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Camisa 10 do Haiti nunca pisou no país Referência técnica do Haiti, Jean-Ricner Bellegarde superou muito mais do que adversários para estar na Copa do Mundo. O meia nasceu prematuro, com apenas seis meses de gestação, enquanto a mãe entrava em coma. + Veja a tabela da Copa do Mundo Sem mais nenhum familiar no local e diante da incerteza se a mãe sobreviveria, foi a equipe do hospital quem batizou o recém-nascido. – Minha mãe estava em coma, então, não havia ninguém lá para me dar um nome. Foi o hospital em Colombes que me deu este nome. Quando minha mãe acordou, disse que manteria porque eles haviam dito que corríamos risco de vida e era ela ou eu, mas tivemos a sorte de sobreviver – disse em entrevista ao Le Media Carré. Leia também: + Adversário do Brasil, Haiti nunca somou ponto em Copas + Como o futebol teve função diplomática e aproximou Brasil e Haiti + 7 a 1 brasileiro: Haiti tem dois remanescentes da derrota em 2016 + Zagueiro do Haiti já foi algoz de clubes brasileiros 1 de 3
Jean-Ricner Bellegarde com a camisa do Haiti já sem a ilustração após solicitação da Fifa — Foto: Emilee Chinn - FIFA/FIFA via Getty Images Jean-Ricner Bellegarde com a camisa do Haiti já sem a ilustração após solicitação da Fifa — Foto: Emilee Chinn - FIFA/FIFA via Getty Images – Hoje, quando minha mãe me chama de Jean-Ricner, ela diz isso com orgulho. Eu também tenho orgulho disso. Ainda estou tentando encontrar os profissionais que nos salvaram, mas por enquanto não encontrei – completou. Nascido e criado na França, Bellegarde tem ascendência haitiana por parte de pai, mas jogou nas seleções de base da França, disputando inclusive o tradicional Torneio de Toulon. Foi em 2025 que ele decidiu defender o Haiti. – Naquela época, pensei comigo mesmo: vou representar o Haiti, o país do meu pai. Os jogadores me incentivaram a ir. Eles realmente queriam que eu me juntasse a eles. Até mesmo as pessoas queriam que eu fosse. Isso realmente me motivou a ir. Pessoalmente, sei que a história da seleção francesa já está escrita. Se você se classifica para a Copa do Mundo com a França, as pessoas dizem que é só mais um dia de trabalho. O mesmo acontece se você ganha. Eu, por outro lado, queria escrever a minha própria história com o Haiti – disse ao site Sofoot. 2 de 3
Bellegarde, camisa 10 do Haiti e meia do Wolverhampton — Foto: Visionhaus/Getty Images Bellegarde, camisa 10 do Haiti e meia do Wolverhampton — Foto: Visionhaus/Getty Images Jean-Ricner Bellegarde disputou as seis partidas das Eliminatórias da Concacaf e ajudou os haitianos a despacharem Costa Rica, Honduras e Nicarágua para ficarem com a vaga na Copa do Mundo. – Classificar o Haiti para a Copa do Mundo é simplesmente incrível. Para a história, para o povo. É motivo de orgulho para eles. Sabemos que vamos trazer muita alegria para um povo que não pedia nada menos do que isso. É como jogar Football Manager com um pequeno clube da Ligue 2 e tentar levá-lo à Ligue 1. O Haiti conseguiu a façanha de se classificar mesmo sem poder atuar no país. Todos os três jogos como mandante tiveram que ocorrer fora de casa por causa dos conflitos no país. Por causa disso, assim como o técnico Migné, Bellegarde jamais pisou no país. – É uma pena não poder jogar no Haiti, especialmente para mim, já que nunca estive lá. Também acho que essa conquista traz muita esperança para as pessoas que estão passando por momentos tão difíceis. É frustrante porque sei que existem lugares lindos lá, então quero caminhar pela terra onde minha família cresceu. Quero ir para lá, e me entristece não poder conhecer meu país. Espero que o futebol ajude a acalmar os conflitos. Quando nos classificamos, a guerra diminuiu por dois ou três dias. Espero que, durante a Copa do Mundo, vençamos uma partida para que as coisas se acalmem ainda mais. Relembre o último jogo entre Brasil x Haiti O meia é fã do futebol brasileiro, especialmente de Ronaldinho Gaúcho. Segundo ele, Brasil e Argentina são os preferidos dos haitianos em geral. – Desde muito jovem, quando eu era pequeno, adorava assistir aos brasileiros e, em particular, ao Ronaldinho. Muitas vezes me disseram que tenho o perfil do N'Golo Kanté. Tento me inspirar nele e, quem sabe, me tornar como ele – disse em entrevista ao jornal ‘Sang et Or Le Mag’. – A seleção haitiana nunca foi muito bem, então muitos haitianos torciam para o Brasil e a Argentina. O nome do meu sobrinho é Riquelme, e isso não é coincidência. Quero incentivar os jovens. Não há empregos lá, e você pode se tornar um criminoso rapidamente. Aos 15 anos, você pode acabar com uma arma, então é melhor para os jovens no Haiti jogarem futebol – afirmou ao Sofoot. Bellegarde começou a carreira no Lens (FRA) e se destacou pelo Strasbourg (FRA) antes de se transferir para o Wolves (ING), em 2023. O Haiti enfrenta o Brasil nesta sexta-feira, às 21h30, na Filadélfia, pela segunda rodada do grupo C. A equipe perdeu para a Escócia na primeira rodada por 1 a 0, enquanto Brasil e Marrocos empataram em 1 a 1. 3 de 3
Bellegarde - Wolverhampton x Manchester United - Premier League — Foto: REUTERS/Phil Noble Bellegarde - Wolverhampton x Manchester United - Premier League — Foto: REUTERS/Phil Noble