter na prática gerações mais badaladas a partir de 2027. A política de contratações de garotos no Flamengo sofreu mudanças na gestão Bap. O clube passou a fazer desembolsos mais relevantes, proporcionalmente, para trazer jogadores com o intuito de reforçar as categorias de formação. Continua após a publicidade "A gente não espera um ano brilhante em 2026, mas em 2027 a gente vem voando baixo. Estamos contratando pontualmente garotos que acreditamos que possam estourar. A ideia é comprar oito, dez garotos desses para posições do time profissional e que tem carência no mercado. É um conceito de banqueiro de investimento. Se um estourar, pagou por todos os outros", disse o presidente do Fla, em dezembro, quando anunciou os resultados do primeiro ano de gestão. Bap citou que o foco é no talento. E o clube tem buscado em diferentes centros do país, em mercados intermediários e até no exterior, jovens que tenham potencial. Semana passada, o Fla anunciou o lateral-esquerdo Miguel Távora, 18 anos, que estava no Operário-PR. O salto do Palmeiras O Palmeiras colhe frutos de um trabalho de formação de jogadores que resulta em talentos usados no time principal e em dinheiro no bolso. Continua após a publicidade Olhando a origem das receitas de cada clube, para o Palmeiras é mais "necessário" vender jogadores do que para o Flamengo. Na conta do relatório Convocados, feito pelo economista César Grafietti, as transferências corresponderam a 40% da receita total do Palmeiras em 2025. No caso do Flamengo, essa fatia corresponde a 26% do bolo arrecadado no ano. O rubro-negro conseguiu cifras mais robustas na parte comercial e direitos de TV/premiação. Nessa indústria de jogadores, antes de Allan, o Palmeiras negociou Endrick, Estêvão, Luís Guilherme e Vitor Reis, só para citar operações que extrapolaram pelo menos R$ 100 milhões. E majoritariamente as negociações relevantes de saída do Verdão são de jogadores formados em casa. Já na gestão Bap, o Fla tentou contratar o diretor da base palmeirense, João Paulo Sampaio. Mas não conseguiu. O setor hoje é chefiado por Alfredo Almeida, português que veio com o diretor de futebol José Boto. Continua após a publicidade Da base x De fora No Flamengo, se Vini Jr (pré-2019), Paquetá e Reinier trouxeram uma sequência de jogadores ofensivos que atraíram investimento europeu, o perfil nos últimos anos foi mudando. E isso fez a curva de vendas se tornar irregular. Sobretudo quando há uma separação entre os jogadores que são formados na base ou não. De 2019 a 2026, são 50 operações lançadas no balanço envolvendo crias do Ninho. Do que foi discriminado pelo Flamengo, o montante gerado no período foi de R$ 1,2 bilhão (segundo os números lançados na época da negociação). O Flamengo arrecadou em média R$ 24 milhões com cada jogador. Entre os jogadores que não foram formados na base rubro-negra, o Fla arrecadou R$ 644,5 milhões — destaque para as duas vendas de Gerson, que, juntas, renderam R$ 281,8 milhões. Nessa lista, um mesmo nome pode aparecer mais de uma vez, caso haja lançamento de receita em mais de um ano (Pablo Marí e os bônus gerados por ele são exemplo). Cinco negociações superaram os R$ 100 milhões, gerando uma concentração de R$ 670 milhões em Wesley, Paquetá, Reinier, Matheus França e João Gomes. Continua após a publicidade Até ano passado, o top-5 em vendas da base do Palmeiras entre 2019 e 2025 já batia R$ 800 milhões. Em 2026, Allan vem para desequilibrar ainda mais a conta a favor do lado palmeirense. Allan, do Palmeiras, comemora gol sobre o Fluminense em partida do Brasileirão Imagem: Ettore Chiereguini/AGIF Diferença de espaço Nos nomes mais recentes estão Wesley (lateral-direito) e João Gomes (volante). Só que quando se trata de pontas habilidosos ou atacantes, a produção do Flamengo tem alcançado menos retorno financeiro, individualmente. Já em 2026, por exemplo, o atacante Ryan Roberto foi vendido ao Shakhtar por R$ 56 milhões sem nem ter jogado direito no profissional — só atuou quando o Fla recorreu ao sub-20 no Carioca. Continua após a publicidade O Flamengo até vendeu o meia Matheus França em 2023 por R$ 126 milhões, mas o jogador passou longe de ter a consistência e relevância dos talentos palmeirenses. Um jogador diz muito sobre o cenário da base e o aproveitamento de jovens dos dois lados: Richard Rios. Richard Rios durante jogo entre Flamengo e Vasco Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF O colombiano saiu do Flamengo para o Guarani por R$ 1,87 milhão. Depois de se destacar no Palmeiras e virar jogador de seleção, gerou uma transferência ao Benfica que rendeu R$ 140 milhões ao clube paulista. No Flamengo, para um jogador jovem se consolidar parece mais difícil, sobretudo no setor ofensivo. A badalação vem com contratações robustas. No elenco atual, tirando Paquetá, que já saiu e voltou com pompa, o volante Evertton Araújo é o cria do Ninho com mais espaço. Mas é reserva. Continua após a publicidade No Palmeiras, Estêvão, Allan e Endrick foram protagonistas. Oportunidade ou necessidade? Vender é importante para manter a roda girando. A boa posição financeira de Flamengo e Palmeiras nos últimos anos traz certo conforto e aumenta o poder de negociação à mesa. Mas por outro lado, não se desfazer de jogadores pode significar outra coisa: a manutenção de um time forte para brigar por títulos. O Flamengo tem média de idade alta e sabe disso. No mercado, está atrás de nomes com menos de 26 anos, até para ter margem para revenda futura, sem perder a competitividade. Com estratégias e resultados diferentes na formação, Palmeiras e Flamengo se colocam mais uma vez como rivais aos principais títulos nacionais e continentais. Seja pela formação ou pelo alto investimento dos dois, essa concorrência tende a ser duradoura. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora TSE aceita abrir ação de Flávio contra Lula por desfile no Carnaval do Rio Lula e Janja vão a SC pela 1ª vez na campanha e buscam voto feminino Eleição já sofre cerco dos EUA. Resta saber alcance da mão peluda de Trump Qual exercício ajuda a aliviar gases e 'destravar' o intestino mais rápido? Flávia Saraiva é ouro nas barras assimétricas em etapa da Copa do Mundo