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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte O aspecto mais soberano da Lei Maria da Penha diz respeito aos homens Milly Lacombe Colunista do UOL 07/08/2026 12h14 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Fotografia de Maria da Penha, mulher que deu nome à Lei Maria da Penha e que é símbolo da luta contra a violência doméstica. Imagem: Brasil Escola Nesse sete de agosto a Lei Maria da Penha completa 20 anos. A Lei em si já é uma revolução nas questões de gênero porque ela nomeia e traz à luz um tipo de crime tão corriqueiro quanto perverso: aquele cometido por homens contra a dignidade e a vida das mulheres. Maria da Penha, vítima de múltiplas torturas cometidas por seu ex-marido, está viva e atuante na proteção dos direitos das mulheres. Ela sobreviveu para lutar por todas nós. Desde que foi criada, a Lei é alvo de ataques por parte de homens que se sentem ameaçados por ela. Homens que ignoram que ameaça é viver em corpo de mulher dentro de uma sociedade machista. Uma ameaça cotidiana e que acaba com a vida de muitas mulheres todos os dias. Não é uma coincidência que a criação da lei tenha aumentado a violência praticada por homens contra mulheres. A lei é uma conquista do feminismo e o feminismo é a consciência sendo expandida. Com mulheres mais conscientes e, portanto, mais confiantes, é natural que o machismo se reorganize e se instrumentalize. É uma contrarrevolução o que vivemos hoje. As duas coisas acontecendo ao mesmo tempo: a revolução feminista e a contrarrevolução machista. O que alguns não compreendem é que a lei visa proteger os homens também. Protegê-los do machismo e da misoginia que tira deles uma dimensão de humanidade. E está aí o aspecto mais amoroso da Lei: o que ela faz com os condenados. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Desde quando foi criada, em 2006, a Lei trabalha com programas que buscam à reabilitação e reeducação do agressor. Cursos, palestras e programas de acompanhamento psicopedagógico fazem parte da rotina dos enquadrados na Maria da Penha. E o mais bonito é que o índice de reincidência é da ordem de 3%. Três. Ou seja: Mais de 90% dos condenados completam o caminho da transformação. O machismo tira dos homens boa parte do que o ser humano tem de melhor. Assim como o racismo tira dos brancos um naco fundamental de nossa humanidade. Todo sistema de dominação arranca do dominador alguma coisa de essencial. A Lei Maria da Penha trabalha para proteger mulheres e também para devolver aos interessados a alma perdida. O que é preciso perder para se tornar um homem nessa sociedade? Muita coisa. Coisa importante demais. E a Lei tem a capacidade de devolver isso a eles. Chamem como quiser; eu chamo de amor. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Qual exercício ajuda a aliviar gases e 'destravar' o intestino mais rápido? Carol Peixinho e Thiaguinho celebram um ano do filho: 'Tudo para mim' Eleição já sofre cerco dos EUA. Resta saber alcance da mão peluda de Trump Flávia Saraiva é ouro nas barras assimétricas em etapa da Copa do Mundo TSE aceita abrir ação de Flávio contra Lula por desfile no Carnaval do Rio