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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Importa o que pensa sobre o racismo quem ocupa a posição de Filipe Luís Mauro Cezar Pereira Colunista do UOL 21/02/2026 12h05 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Siga o UOL Esporte no Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Era óbvio que depois da repercussão mundial do episódio de racismo envolvendo Vinicius Júnior e Gianluca Prestianni, em Benfica 0 x 1 Real Madrid, Filipe Luís seria perguntado a respeito. Afinal, ele jogou na Espanha pelo rival do clube do atacante brasileiro e é técnico do Flamengo, que o revelou. Questionado pela ESPN argentina, disse: "É um tema muito mais delicado do que pensamos, envolve muitas coisas. Para mim é simples, Prestianni tapou a boca e não devia ter feito isso, e isso gera toda revolta. Agora é a palavra de um contra a de outro. É muito delicado e se ele (Prestianni) disse isso tem de pagar por isso. Repito, é a palavra de um contra o outro e não sou eu quem posso julgar". Após a derrota do seu time para o Lanús na peleja de ida pela Recopa Sul-americana, na coletiva de imprensa o questionarem sobre como sente-se e o tratam na Argentina. Respondeu: "Sempre fui tratado bem aqui, me encanta a Argentina, sempre fui muito feliz, muito bem-recebido. Só tenho boas palavras para a Argentina. Um caso isolado desses não influencia em nada do que penso deste país tão lindo". Mauro Cezar Importa o que um técnico do Fla pensa sobre racismo Wálter Maierovitch Prisão preventiva de Eduardo pode vir em breve Paulo Camargo 2026 será o ano mais fragmentado da década Ricky Hiraoka Bonner faz estreia banal no 'Globo Repórter' As respostas foram desastrosas. Ao dizer que era palavra de um contra a de outro, quando outros jogadores estavam próximos e Mbappé afirma ter ouvido a ofensa pelo menos cinco vezes. Assista aos jogos da Champions League ao vivo na HBO Max por apenas R$ 0,99/dia no plano anual. Assine já! Classificação e jogos Liga dos Campeões Piorou ao tratar como "caso isolado" mais um episódio de racismo contra Vinicius Júnior. Desta vez envolvendo um jogador argentino, como tantos torcedores que fizeram gestos racistas para brasileiros em jogos disputados nos últimos anos. Inclusive na vez anterior em que Filipe Luís esteve na Argentina com o Flamengo, no empate com o Racing, pela Libertadores. O que mais impressiona é como Filipe Luis foi para essas entrevistas totalmente despreparado. E o treinador tem um assessor de imprensa, um profissional contratado por ele, independentemente dos que atuam no departamento de comunicação do Flamengo. Aparentemente o técnico não foi orientado, algo básico no contexto, já que as perguntas viriam. Envolvido com o jogos e as preocupações inerentes a ele, Filipe Luís deveria ser devidamente preparado para dar respostas adequadas. Não foi o que se viu. Tanto que no dia seguinte o clube disparou uma nota assinada pelo treinador (leia abaixo). Nela, os dois pontos nevrálgicos não foram adequadamente atacados: "é a palavra de um contra a de outro" e "caso isolado". Vicent Kompany, técnico do Bayern Munique, também foi perguntado a respeito (falou sobre por 12 minutos e se solidarizou com Vinicius). Pep Guardiola, do Manchester City, foi outro que respondeu sobre o tema e Luís Enrique, do PSG, se esquivou constrangedoramente. Por que Filipe Luís não seria questionado? Continua após a publicidade Relacionadas Mauro Cezar: Filipe Luís precisa de sabedoria e humildade! 'Convicção não pode virar teimosia' Mauro Cezar: Fala de Filipe sobre racismo foi pior que trabalho em campo Flamengo não competiu contra o Lanús, diz Mauro Cezar: 'Falta postura' E quando se ocupa uma posição importante como a de técnico do campeão carioca, brasileiro, da Libertadores e vice no torneio Mundial de Clubes, o que você pensa interessa às pessoas. E o que responde repercute bem ou mal. Pesa, sim, a opinião pública pesa. O fato de tal episódio ter ocorrido com Vinicius Júnior, que é idolatrado pelos torcedor do Flamengo, fez com que a repercussão das respostas fosse ainda pior. Na visão da "Nação", o técnico rubro-negro não ficou ao lado do "cria", como tantos nomes importantes do futebol internacional. E, sabe-se, quando se trata de racismo não basta não ser racista, é preciso ser antirracista. A nota de Filipe Luís: Após a partida de ontem contra o Lanús, durante a coletiva de imprensa organizada pela Conmebol, minutos após o fim do jogo, fui questionado por um repórter argentino. Ele iniciou seu raciocínio citando mais um caso de racismo sofrido por Vinícius Júnior, quando me perguntou como o Flamengo foi recebido nas últimas vezes em que esteve no país. Ao longo da resposta, procurei abordar minhas experiências pessoais na Argentina. Em momento algum tive a intenção de relativizar ou minimizar qualquer atitude racista. Continua após a publicidade Reconheço que minha fala, diante da extrema sensibilidade do tema, pode ter aberto margem para interpretações distintas. Por isso, considero fundamental reforçar publicamente minha posição, que sempre foi inegociável: o racismo é crime no Brasil e deveria ser tratado com o mesmo rigor em todos os países. Trata-se de uma conduta inaceitável, que deve ser combatida e punida de maneira firme. O futebol, como espaço de diversidade e integração, não pode tolerar qualquer forma de discriminação. Reforço ainda que, antes da partida, em entrevista exclusiva ao detentor de direitos, expus minha visão sobre o episódio, classificando como covarde a atitude do jogador que tapou a boca para praticar atos racistas. Jamais colocaria em dúvida a palavra da vítima em um caso grave como esse. Por fim, reitero meu total apoio a Vinícius Júnior em mais um lamentável episódio envolvendo racismo no esporte, algo que já não deveria mais ocorrer, mas que infelizmente ainda se repete e, muitas vezes, passa impune. Filipe Luís Técnico do Clube de Regatas do Flamengo Siga Mauro Cezar no X Siga Mauro Cezar no Instagram Continua após a publicidade Siga Mauro Cezar no Facebook Inscreva-se no Canal Mauro Cezar no YouTube Siga Mauro Cezar no Threads Siga Mauro Cezar no BlueSky Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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