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Esporte Futebol Meia da Chape sobreviveu a tiro no rosto e lembra: 'Ficou mais difícil' Renan Liskai Do UOL, em São Paulo 21/02/2026 05h30 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia João Vitor em ação durante jogo entre Chapecoense e Brusque pelo Campeonato Catarinense Imagem: Liamara Polli/AGIF O ano de 2026 marca a estreia de João Vitor, volante da Chapecoense, na Série A do Brasileirão. Mas isso não aconteceria se ele não tivesse escapado de uma tentativa de latrocínio (roubo seguido de morte) em 2019. Sobrevivente João Vitor estava em momento-chave na carreira quando o caso aconteceu . O meio-campista havia acabado de voltar da disputa da Copinha e, aos 20 anos, vivia a transição da base para o profissional. O atleta e um primo participavam de uma confraternização em família, em João Pessoa (PB) , e haviam saído de moto para buscar uma roupa quando foram atacados por ladrões. João levou um tiro no rosto. Wálter Maierovitch Prisão preventiva de Eduardo pode vir em breve Paulo Camargo 2026 será o ano mais fragmentado da década Juca Kfouri O Campeonato Brasileiro deste ano vai pegar fogo Carla Araújo Suprema Corte abala Trump, que dobra aposta Fui vítima de latrocínio, tomei um tiro no rosto, foi um dia terrível. Estava na garupa da moto e foi completamente do nada mesmo. Não chegaram para falar nada, só escutei o cara gritando: 'ei'. Quando eu fui virar o rosto para ver se eu conhecia, só escutei o tiro. Me assustei, senti o impacto e a única reação que eu tive foi de correr. Pulei da moto e entrei dentro de uma casa de um pessoal que abriu a porta para mim. João Vitor, ao UOL João Vitor, jogador da Chapecoense, durante recuperação após levar um tiro no rosto Imagem: Arquivo pessoal A bala atingiu o maxilar de João Vitor . O jogador precisou fazer uma cirurgia após ter a região do rosto trincada e passou praticamente um ano parado. A pausa na carreira prejudicou os planos do jogador . O estafe dele analisava algumas ofertas de clubes, mas precisou parar as tratativas. Foi neste período em que ele pensou em parar de jogar. Tudo ficou mais difícil para mim depois disso no meio do futebol. Era um ano de progressão, de sair da base para conseguir um clube no profissional. Havia algumas propostas. Perdi um ano da minha vida. Hoje é só uma história, um testemunho que eu tenho de vida e que me ajudou a chegar onde eu cheguei. João Vitor João não tem uma cicatriz tão evidente, mas tenta não lembrar do que aconteceu . O jogador se apegou à família e aos amigos ao longo dos anos para deixar o caso de lado e seguir a vida. Continua após a publicidade Relacionadas Chape vira time dos minutos finais e se mantém invicta em volta à Série A Corinthians tem desconto na dívida de R$ 180 milhões com acordo fiscal Painel da Fifa discute punir atletas que taparem boca após acusação de Vini Eu procuro não lembrar, mas foi uma coisa que me marcou bastante. Não fiz terapia porque depois que aconteceu eu fiquei no hospital, tive que fazer cirurgia. Meu apoio assim foi em Deus, na minha família e em alguns amigos próximos. Eu não podia me locomover, não podia estar na rua, fazer nada. Eles iam na minha casa, que vivia cheia de gente. Isso foi o que me ajudou, me fortaleceu mais. Foi onde eu fui esquecendo disso. João Vitor Guinada e novo momento A carreira deu uma guinada desde a volta aos gramados . João Vitor teve a primeira oportunidade no profissional pelo CSP-PB, em 2020. De lá para cá, ele passou por Primavera-SP, Caldense-MG, Operário VG-MT, Vila Nova-GO, Avaí e Chapecoense. João Vitor em ação durante jogo entre Chapecoense e Coritiba pelo Brasileirão Imagem: Divulgação/Chapecoense João Vitor saiu da Série D para a Série A em um espaço de cinco anos e vive o auge da sua carreira . Em 2021, ele jogava a última divisão nacional pela Caldense e, em 2026, os 27 anos, foi contratado pela Chapecoense e fez sua estreia na elite do futebol brasileiro na semana passada, durante o empate da equipe com o Coritiba por 3 a 3. A chegada à Chape veio após destaque na última Série B por um rival . João Vitor foi titular absoluto do Avaí, não conseguiu ajudar a equipe a subir, mas chamou a atenção. Continua após a publicidade É um sonho realizado. Acho que todo mundo, quando é criança, quer ser jogador, e quando se torna jogador, quer chegar ao nível máximo. Fico feliz e demorou para a ficha cair um pouco, mas agora caiu e estou bastante feliz com isso [...] Na série D é muita dificuldade: logística, alojamento... Eu não morava em apartamento, morava em alojamento. Trago toda essa dificuldade, faço a minha força, levo como superação. O segredo é nunca desistir de nada. Seja no jogo, seja na vida, seja em tudo. João Vitor Ano da Chapecoense A Chapecoense está invicta no Brasileirão após três rodadas . A equipe catarinense tem uma vitória (Santos) e dois empates (Vasco e Coritiba), soma cinco pontos e vive seu terceiro melhor começo de Série A na história. Mesmo assim, o foco é um só: não cair. É um campeonato muito difícil, tem muitos clubes grandes com muito orçamento. O da Chape é o segundo ou terceiro menor. Mas o que vale é o que está acontecendo dentro de campo. É um grupo unido, trabalhador. Nossa meta é a permanência, a gente tem que saber da nossa realidade também. João Vitor Em paralelo ao Brasileirão, a Chapecoense luta pelo título do Campeonato Catarinense. A equipe está na semifinal do Estadual e perdeu o jogo de ida para o Brusque por 1 a 0, fora de casa. O duelo de volta ocorre amanhã, às 18h, na Arena Condá. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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