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Análise dos Times

Motivo: O artigo foca na seleção brasileira e em um incidente ocorrido em seu treino, explorando as dinâmicas internas da equipe.

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Motivo: O Botafogo é citado como exemplo de resolução de conflitos internos, mas não é o foco principal da análise.

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Motivo: O Flamengo é mencionado em um episódio de briga entre jogadores, servindo como mais um caso ilustrativo.

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Motivo: O Santos é citado em relação a um incidente envolvendo Neymar e Robinho Jr. em treino.

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Motivo: O Real Madrid aparece em um exemplo de conflito entre jogadores, mas é secundário na matéria.

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Palavras-Chave

Entidades Principais

Flamengo Botafogo Santos Casemiro Real Madrid Neymar Endrick Valverde Marçal Varela Vanderlei Luxemburgo Tchouameni Fred Maurício Copertino Júnior Santos Robinho Jr. Diego Ribas Rwan Cruz André Mazzuco Seleção brasileira

Conteúdo Original

Futebol 'Código dos boleiros' aceita entradas como a de Casemiro em Endrick Alexandre Araújo e Igor Siqueira Do UOL, no Rio de Janeiro 04/06/2026 14h32 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Siga o UOL Esporte no Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A cena que mais chamou a atenção no primeiro treino completamente aberto da seleção brasileira nos Estados Unidos não foi um drible ou um golaço. A entrada de Casemiro em Endrick viralizou e gerou debate. Mas como os próprios jogadores costumam lidar com esse tipo de situação? Para além das disputas, o que é tolerável ou permitido entre eles? Carrinho por trás pode? Há algo inegociável no mundo dos boleiros: entradas desleais por trás — carrinhos ou pontapés — são inaceitáveis no treino. Mesmo em atividades mais "pegadas". Julián Fuks O sonho da literatura, no tempo do desencanto Josias de Souza Flávio Bolsonaro perde de goleada em casa Luiz Henrique Matos Desertos de notícias são uma ameaça à democracia PVC Seleção brasileira recupera harmonia perdida Na seleção, o carrinho de Casemiro em Endrick não gerou reações dentro de campo no momento da jogada. Não pareceu algo intencional, para machucar. O volante cumprimentou o jovem atacante, e a atividade prosseguiu normalmente. Num treino de Copa do Mundo, quem tirar o pé não vai jogar. Se você faz um treino pegado desse e um jogador fica se protegendo para não se machucar, o treinador olha e pensa: 'Não estou contando muito com ele, vou contar com aquele que entra'. E o segundo fator é o seguinte: treino tem falta, gente Walter Casagrande, ex-jogador e colunista do UOL A situação com Casemiro chama a atenção porque o volante já lesionou um jogador da seleção em um treino pouco antes da estreia na Copa. Em 2018, quando o Brasil treinava em Londres, ele deu um carrinho que gerou lesão no tornozelo do volante Fred. 0:00 / 0:00 'Código dos boleiros' O UOL conversou com jogadores, técnicos e executivos de futebol para traçar qual o comportamento aceitável nos clubes da elite no Brasil. Continua após a publicidade "O treino pegado exige confronto, contato e competição. O limite, na minha visão, está na intenção: quando a intensidade deixa de ser para competir e passa a ser para machucar. Um pisão ou uma entrada com intenção de ferir, quem conhece futebol identifica isso com facilidade. É uma linha tênue, eu sei, porque num esporte de contato como o futebol a competitividade pode deixar marcas. Mas essas marcas podem acontecer sem que haja deslealdade. No futebol, a gente consegue distinguir isso muito bem", opina Diego Ribas, ex-meia de Fla, Santos e seleção brasileira. Outro caso recente, como o tapa que Neymar deu no rosto de Robinho Jr. no treino do Santos , mostra que situações extremas podem ser mais comuns do que você imagina. Mas muitas vezes o código de ética informal dos atletas mantém conflitos sob sigilo. O que acontece no vestiário ou no campo fica por lá. Foi o que aconteceu no Mundial de Clubes no elenco Botafogo. "Eu não fiquei no banco contra o Atlético de Madri. Não foi por opção do treinador. Rwan Cruz e eu saímos na porrada. Eu estava com o olho roxo. Ele, com a testa machucada. Ninguém soube disso. Foi para valer mesmo, (briga) de gente grande. E fica dentro do vestiário", revelou o zagueiro/lateral Marçal, ao UOL . Situações que acontecem diante de mais gente tendem a vazar. No Flamengo, Gerson já saiu no soco com Varela e também deixou marcas no rosto do lateral uruguaio. No Real Madrid, outro uruguaio levou a pior: Valverde teve um traumatismo cranioencefálico após bater a cabeça numa mesa durante briga com Tchouameni. Continua após a publicidade Mas, em geral, a política dos jogadores é tentar resolver sem lavagem pública de roupa suja. Não tem manual escrito. O que é escrito é com a história. O que acontece no vestiário fica no vestiário. O que acontece no campo fica no campo. Marçal, lateral/zagueiro do Botafogo De onde nascem as regras? Há questões mais explícitas, inseridas nas cartilhas de cada clube ou do treinador em questão. Outros comportamentos são exigidos pelo senso comum, de uma tradição boleira que remonta a outros tempos. Essa variação de cultura envolve, por exemplo: pode treinar sem caneleira? Para uns, sim. Para outros, o item é obrigatório. Apresentação antes do treino: 1h30 ou 1h de antecedência? Pode descer para o refeitório de chinelo ou de tênis? Isso vai variando. "As regras são orientadas por valores, princípios e caráter. O respeito existe, mas é um ambiente de alta performance, e ambientes assim exigem desentendimentos e confrontos. Não existe uma lista fixa, isso varia de clube para clube. Mas o que predomina sempre é o caráter", comenta o ex-meia Diego Ribas, que atuou por 12 temporadas na Europa Continua após a publicidade Em alguns times, dependendo do técnico, a falta de combate nos treinos se reflete nos jogos, e por isso que as comissões tentam calibrar a cultura interna. "Eu já cheguei em um clube com o Vanderlei [Luxemburgo], e os jogadores falaram que o treinador anterior não deixava fazer falta. Percebemos que o índice de faltas era muito baixo. Os jogadores adotaram aquele comportamento e levaram para o jogo", afirma Maurício Copertino, que foi auxiliar de Luxemburgo. Eles têm uma regra entre eles. Jogadores geralmente se respeitam. Pegar por trás é proibido. Se der uma porrada por trás, pode machucar. No jogo, vai expulso. Quer fazer a falta? Segura Maurício Copertino , treinador e ex-zagueiro Há treinadores que curtem a competitividade. Mas quem extrapola pode ser tirado da atividade para esfriar a cabeça. Xingamento pode? Os palavrões são corriqueiros no mundo da bola. Mas existe um limite. Quando o jogador manda um "vtnc" para o alto, e não necessariamente direcionando ou intimidando o colega, a galera deixa passar. Continua após a publicidade Se for algo mais pessoal e direcionado, aí a turma do deixa disso pode intervir. Na maioria das vezes, é resolvido ali mesmo, durante o treino, movido pela vontade de vencer e melhorar. O desrespeito começa quando a ofensa ultrapassa o debate profissional, por mais acalorado que seja, e se torna pessoal. É aí que as coisas começam a perder o controle Diego Ribas, ex-meia da seleção brasileira Quem resolve? Pelo código dos jogadores, é preciso estabelecer instâncias bem claras para resolução de problemas. A primeira é entre os próprios atletas. Depois, entra o técnico. Em último caso, o diretor de futebol. "Cabe ao executivo, dentro da organização do departamento, validar e criar rotinas no clube, com regras internas. O executivo precisa trabalhar isso junto aos capitães e à comissão técnica, com uma comunicação clara. Há alguns degraus: primeiro, resolver entre eles (jogadores). Depois, entre eles e comissão técnica. E depois, no executivo, para mediar eventual conflito", contou o executivo de futebol André Mazzuco, que tem passagens recentes por Internacional, Athletico e Botafogo. Se o assunto foi parar em notas oficiais públicas ou notificações de advogados, é porque a situação gerou um descontrole acima do normal, com repercussão que vai além do vestiário. Continua após a publicidade As pessoas acham que jogador é milionário, ganha dinheiro, e esquecem que existe um ser humano. Existe uma pessoa com frustração, tristeza. Às vezes estamos mais estressados, passamos do ponto, e somos julgados por pessoas dentro de casa, que não veem quanto o jogador está sendo criticado, apedrejado. Muitos jogadores passam por um estresse extraordinário e têm que entrar em campo e resolver. Às vezes passamos do ponto, mas a gente sempre se acerta Júnior Santos, atacante do Botafogo Por que o vestiário é 'sagrado' O termo é famoso no mundo da bola. Mas de onde vem e o que significa? Os jogadores entendem que precisam de um ambiente para eles, sem interferência ou ouvidos externos. "O vestiário é sagrado porque precisa ser um ambiente de proteção. O futebol é um esporte de enorme exposição, muita cobrança e muita crítica. Lá dentro, um cuida do outro, e esse cuidado inclui também cobrar e exigir. O sagrado do vestiário é isso: discutir e cobrar lá dentro, mas também solucionar lá dentro, diante de tudo que o mundo externo impõe", explica Diego Ribas. Isso impacta desde as conversas mais duras e tensas até questões menos centrais, como qual a música que toca e quem escolhe a playlist. Jogadores e comissão se incomodam quando dirigentes resolvem surfar em alguma sequência de vitórias para entrar no vestiário. Continua após a publicidade Conflito de gerações? A questão geracional e o tempo de casa também fazem parte dos meandros da convivência nos vestiários de futebol. A relação entre Casemiro e Endrick tem esse ingrediente também. Na seleção, novatos pagam um trote: sobem na cadeira e cantam uma música. Nos clubes em geral, jovens servindo os pratos para os mais velhos ou limpando a chuteira depois do treino? Pode acontecer. "Quem está no futebol há algum tempo sabe que muitas coisas acontecem e tudo se resolve no dia a dia. Tem essa disputa sadia, não pode faltar o respeito. Os mais velhos querem sempre ajudar os mais novos", disse Alex Telles, lateral-esquerdo do Botafogo. Mas tem uma questão relacionada à sociedade e ao mercado que pode afetar essa relação. A conduta em relação aos mais velhos ficou bem mais flexível. Em termos financeiros, já tem jogador ganhando grana relativamente boa logo no primeiro contrato como profissional. Continua após a publicidade O desafio é não errar a mão. Seja nos privilégios ou nos puxões de orelhas. "Todos precisam ser respeitados, independentemente de ter 16, 17 ou 35, 40 anos. Fui aprendendo isso ao longo do tempo, até porque já fui aquele jovem um pouco rebelde", observa Diego Ribas. "Nunca gostei de jogadores ou treinadores que esculhambavam jovens por serem jovens e aliviavam para os mais experientes. O tratamento tem que ser igual. Por parte dos jovens, é importante entender que o respeito existe, e, por parte dos mais experientes, também há respeito por aqueles jovens que têm personalidade e se impõem", conclui. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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