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Danilo diz que decisão de voltar ao Brasil passou por ficar mais perto da família Quatorze mil pessoas. Um quinto de um Maracanã lotado. Este é o número de habitantes de Bicas, cidade que fica no interior de Minas Gerais, a cerca de 200 quilômetros do Rio de Janeiro. No centro, uma praça bem cuidada e uma igreja bonita. Crianças brincam entre os canteiros, moradores proseiam nos bancos. Nada fora do comum, a não ser pelo carro diferente que circula por ali e chama atenção. A curiosidade é sanada após a pergunta da equipe de reportagem, que interrompe o sossego: "Por favor, onde é a casa do Danilo, jogador do Flamengo ?". Um mineiro aponta desconfiado: "É logo ali". + Danilo revela planos para aposentadoria e brinca: "Impossível fazer como o Filipe Luís" Voz do Setorista: Danilo "guia" Luiza e Manu em visita ao museu sobre história do jogador A orientação quase que não era necessária. À frente da casa, que fica no entorno da praça, uma placa exibe com orgulho uma foto de Danilo e a frase: "De Bicas para o mundo". É literal. O jogador, que tem duas Liga dos Campeões e um Mundial no currículo, convocado para duas Copas do Mundo e recém-campeão do Brasil e da América, recebeu a chance de voltar mais vezes à cidade que o viu crescer depois de 14 anos jogando na Europa. A vinda ao Flamengo no início de 2025 o fez não apenas realizar o sonho de torcedor rubro-negro, mas se reconectar com suas raízes. — Foi uma coisa que eu sempre falei ao longo dos anos que se eu voltasse a jogar no Brasil, seria muito para trazer meus filhos para conviverem com os meus pais, meus irmãos, estar perto dos meus amigos um pouco mais, porque isso é uma coisa que você perde. Quatorze anos no futebol europeu foram maravilhosos e me deram toda a bagagem que eu tenho de futebol e todo o reconhecimento no Brasil e no mundo. Entretanto, são coisas que você perde e não tem jeito. Aí você fala "ah, você pode levar eles para lá", mas eles têm vida, eles também têm os próprios projetos, os próprios momentos. Era um dos motivos caso eu decidisse retornar. E quando eu retornei, eu botei isso como prioridade. Hoje em dia se eu tenho uma tarde livre muitas vezes eu pego o carro e venho para Bicas, venho pescar um pouco e volto no outro dia de manhã. Porque isso me ajuda a relaxar e reconstrói um pouco tudo aquilo que ficou para trás durante todos esses 14 anos e ainda somados os anos de categoria de base, em que eu vinha muito pouco aqui em Bicas. No pacote todo, isso é uma das coisas principais nessa minha volta para o Brasil — disse Danilo em entrevista ao ge . — Durante a minha trajetória toda, quase sempre em todas as minhas férias, às vezes até o único lugar durante as férias, eu vinha para cá. Todo mundo sempre falava "ah, eu vou para Maldivas, eu vou pra não sei aonde", porque cada um faz o que quiser da vida. E eu vou para Bicas. Por que? Porque aqui eu posso botar o pé no chão da forma literal, porque eu ando descalço, eu boto o pé no barro. É literal mesmo. E aqui eu sou o Danilo filho do Baiano e da Zezé, não o Danilo jogador do Flamengo e da seleção brasileira. Isso me traz de volta para o meu interior, desinfla um pouco o ego, que muitas vezes faz mal. Faz mal para a gente que somos pessoas públicas. Vir para Bicas me faz botar o pé na terra, mas de forma literal — reforçou o zagueiro do Flamengo . A entrevista com Danilo também vai ao ar no Globo Esporte deste sábado, a partir de 13h, na TV Globo. 1 de 8
Bicas, cidade onde Danilo, do Flamengo, nasceu — Foto: Emanuelle Ribeiro Bicas, cidade onde Danilo, do Flamengo, nasceu — Foto: Emanuelle Ribeiro O que diferencia um pouco Bicas das outras cidades pequenas do interior mineiro é um museu. A "Galeria Danilo" abriga artigos raros da carreira do jogador, que começou a jogar futebol no Tupynambás, de Juiz de Fora, ganhou projeção nacional no América-MG, foi campeão da Libertadores pela primeira vez pelo Santos, rodou o mundo com pompa — Porto (Portugal), Real Madrid (Espanha), Manchester City (Inglaterra) e Juventus (Itália) — e voltou ao Brasil para viver e ser protagonista de um dos melhores anos da história do Flamengo , seu clube do coração. 2 de 8
Danilo com o troféu de campeão brasileiro pelo Flamengo, que será exibido em sua galeria — Foto: Emanuelle Ribeiro Danilo com o troféu de campeão brasileiro pelo Flamengo, que será exibido em sua galeria — Foto: Emanuelle Ribeiro O ge esteve em Bicas por um dia e acompanhou de perto esta reconexão. Viu o orgulho do povo biquense pelo filho que levou o nome da cidade para o mundo. E a sensação do experiente jogador que volta a ser menino e pode vivenciar o simples quando está perto da família. Mas que não descansa tanto assim quando volta para casa. Danilo comenta peso que ganhou no Flamengo depois de gol na final da Libertadores Ao entrar na casa da Dona Maria José e do Seu José Luiz, uma mesa logo atrás da porta entrega que Danilo terá um pouco de trabalho nesta visita. Em cima dela estão inúmeras camisas rubro-negras, de pessoas da cidade e da região, todas etiquetadas com os nomes dos donos, à espera de autógrafos do jogador. — Não é tão fácil também (andar pelas ruas), só que a abordagem aqui é diferente, porque pelo mundo afora as pessoas me veem como aquele jogador de futebol famoso. Aqui, tirando as crianças que não me conheciam, tem muita abordagem que é olha o Danilinho, aquele menino daqui que cresceu: "Ah não foi lá em casa, tomar um café, passa lá em casa para comer uma broa". É uma abordagem diferente daquilo que acontece pelo mundo. A cidade aqui tem muito flamenguista, então hoje em dia está um pouquinho mais complicado, mas é possível sair, sim. Hoje, depois de almoçar, vou ali tomar um açaí com os moleques, vou de chinelo de dedo, tranquilo, sem camisa, sem estresse. Minha mãe chega com uma sacola de camisas para eu assinar, eu falo "cara, tem que parar, não tem como" (risos). Mas é super legal, um carinho imenso, muito bacana. E eu, dentro de um equilíbrio, estou tentando aproveitar isso, porque é para isso que eu escolhi voltar para o Flamengo . 3 de 8
Moradores de Bicas e região levam camisas para Danilo assinar — Foto: Emanuelle Ribeiro Moradores de Bicas e região levam camisas para Danilo assinar — Foto: Emanuelle Ribeiro Danilo ainda não entrou em campo pelo Flamengo em 2026. O zagueiro vem tratando um problema que sentiu no joelho esquerdo, e a expectativa é que seja relacionado para enfrentar o Corinthians, no domingo, pela decisão da Supercopa do Brasil. No ano passado, ele estreou justamente nesta competição, na vitória sobre o Botafogo, quando precisou de cinco minutos para levantar a primeira taça. Depois, ainda conquistou outras três com a camisa rubro-negra. 4 de 8
Gol de Danilo em Palmeiras x Flamengo — Foto: Hector Vivas/Getty Images Gol de Danilo em Palmeiras x Flamengo — Foto: Hector Vivas/Getty Images O museu de Danilo é aberto ao público. Basta apenas marcar um horário. É comum que escolas visitem o espaço para mostrar às crianças da região a história de alguém que ajudou a colocar Bicas no mapa. O espaço vai passar por uma reforma para acomodar melhor as conquistas que não param de crescer, especialmente depois da chegada ao Flamengo . O clube do coração ainda não está representado por lá, mas Danilo já sabe que fará um espaço especial para representar um dos grandes momentos da carreira. — O equilíbrio entre prestígio, reconhecimento e dinheiro, parte financeira mesmo... E a minha escolha quando eu vim para o Flamengo foi muito por isso. Eu queria jogar no Flamengo , queria jogar também no Brasil um pouco para ter essa proximidade do pessoal. Abri mão da parte financeira, que seria muito melhor em outro momento, em outro lugar. E quando acontece esse episódio de ser campeão da Libertadores e ainda marcar o gol da final, aí sim eu entendi o porquê de eu ter feito essa escolha e de eu ter tomado esse caminho — declarou. Danilo diz que reviu gol da final da Libertadores pelo Flamengo umas "50 milhões de vezes" Assim como todo torcedor rubro-negro, Danilo também reviu o gol que marcou aos 21 minutos do segundo tempo em Lima diversas vezes. Ele explicou como o instinto o levou a subir muito alto, sem chance para qualquer marcação, para concretizar o tetracampeonato da Libertadores do Flamengo . — Revi o gol da Libertadores 50 milhões de vezes. O Palmeiras tem uma marcação mista que se diz, alguns jogadores marcam a zona, três jogadores marcam individual alguns jogadores do Flamengo e eles deixam um jogador sempre livre, dependendo do número que vai atacar. A gente sabia que um de nós estaria livre. A equipe falava "o que tiver livre se separa e ataca a bola", os outros limpam um pouco aquela zona e aí tem os bloqueios, é tudo trabalhado. Ali foi mais a questão do instinto em saber mais ou menos ler onde o Arrascaeta conseguiria bater aquela bola e onde eu poderia atacar. Eu tenho o padrão de atacar mais ou menos naquela zona ali. Então, obviamente, a informação para nós era importante e veio do Rodrigo Caio e da comissão. A partir daí, a nossa ambição de leitura e de atacar a bola, de entender a importância daquilo. Obviamente, eu vi que tinha um jogador ali que estava perto de mim e que, talvez, se ele tivesse um pouco mais ligado, poderia bloquear a minha corrida, poderia ter me atrapalhado um pouco, ainda bem que não e aí foi melhor. + Contratações do Flamengo para 2026: veja quem chega, quem fica e quem vai embora Aos 21 min do 2º tempo - gol de cabeça de Danilo do Flamengo contra o Palmeiras Veja outras declarações de Danilo: Como manter a motivação após um ano vencedor — Foi comprido o ano passado, agora é um novo ano. Primeira palavra é humildade, eu diria. Essa é a maior característica dos grandes. Humildade, porque o que a gente fez no ano passado está na história, está nos livros, está nos vídeos, mas para esse ano conta zero. Quando a gente entra em campo, está 0 a 0 contra qualquer adversário, às vezes é muito mais fácil você chegar e conquistar uma coisa e depois pronto, abrir mão de seguir conquistando, ano após ano, temporada após temporada. No final das contas você vê a foto completa e você fala "caraca, agora sim". Essa mentalidade é aquilo que a gente vem tentando desenvolver no Flamengo . Eu, quando me coloquei à disposição para vir, falei muito sobre isso com o Filipe, falei muito sobre isso com o Boto e hoje em dia, com a relação que eu tenho também com o presidente, falo muito em relação a isso e falo "essa mentalidade tem que continuar sendo desenvolvida em campo e fora de campo". No que cabe a mim e aos outros jogadores é manter isso. Treinamento, preparação e espírito de sacrifício. E entender que agora começa tudo do zero de novo. Pior, aliás, porque todo mundo já no ano passado queria ganhar do Flamengo , esse ano querem muito mais e vão entrar muito mais preparados, muito mais motivados para jogar contra o Flamengo . É humildade de falar "eu preciso trabalhar mais, eu preciso melhorar". Aquilo que foi feito basta para o ano passado, para esse ano não basta. 5 de 8
Danilo, do Flamengo, recebeu equipe do ge em Bicas-MG — Foto: Emanuelle Ribeiro Danilo, do Flamengo, recebeu equipe do ge em Bicas-MG — Foto: Emanuelle Ribeiro Emoção na Libertadores pela família — Eu fiquei muito emocionado por causa dessa situação do meu pai, da minha tia e, como eu falei, pelo sacrifício que eu tive que fazer no final da temporada para estar em campo. Mas aí quando eu vim, eles foram ao jogo contra o Ceará e estava todo mundo reunido. A gente conseguiu comemorar todo mundo junto, compartilhar as medalhas, os abraços, os olhares. Minha família é uma família muito contida também nas comemorações, então eu vejo muito mais nos olhares, nos abraços o tamanho da euforia e o tamanho do orgulho que eu pude proporcionar para eles e para quem está perto da gente. Reações do início na Supercopa até a Libertadores — Aquele momento em Belém foi o início, foi o meu primeiro contato, foi sentir uma sinergia diferente de tudo que eu já tinha vivido na vida. E aí me conecta muito com a minha infância, com sentimentos de criança, de juventude que provavelmente estavam guardados aqui dentro de mim e que aí vieram à tona. E a final da Libertadores é pelo ano todo, pelas dificuldades, até por essa pressão de escolher voltar para o Flamengo , escolher voltar para o Brasil e tem sempre uma incerteza pairando no ar. Você nunca sabe se é a decisão correta ou não. E depois, pelo contexto geral daquela minha reta final de ano, onde eu tive que conviver com questões físicas importantes e estar sempre vencendo a mim mesmo a questão das dores, a questão dos desconfortos, até porque o Léo Ortiz estava também lesionado, não conseguia jogar, então era um momento que eu precisava me doar mais do que 100% e passar por cima de tudo para poder contribuir com a causa minimamente. E aí eu acabo fazendo o gol que dá o título para o Flamengo , então as mãos na cabeça ali é de tipo "cara, deu certo". 6 de 8
Camisa do Flamengo com medalhas que Danilo conquistou — Foto: Emanuelle Ribeiro Camisa do Flamengo com medalhas que Danilo conquistou — Foto: Emanuelle Ribeiro Pressão do Palmeiras após o gol — Engraçado aquele lance, porque quando a gente faz o gol e passa alguns minutos, a gente começa a vir para trás, tem um pouco de ansiedade, esperar acabar o jogo... Eu sempre fico mal com aquilo, falo "vocês não podem mudar agora", mas é normal ali, final da Libertadores, ansiedade, começa a vir um cansaço, toda aquela coisa. E aí a gente começa a defender muito baixo, defender lá quase dentro da nossa área, na intermediária baixa. Eu gosto e sei jogar muito com a linha alta, e é isso que a gente faz no Flamengo , mas quando a gente vai para uma linha um pouco mais baixa ainda, isso é a escola italiana. E eu estou totalmente em casa, aqui eu sei que a gente não vai tomar gol. Olho para o Alex Sandro e falo "não, aqui não, nós estamos em casa". E quando acontece aquele lance eu vibro pra caramba, isso é uma coisa que a gente aprendeu muito na Itália, é ter o prazer em defender, prazer em evitar o gol, prazer em tirar uma bola do adversário. Quando a gente começa a defender mais baixo, eu tinha certeza que aconteceria um lance parecido com aquele, porque é normal, você está perto do seu gol, uma hora vai acontecer, a situação é você estar com lucidez para poder agir com velocidade. Obviamente falando assim parece que foi uma coisa super simples. Foi quase gol do Palmeiras, mas naquele momento eu, por exemplo, estou muito confortável, eu tenho meu raio de ação um pouco mais curto, então eu consigo chegar em vários lances muito mais rápido e evitar o gol, que seria o empate do Palmeiras, então foi bem bacana a imagem, a vibração dos meus companheiros. Serviu para dar um pouco mais de emoção para o jogo. O que diria ao menino de Bicas? — Eu diria para aquele menino coragem. Acho que essa é a palavra que eu diria. Porque vendo toda a minha trajetória e como as coisas se desenharam sempre, eu sempre tive muita certeza de onde eu poderia chegar, do tamanho que eu poderia ter como jogador de futebol e não falando só por qualidade dos pés e das pernas, mas pela ambição, pela mentalidade. Mas eu achava que seria mais fácil. Tive muitas dificuldades e algumas dificuldades recentes, de hoje em dia, por exemplo, que eu não esperava que fossem assim tão grandes. Muitas vezes eu vejo hoje em dia um momento de dificuldade ou uma situação onde eu tenho que ser mais resiliente e mais forte, eu falo "eu vou ter que passar por isso de novo para poder só depois pegar o prêmio". E é assim que funciona. Você precisa passar pelo momento de dificuldade para só depois ter a recompensa, e a recompensa nem sempre é o troféu, nem sempre é ser campeão. Existem outros tipos de recompensa, mas obviamente esses são os mais expressivos. Eu diria coragem, porque você vai conseguir, você vai chegar lá, mas vai ser mais difícil do que você imagina. 7 de 8
Pais de Danilo, do Flamengo, montaram museu sobre história do jogador — Foto: Emanuelle Ribeiro Pais de Danilo, do Flamengo, montaram museu sobre história do jogador — Foto: Emanuelle Ribeiro Temporada de muitos gols — Foi ótimo, foi maravilhoso, vários vídeos da minha família assistindo e comemorando para caramba aqui em Bicas. Agora, quando eu vou para a área, os caras quase rasgam a minha camisa, não deixam eu me mover, nunca me deixam livre. Mas aí a gente vai mesclando ali para aproveitar para atacar dentro da área. Espero que esse ano a gente possa ter o mesmo sucesso, porque a contribuição, não só minha, como dos dois Léos também nesse aspecto foi muito importante. PSG Danilo diz que derrota para o PSG foi frustrante, mas mostrou a capacidade do Flamengo — A final contra o PSG serviu para que a gente demonstrasse para o mundo, tal qual a gente fez um pouco no Mundial de Clubes no meio do ano, a capacidade que tem o time do Flamengo e servindo como representatividade também para o futebol brasileiro e sul-americano, que eu acho muito importante. Hoje você já vê nos bastidores vários comentários dos mandatários mesmo, falando "e se a gente conseguir fazer mais eventos onde a gente faça esses duelos entre os times sul-americanos e europeus?". Isso foi muito importante para a gente. Obviamente não existe prêmio de consolação, a gente perdeu, mas dentro de um contexto em que perdemos nos pênaltis, que a gente poderia ter ganhado ou ter perdido durante o jogo. Acho que o Flamengo desenvolveu essa capacidade de, talvez contra o Liverpool lá atrás, falou "Ah, o Flamengo jogou bem, poderia ter ganhado". Não, hoje nesse momento, ao não ganhar do Paris Saint-Germain, a gente tem um sentimento de uma frustração gigante, de falar "a gente poderia ter ganhado o jogo e não conseguimos". Então a gente não fica mais com essa de jogou bem. Acho que isso no Flamengo é uma coisa que mudou de nível agora. — Obviamente eu quero jogar sempre. Quero sempre estar em campo. O Léo Ortiz teve câimbra, mas é uma coisa que é muito prática no futebol e o Filipe e o Flamengo usa muito isso, que é você trocar o defensor em última instância mesmo. Até porque o defensor, se ele comete um erro, às vezes por estar frio ou por estar fora de ritmo ali, é fatal. E o pessoal do meio-campo para a frente às vezes tem mais tempo de adaptação dentro do jogo. Eu fiquei ali, já tirei o colete, já estava pronto, já estava preparado para entrar. Não tive a oportunidade, mas temos um ano aí pela frente. Em algum momento pensaram que não ia dar para vencer o Brasileiro? — Existiram alguns momentos em que a gente ficou alguns pontos para trás, ou alguns momentos em que se a gente ganhasse, a gente avançava e deixava o rival para trás e acontecia o contrário. Isso frustra muito, mas nesse momento a gente fez justamente ao contrário. A gente uniu, muitas vezes a gente fazia a reunião entre nós mesmos, só os jogadores, às vezes é um jogo que o rival erra e que a gente consegue fazer bem, a gente volta para a ponta da tabela e isso dá motivação, isso dá confiança, tanto para nós, tanto para o ambiente, porque o Flamengo tem muito disso. A gente não ganha e o ambiente fica muito caótico, então a gente falava "depende de nós". A gente nunca, em nenhum momento a gente falou "putz, agora não dá mais". Não, nenhum momento. 8 de 8
"Galeria Danilo" em Bicas percorre trajetória do jogador do Flamengo — Foto: Emanuelle Ribeiro "Galeria Danilo" em Bicas percorre trajetória do jogador do Flamengo — Foto: Emanuelle Ribeiro Deu para comemorar o título? — É difícil, sendo honesto, vencer a Libertadores da forma que foi poucos dias antes e depois vencer o Brasileiro, acaba que a euforia e a empolgação de comemorar o título do Brasileiro naquele dia não era a mesma, certamente, até porque a gente tinha gastado muita energia comemorando, jogando, celebrando a final da Libertadores. Mas o Brasileiro é um título que a comemoração dele vai se dividindo ao longo do ano, até porque ele vai passando por etapas, campeonatos dentro do próprio campeonato. São muitos jogos decisivos, momentos em que você tem que manter uma regularidade maior ainda, clássicos seguidos, jogos decisivos seguidos. Então você vai, de certa forma, comemorando ao longo do ano. Obviamente, quando você chega a ser campeão, você tem essa comemoração maior. Mas não é a mesma coisa justamente porque a Libertadores foi há poucos dias e a gente gastou muita energia. Reconhecimento dos torcedores — Eu tento levar isso para um lado que me ajude, que não me atrapalhe no senso de entender o carinho que as pessoas e principalmente a torcida do Flamengo tem comigo, da expressão que eu tenho dentro do Flamengo nesse momento. E que eu possa sempre conseguir contribuir com coisas positivas. Não é muito fácil realmente, ainda bem que eu já tenho 34 anos, já vivi muita coisa, então consigo de certa forma equilibrar um pouco tudo isso, mas é muito legal. Já conseguiu assimilar tudo? — Eu acho que por alguns dias, pelo tanto de torcedor que o Flamengo tem e por todos os outros rivais que são anti- Flamengo , provavelmente eu fui um dos nomes mais falados do Brasil. Então eu quis me ficar tranquilo, ficar um pouco mais afastado, até para eu entender, botar o pé no chão, porque a euforia estava muito grande. Eu ainda não tive tempo de organizar tudo bonitinho aqui em casa (no museu). Copa do Mundo e versatilidade como trunfo — Esse é o futuro do futebol, um futuro que já está aí. Quanto mais jogadores que possa desenvolver várias funções e às vezes você poder mudar o esquema sem mudar a peça, mudar a estratégia sem mudar a peça, é importante. Eu acho que é um trunfo e também depois a experiência, a forma de lidar acho que é uma coisa importante que pode me ajudar a jogar mais uma Copa do Mundo e estar nesse grupo do Brasil que vai jogar a Copa do Mundo com a ambição de vencer. Obviamente tem muita gente mais preparada do que nós enquanto seleção, mas o Brasil é sempre o Brasil e tudo pode acontecer. — (O grupo é) Acessível até aqui e rola a bola, né (risos)? É sempre puro achismo. Claro que tem a preparação e a qualidade dos jogadores da seleção brasileira altíssima, mas hoje já não tem ninguém mais minimamente bobo, minimamente despreparado. Se você falar que o Brasil vai ganhar todos os jogos da primeira fase de 1 a 0 sofrido, eu assino agora, porque não tem mais ninguém minimamente despreparado. + Leia mais notícias do Flamengo 🎧 Ouça o podcast ge Flamengo 🎧 Assista: tudo sobre o Flamengo no ge, na Globo e no sportv 50 vídeos