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Futebol CBF quer passar à base dos clubes o molde do 'jogador ideal' para a seleção Igor Siqueira Do UOL, em Teresópolis 14/08/2026 05h30 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Resumo Com a necessidade de renovar a seleção após a Copa do Mundo, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) definiu um plano para que as categorias de base dos clubes formem quase que sob medida o talento que o time nacional precisa para voltar a vencer. Ao UOL , o coordenador Rodrigo Caetano contou que a estratégia passa por definir as características do perfil desejado e transmitir essa ideia em visitas aos clubes. O conceito de um modelo ideal para cada posição é resultado de reuniões que ocorreram após a eliminação do Brasil, no retorno do técnico Carlo Ancelotti ao país. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Após assistir à vitória do sub-20 contra a Bolívia, na Granja Comary, Caetano contou que também há o movimento para acompanhar mais de perto jovens que estão se desenvolvendo na base de clubes europeus. A conta na CBF é que há cerca de 50 jogadores que se encaixam nessa descrição. O trabalho mais próximo entre a seleção principal e a base tem ditado o tom deste início de novo ciclo visando à Copa de 2030, mas que considera também competições no caminho, como a Copa América. O pontapé inicial, na prática, será nos amistosos de setembro, contra Austrália e Índia. A próxima convocação deve ser no dia 8. Na data Fifa seguinte, em novembro, a seleção deve encerrar o ano em mais jogos contra asiáticos. Rodrigo Caetano, coordenador da seleção Imagem: Igor Siqueira/UOL Como foi o papo com Rodrigo Caetano Qual é o ponto de partida da renovação da seleção brasileira após a Copa? Continua após a publicidade Essa filosofia existe desde o dia seguinte ao encerramento da nossa participação na Copa. É uma filosofia da instituição, da CBF, passando obviamente pelo departamento de seleções e pelo Mister (Ancelotti), que também tem interesse nesse rejuvenescimento da nossa seleção. Desde então, estamos cada vez mais próximos. Agora teremos um ciclo mais alongado, o que possibilita realmente a observação e muitos testes com jogadores cada vez mais jovens. Então, é fundamental que estejamos próximos e envolvidos com essa questão da formação, da nova filosofia e com a esperança de que daqui surjam grandes craques no futuro. Qual vai ser a atuação do Ancelotti como um todo? Ele sempre ficou muito envolvido. O problema era o curto espaço de tempo para que pudesse, talvez, ter um olhar mais próximo para esses jogadores jovens e, principalmente, para as seleções de base. Agora é diferente. Não é "como vai ser". É "como já está sendo". Desde a vinda dele para cá, fizemos nossas reuniões. Discutimos metodologia, perfil de atleta, modelo de jogo que ele julga ser o ideal e as diversas variações. Essas reuniões são constantes com toda a comissão técnica, não apenas com o Paulo Victor, da sub-20, mas também com o Dudu Patetuci (sub-17), com o Guilherme Dalla Dea (sub-15) e com todos os integrantes e assistentes. Continua após a publicidade O que vocês buscam com essa integração? Para que tenhamos não um modelo único de jogo, mas talvez um perfil de atleta ideal, que julgamos ser o ideal para este momento. Jogadores com técnica, competitivos também, que construam essa trajetória vencedora. Mas essa integração é constante. Temos reuniões semanais nas quais debatemos e, principalmente, registramos tudo. Num segundo momento, iremos também aos clubes, principalmente aos do Brasil, para debater aquilo que a seleção julga ser o ideal. A seleção sub-20 usou nos amistosos recentes um desenho tático que lembrou o do Brasil na Copa. É por influência do Ancelotti ou é mais autoral do Paulo Victor? É bem autoral do Paulo Victor. Temos que enaltecer e valorizar o investimento que a CBF vem fazendo nessa nova gestão, possibilitando um número maior de encontros das seleções de base. Em agosto, teremos as três categorias — sub-15, sub-17 e sub-20 — reunidas aqui na Granja Comary, com jogos internacionais. Algo que, num passado não muito distante, era muito difícil. Continua após a publicidade Então, são essas reuniões e essas convocações que permitem ao (coordenador da base) Branco e a toda a sua equipe observar mais jogadores. Sobre a questão do modelo de jogo, existe a discussão, existe aquilo que o Ancelotti entende que pode ser utilizado como variação, mas os técnicos das seleções de base têm liberdade para escolher o modelo de jogo. O foco, neste momento, é muito mais o perfil do atleta desejado para a seleção principal. Como é esse perfil? A gente pode fazer uma ficha desse jogador? Depende muito da posição. Então, isso é o que foi debatido e segue em debate. Quais são as características ideais que o Ancelotti sugere para os defensores, meio-campistas e atacantes? É isso que estamos debatendo, para que esses atletas de base também possam ser escolhidos um pouco dentro desse modelo. Mas é só com base no que o Ancelotti entende ser o ideal ou passa por uma definição de identidade brasileira? Também [passa por uma identidade brasileira]. Por isso mesmo, a discussão não é uma determinação vertical, de cima para baixo. O Ancelotti é o técnico da seleção principal e a figura mais importante nesse processo, mas ele não é assim. Ele abre esse debate. Continua após a publicidade Nós, do departamento de seleções, estamos escrevendo e registrando, com base nesses debates. Em outro momento, poderemos abrir um pouco mais, mas já temos, como se fosse um caderno metodológico, aquilo que julgamos ser o perfil ideal desse atleta que todos nós desejamos — e vocês também —, com uma identidade bem brasileira. Carlo Ancelotti e Rodrigo Caetano na Granja Comary Imagem: Rafael Ribeiro / CBF Ele já falou em entrevistas que está em busca de meio-campistas e que tem dificuldade para encontrar laterais. Há um cenário que não é só achar um nome, mas envolve a formação. Que passo vocês acham que podem dar de imediato nesse período para tentar compensar isso? Tem que entender bem que os atletas são selecionados pela CBF. O grande trabalho de formação vem dos clubes, e também temos que enaltecer a boa formação dos clubes brasileiros. Vai entrar uma discussão de que hoje eles estão saindo muito mais cedo. Vários jogadores já jogam na Europa, inclusive alguns que estavam aqui. Então, muitas vezes, essa formação não é terminada aqui no Brasil. E, quando eles vão para fora, é óbvio que uma nova cultura de futebol é inserida, de acordo com o país em que estão atualmente. E qual é o próximo passo desse trabalho? Continua após a publicidade O próximo passo, depois de todo esse debate e da confecção daquilo que julgamos ser o perfil de atleta para cada uma dessas posições, é a nossa ida aos clubes. Isso vem sendo trabalhado junto às federações e aos próprios clubes, para que tenhamos essa aproximação com as comissões técnicas das categorias de base. Não é com interesse nem com a intenção de discutir modelo de jogo. Mas volto ao princípio: é sobre o que julgamos ser o perfil de atleta, as características para cada uma dessas posições. E aí sim, na hora da escolha, selecioná-los com base naquilo que julgamos ideal. Sabe mais ou menos quando é que vão dar o pontapé inicial? Já estamos trabalhando nisso. Obviamente, também fazemos o nosso trabalho silencioso, mas já temos o que chamamos de imersão nas federações e nos clubes. Há um acompanhamento de nossos observadores e, agora, vamos com os técnicos também. Dentro e fora do país. Iremos a outras ligas para acompanhar jogadores brasileiros que estão atuando nas divisões de base em outros países, para ter cada vez mais essa aproximação. Para entender melhor esse projeto, vocês vão como departamento de seleções? Você vai? Quem vai? Continua após a publicidade Além dos técnicos das divisões de base, temos o Branco, o Cícero (Souza), o Juan... Todos nós estamos envolvidos, com base naquilo que estamos confeccionando sobre o perfil de atleta. E a nossa ida passa muito pelas federações, que vão nos ajudar nesse projeto, fazendo essa ponte. E qual é o objetivo dessa aproximação com os clubes? A ida não é com a intenção de determinar qualquer modelo de formação para os clubes, mas sim para que eles entendam e a gente consiga diminuir essa distância, esse gap, para que, quando o atleta chegue aqui, à seleção, ele mais ou menos entenda o que esperamos dele. E lá fora, onde é que vocês vão ter essa abertura? Já temos o nosso roteiro pronto para depois desse torneio da Uefa Sub-17. Teremos dois profissionais rodando lá. Continua após a publicidade Existe um projeto que a base já tinha, que é o radar internacional de atletas. Há aproximadamente 50 jovens que jogam em outras ligas e que são constantemente observados para, em algum momento, serem convocados. Quatro jogadores que atuam em clubes da Europa já foram convocados para um período de treinamento aqui com as seleções. Vocês tiveram uma reunião na Granja com todos os técnicos das seleções, da principal à base. O que foi tratado? Foi justamente esse debate sobre o perfil de atleta em cada uma das posições e os possíveis modelos de jogo que o Ancelotti vislumbra. Foi um debate bastante amplo e muito produtivo. É dali que sai um roteiro daquilo que agora vamos procurar aplicar. O ponto de partida é o sistema que o Ancelotti usou na Copa? Continua após a publicidade Parte deste momento de agora. É óbvio que não vamos excluir as coisas que foram boas na Copa, e vamos fazer muitos ajustes naquilo que não saiu bem também. Mas, com base em uma experiência de apenas um ano, é daqui que vamos começar esse novo ciclo. Com um período mais longo, o Ancelotti terá a oportunidade de fazer algumas observações que não teve tempo de fazer em um ano. Falando sobre trechos aos quais tivemos acesso, percebi no quadro os dez passos da questão da formação e o papel do treinador no meio disso. O que vocês estão tentando observar em prol de uma melhoria na formação do treinador? A CBF também fez um investimento na qualificação desses nossos técnicos. Temos grandes profissionais em todas as categorias, justamente para que exerçam esse papel não somente quando o atleta estiver aqui representando a seleção brasileira, mas principalmente sendo proativos nesse trabalho junto aos clubes e às comissões técnicas, fazendo esse debate e levando até os clubes o que esperamos desses atletas que lá são formados. Como funciona esse trabalho metodológico? Nosso caderno metodológico é extenso, vasto. Mas a gente tem, como brasileiro, uma certa dificuldade em registrar as ideias. Continua após a publicidade Temos grandes profissionais que já passaram pelo futebol brasileiro e, muitas vezes, deixou-se pouco conteúdo daquilo que foi aplicado, daquilo que foi idealizado. Nosso interesse agora é justamente esse: termos aqui uma metodologia devidamente aplicável. Foi isso que construímos, mas seguimos confeccionando. É algo constante. Estamos bem satisfeitos com a linha adotada para observação, formação, treinamento, tudo isso. Rodrigo Caetano e Ancelotti assistem a jogo da Copa do Brasil Sub-15 Imagem: Rafael Ribeiro/CBF Existe uma cartilha de comportamento dos jogadores? Que comportamento você espera para a seleção, considerando que muito do que a gente vê hoje passa pela parte psicológica e comportamental? Hoje em dia, essa é uma parte fundamental não só na seleção, mas nos clubes também. A parte mental, o nível de comprometimento, o nível de cobrança que os atletas recebem. Todos nós estamos expostos a esse tipo de avaliação. Continua após a publicidade Então, se você não estiver preparado para suportar isso, dificilmente vai chegar dentro do campo e mostrar sua qualidade. É óbvio que consideramos isso, e consideramos muito. Mas não como algo excludente. É algo que podemos melhorar durante o período em que estiverem conosco. Vamos poder transformar, melhorar e ajudar esses atletas. Todos os grandes clubes hoje têm bons trabalhos nessa parte mental. Creio que esses atletas já estejam em um nível mais alto no que diz respeito à formação, por saberem o nível de exigência que existe hoje no futebol. Mas tem uma coisa a ver com algo mais prático, de comportamento? Tudo o que decidirmos como procedimento interno, quem vai saber serão os atletas. Não vai ser o repórter... Continua após a publicidade E nem eu faço questão de expor, porque fui atleta. Talvez muitos não saibam. Um dos princípios básicos de um líder que foi atleta é ter essa relação de falar a verdade. E falar para dentro, jamais para fora. Então, eu não vou falar para fora. Quem vai saber é quem tem que saber: jogadores, comissão técnica, presidente e nossa diretoria. Autocrítica e futuro com Ancelotti Ancelotti andou fazendo autocrítica depois da Copa. Você já fez a sua? Óbvio. Continua após a publicidade Qual o resultado dela? Todos nós fizemos. No nosso caso, na primeira Copa... O que posso te dizer é que, fora do campo, tudo o que planejamos — os amistosos, a logística, o nível de privacidade — saiu como imaginávamos. Infelizmente, só isso não basta. Mas, quando você tem uma parte organizacional melhor, você se aproxima do resultado esportivo. Não tivemos resultado esportivo e, portanto, temos que reavaliar tudo, inclusive aquilo que fizemos de bom. Vamos trabalhar muito ao longo desse período todo para corrigir esses erros. Acho importante que todos saibam que, quando somos muitas vezes questionados sobre os amistosos, nossos adversários são escolhidos de acordo com a disponibilidade deles. Somos cobrados para jogar com europeus. Por que isso não acontece com mais frequência? Continua após a publicidade Eles têm as competições e não têm agenda para jogar. E nós temos um controle muito rígido de quando temos seleções africanas disponíveis, as europeias. Neste momento, temos as asiáticas. A gente precisa se reunir, precisa jogar, precisa testar para este novo ciclo, mas pode ter absoluta certeza de que a seleção brasileira sempre busca os grandes adversários. Carlo Ancelotti e Rodrigo Caetano em reunião sobre a seleção na Granja Comary Imagem: Rafael Ribeiro / CBF Você tem um percentual projetado de renovação da seleção a partir de agora? Esses são assuntos internos também. Estamos debatendo muita coisa. É um leque de discussões muito amplo, de nomes, para que, 15 dias antes da data Fifa, possamos informar aos clubes e às federações sobre a lista larga. Mas pode ter certeza de que estamos fazendo uma varredura no mundo em busca de jogadores talentosos, que se destaquem e que possam ser analisados. Continua após a publicidade Pelo que o Ancelotti fez e deixou de fazer na Copa, chegou a pensar: "Será que foi certa a nossa decisão de renovar o contrato antes?" Não. Principalmente porque eu confio muito no trabalho dele. Sei que ele é um dos grandes, se envolveu do início ao fim. Penso que o futebol brasileiro sempre clamou por continuidade, ajustes. Disse antes e mantenho: acho que a CBF fez justamente isso. Temos um grande técnico, um grande líder, que precisa de tempo para que esse trabalho seja desenvolvido. Não vejo outra forma de ter êxito se não com mais tempo de trabalho. Quando a Federação da Itália ligou para o Ancelotti, você ficou com receio de que ele pudesse aceitar? Em momento algum ele abriu essa possibilidade. Ele me ligou, me informou, e eu acabei informando a diretoria. Continua após a publicidade Ele sempre reconheceu o apoio que a CBF e o futebol brasileiro, na grande maioria, deram a ele durante todo o período. Então, ele nunca cogitou interromper esse projeto. A Copa América vai ter cara de Copa do Mundo? Vai ter a mesma exigência de qualquer jogo da seleção brasileira. É claro que um título que o Brasil não ganha há algum tempo aumenta a responsabilidade. Mas representar a seleção brasileira será fundamental também contra a Austrália, quando reiniciamos tudo para nós novamente. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora TSE aceita abrir ação de Flávio contra Lula por desfile no Carnaval do Rio Lula e Janja vão a SC pela 1ª vez na campanha e buscam voto feminino Cúpula do Master citou advogada que recebeu R$ 33 mi como 'sócia' de Gilmar Qual exercício ajuda a aliviar gases e 'destravar' o intestino mais rápido? Empresário é condenado por agredir ex-Miss Rio Branco; defesa vai recorrer